Não é só Ancelotti: Técnicos estrangeiros quebram recordes e dominam Copa do Mundo
Brasil terá pela primeira vez um técnico nascido fora do país à frente da seleção no Mundial
Carlo Ancelotti se torna neste sábado (13) o primeiro treinador estrangeiro a comandar a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. O italiano lidera a Amarelinha contra Marrocos, a partir das 19h (de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Mas ele não será o único técnico estrangeiro neste Mundial: ao todo, 27 equipes serão treinadas por profissionais que não nasceram no país de suas respectivas seleções.
Isso equivale a 56,25% das 48 seleções da Copa do Mundo, recorde histórico para os Mundiais. Em 2022, por exemplo, apenas nove estrangeiros comandaram equipes diferentes do país em que nasceram. À época, isso equivaleu a 28,1% das 32 seleções classificadas ao torneio no Catar.
O índice deste ano é um recorde histórico na história da Copa do Mundo. Antes de 2026, o recorde pertencia a 2006, na Alemanha, quando 15 treinadores estrangeiros comandaram as seleções (46,88%).
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Este sucesso dos estrangeiros em 2026 é liderado pela Argentina. Atual campeã mundial, o país tem seis treinadores representantes no Mundial. Além de Lionel Scaloni, que volta a comandar a tricampeã mundial, Gustavo Alfaro (Paraguai), Sebastián Beccacece (Equador), Marcelo Bielsa (Uruguai), Néstor Lorenzo (Colômbia) e Mauricio Pochettino (EUA) figuram à beira do campo ao longo do torneio.
Brasil não terá treinadores na Copa do Mundo pela primeira vez
Com a decisão da CBF em ter Ancelotti à frente da seleção brasileira, nenhum treinador brasileiro irá trabalhar na Copa do Mundo deste ano. Esta será a primeira edição do Mundial em que o país não estará representado à beira do campo.
Em todas as anteriores, o Brasil teve ao menos um representante como treinador. Em algumas edições, inclusive, liderou o ranking de estrangeiros. É o caso de 1998 e 2006, em que quatro técnicos brasileiros trabalharam na Copa do Mundo.
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Como estrangeiros dominaram a Copa do Mundo deste ano
Assim como a escolha de Ancelotti, outras seleções optaram por escolas diferentes para assumir o comando durante a Copa do Mundo. Thomas Tuchel, por exemplo, da Alemanha, estará à frente da Inglaterra nesta Copa do Mundo — com linha de pensamento diferente daquela adotada por Gareth Southgate até então.
— Elementos da globalização atingem também o futebol. As tendências atuais fizeram com que muitos países buscassem soluções externas, imaginando estar mais próximos daquilo que há de mais avançado no cenário internacional. As seleções que vencem ou se destacam acabam influenciando metodologias, conceitos e até a procura por profissionais de determinadas nacionalidades — analisa Roger Machado, ex-treinador do São Paulo.
Tanto em 2006 quanto em 1998, quando os treinadores brasileiros lideraram o ranking de estrangeiros, uma coisa foi comum: o Brasil chegou para o Mundial como o atual campeão. Com a Argentina, em 2026, ocorre o mesmo fenômeno. Seleções campeãs, ou que construíram boas campanhas, costumam lançar seus treinadores no cenário mundial.
— Quando um treinador chega de fora, ele traz novas metodologias e ideias, mas não pode perder de vista a cultura futebolística do país que representa. O desenvolvimento do futebol passa por absorver conhecimento, mas também por preservar características que fazem parte da identidade daquela seleção — aponta Roger.