Copa do Mundo 2030

México x Inglaterra: Por que as oitavas no Azteca podem ser o maior teste para Kane e cia. na Copa

Quatro vitórias, defesa invicta e o fator casa: um animado México espera fazer história diante dos comandados de Tuchel

México e Inglaterra se enfrentam neste domingo (5), às 21h (horário de Brasília), no Estádio Azteca, na Cidade do México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. O vencedor pode cruzar o caminho de Brasil ou Noruega nas quartas de final.

Do lado inglês, porém, antes de pensar nisso, há uma questão mais urgente a resolver: a Inglaterra, que chegou ao torneio com um dos elencos mais badalados da competição, ainda não convenceu, e o adversário desta noite é o mais perigoso que Thomas Tuchel encontrou desde a estreia.

Por que a Inglaterra ainda não engrenou nesta Copa

O problema central da seleção inglesa no Mundial tem sido a incapacidade de furar retrancas. Gana, Panamá e República Democrática do Congo optaram todas pelo bloco baixo, e a Inglaterra não soube o que fazer. Contra Gana, o empate em 0 a 0 evidenciou uma equipe sem criatividade: a única chance clara do jogo foi um chute de Kane por cima do travessão. Os pontas (Saka, Rashford, Madueke e Gordon) foram todos inoperantes. Contra o Panamá, a vitória por 2 a 0 só saiu após um gol de Bellingham em cobrança de escanteio e uma assistência para Kane, num jogo novamente amarrado até os 15 minutos do segundo tempo. Na fase de 16 avos, a RD do Congo chegou a abrir o placar e quase eliminou os ingleses, que só conseguiram a virada por 2 a 1 graças a dois gols de Kane na etapa final.

A polêmica em torno da convocação de Tuchel ganhou força a cada partida difícil. O técnico deixou em casa nomes como Trent Alexander-Arnold, Cole Palmer, Morgan Gibbs-White e Adam Wharton, e a ausência de um passador criativo no meio-campo ficou evidente sempre que o adversário recuou. A Inglaterra simplesmente não encontrou respostas quando o rival se limitou a defender.

Por que a Croácia extraiu o melhor da Inglaterra?

É sintomático que a melhor atuação inglesa no torneio tenha acontecido justamente na estreia, contra a Croácia, e que desde então não tenha sido possível repetir aquele nível. A explicação é tática: a Croácia é uma seleção de posse de bola e técnica, com Modrić e Kovačić no centro do jogo, que tentou jogar de igual para igual. Esse estilo se encaixou perfeitamente no futebol físico e de transições rápidas da Inglaterra. Com campo para correr e pegando a defesa adversária desarrumada, os ingleses foram letais e venceram por 4 a 2 com autoridade. Contra quem baixou as linhas e esperou, o mesmo time pareceu ser outro.

Raúl Jiménez (9) do México comemora seu segundo gol na partida com seus companheiros durante o jogo México-Equador, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA 2026, no Mexico City Stadium, na Cidade do México, em 30 de junho de 2026.
Raúl Jiménez comemora gol do México – Copa do Mundo 2026. (Foto: Ismael Rosas/IMAGO / aal.photo)

O que esperar da Inglaterra contra o México?

O México chega a esta fase em uma condição completamente diferente de todos os adversários anteriores da Inglaterra. São quatro vitórias em quatro jogos, oito gols marcados e nenhum sofrido. A equipe de Javier Aguirre jogou com intensidade e iniciativa em todas as partidas, com Julián Quiñones e Raúl Jiménez funcionando muito bem como dupla de ataque. E ainda há o fator Azteca: o México está invicto há 26 jogos no estádio e nunca perdeu uma partida de Copa do Mundo jogando em casa. Oitenta mil torcedores e a altitude da Cidade do México compõem o cenário mais hostil que a Inglaterra vai encarar no torneio.

Mas esse contexto, paradoxalmente, pode ser exatamente o que a Inglaterra precisa. O México não vai se fechar. Vai pressionar, vai sair para o jogo e vai deixar espaços. Se Tuchel conseguir manter a equipe equilibrada nos primeiros minutos, numa atmosfera que certamente tentará intimidá-los, os pontas ingleses terão muito mais campo para aparecer do que tiveram em qualquer outra partida do torneio até aqui. A Inglaterra que sofreu contra Gana, Panamá e RD do Congo pode não ser a mesma que entra em campo esta noite. O Azteca vai exigir uma resposta à altura.

Foto de Naim Beneddra

Naim BeneddraColaborador

Descobri o futebol de verdade nos anos 90, embalado pelas façanhas de Romário e Bebeto na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Desde então, o futebol nunca mais saiu do meu cotidiano. Com o tempo, consegui unir essa paixão a outra que sempre me acompanhou: a escrita. Transformar essas duas paixões em profissão é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da minha vida.

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