México x Inglaterra: Por que as oitavas no Azteca podem ser o maior teste para Kane e cia. na Copa
Quatro vitórias, defesa invicta e o fator casa: um animado México espera fazer história diante dos comandados de Tuchel
México e Inglaterra se enfrentam neste domingo (5), às 21h (horário de Brasília), no Estádio Azteca, na Cidade do México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. O vencedor pode cruzar o caminho de Brasil ou Noruega nas quartas de final.
Do lado inglês, porém, antes de pensar nisso, há uma questão mais urgente a resolver: a Inglaterra, que chegou ao torneio com um dos elencos mais badalados da competição, ainda não convenceu, e o adversário desta noite é o mais perigoso que Thomas Tuchel encontrou desde a estreia.
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
Por que a Inglaterra ainda não engrenou nesta Copa
O problema central da seleção inglesa no Mundial tem sido a incapacidade de furar retrancas. Gana, Panamá e República Democrática do Congo optaram todas pelo bloco baixo, e a Inglaterra não soube o que fazer. Contra Gana, o empate em 0 a 0 evidenciou uma equipe sem criatividade: a única chance clara do jogo foi um chute de Kane por cima do travessão. Os pontas (Saka, Rashford, Madueke e Gordon) foram todos inoperantes. Contra o Panamá, a vitória por 2 a 0 só saiu após um gol de Bellingham em cobrança de escanteio e uma assistência para Kane, num jogo novamente amarrado até os 15 minutos do segundo tempo. Na fase de 16 avos, a RD do Congo chegou a abrir o placar e quase eliminou os ingleses, que só conseguiram a virada por 2 a 1 graças a dois gols de Kane na etapa final.
A polêmica em torno da convocação de Tuchel ganhou força a cada partida difícil. O técnico deixou em casa nomes como Trent Alexander-Arnold, Cole Palmer, Morgan Gibbs-White e Adam Wharton, e a ausência de um passador criativo no meio-campo ficou evidente sempre que o adversário recuou. A Inglaterra simplesmente não encontrou respostas quando o rival se limitou a defender.
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Por que a Croácia extraiu o melhor da Inglaterra?
É sintomático que a melhor atuação inglesa no torneio tenha acontecido justamente na estreia, contra a Croácia, e que desde então não tenha sido possível repetir aquele nível. A explicação é tática: a Croácia é uma seleção de posse de bola e técnica, com Modrić e Kovačić no centro do jogo, que tentou jogar de igual para igual. Esse estilo se encaixou perfeitamente no futebol físico e de transições rápidas da Inglaterra. Com campo para correr e pegando a defesa adversária desarrumada, os ingleses foram letais e venceram por 4 a 2 com autoridade. Contra quem baixou as linhas e esperou, o mesmo time pareceu ser outro.
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O que esperar da Inglaterra contra o México?
O México chega a esta fase em uma condição completamente diferente de todos os adversários anteriores da Inglaterra. São quatro vitórias em quatro jogos, oito gols marcados e nenhum sofrido. A equipe de Javier Aguirre jogou com intensidade e iniciativa em todas as partidas, com Julián Quiñones e Raúl Jiménez funcionando muito bem como dupla de ataque. E ainda há o fator Azteca: o México está invicto há 26 jogos no estádio e nunca perdeu uma partida de Copa do Mundo jogando em casa. Oitenta mil torcedores e a altitude da Cidade do México compõem o cenário mais hostil que a Inglaterra vai encarar no torneio.
Mas esse contexto, paradoxalmente, pode ser exatamente o que a Inglaterra precisa. O México não vai se fechar. Vai pressionar, vai sair para o jogo e vai deixar espaços. Se Tuchel conseguir manter a equipe equilibrada nos primeiros minutos, numa atmosfera que certamente tentará intimidá-los, os pontas ingleses terão muito mais campo para aparecer do que tiveram em qualquer outra partida do torneio até aqui. A Inglaterra que sofreu contra Gana, Panamá e RD do Congo pode não ser a mesma que entra em campo esta noite. O Azteca vai exigir uma resposta à altura.