Copa do Mundo 2026

Por que o México é o adversário certo para a Inglaterra melhorar na Copa do Mundo 2026

Ingleses iniciaram campanha no Mundial com belo cartão de visitas, mas falhou em entregar futebol de alto nível nas partidas seguintes


A Inglaterra está prestes a enfrentar o México, país-sede da Copa do Mundo 2026, às 21h (de Brasília), no lendário Estádio Azteca. Os Three Lions chegaram ao torneio carregando o peso das expectativas pela qualidade do elenco, sem contar que já se passaram 60 anos desde o título de 1966, o maior intervalo entre conquistas de qualquer seleção no planeta.

A equipe de Thomas Tuchel começou a campanha no Grupo L com uma vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, resultado que revelou tanto a profundidade ofensiva da Inglaterra quanto sua vulnerabilidade defensiva. No entanto, esse poderio no ataque sumiu no empate sem gols contra Gana na segunda rodada.

A vitória por 2 a 0 sobre o Panamá, na derradeira rodada do grupo, foi mais sofrida do que o placar sugere, e a equipe voltou a ter dificuldades para criar diante da RD Congo na rodada anterior, precisando dos feitos heroicos de Harry Kane para avançar.

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Por que a Inglaterra tem enfrentado dificuldades na Copa do Mundo 2026?

O principal problema da Inglaterra no torneio tem sido a incapacidade de furar defesas recuadas em bloco baixo. Muito se discutiu sobre as escolhas polêmicas de Tuchel na convocação, especialmente a decisão de deixar em casa nomes como Trent Alexander-Arnold, Cole Palmer, Morgan Gibbs-White e Adam Wharton.

Embora a vitória inicial sobre a Croácia tenha levantado questionamentos sobre a estrutura defensiva dos ingleses, o consenso geral era o de que o ataque parecia um dos mais poderosos no papel.

No entanto, a Gana, do técnico Carlos Queiroz, é notoriamente defensiva, e o quarteto de pontas ingleses, que inclui Bukayo Saka, Marcus Rashford, Noni Madueke e Anthony Gordon, esteve completamente apagado na partida.

Kane e Bellingham celebram gol da Inglaterra
Kane e Bellingham celebram gol da Inglaterra (Foto: Steven Dinberg / GEPA pictures / IMAGO)

A única chance clara do jogo coube a Kane no final, e depois que o capitão chutou para fora de cima da pequena área, a grande discussão pós-jogo girou em torno da ausência de qualquer jogador criativo no elenco convocado pela Inglaterra.

Desempenho igualmente ruim se repetiu diante do bloco defensivo compacto do Panamá, e até Jude Bellingham marcar num escanteio perto da hora de jogo e dar a assistência para o segundo de Kane, parecia impossível vislumbrar uma forma de romper o placar.

A rodada das 32 trouxe uma melhora marginal no setor ofensivo, mas a RD Congo esteve perto de eliminar a equipe de Tuchel, que careceu de brilhos individuais e foi salva por dois gols tardios de Kane.

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Por que a Inglaterra de Thomas Tuchel foi melhor contra a Croácia?

É digno de nota que a melhor performance da Inglaterra no torneio aconteceu justamente na estreia contra a Croácia, e que desde então não conseguiu replicar a mesma dinâmica ofensiva.

Os croatas são o adversário mais bem ranqueado que os ingleses enfrentaram até aqui e foram também os únicos dispostos a disputar o jogo no mesmo plano dos ingleses em termos de proposta de jogo.

Gana, Panamá e RD Congo optaram por recuar e tentar atacar a seleção de Tuchel nos contra-ataques, buscando compensar a diferença de qualidade individual com uma abordagem sufocante.

A Croácia, por outro lado, é uma equipe orientada para a posse de bola, com vários jogadores técnicos no meio-campo, como Luka Modric e Mateo Kovacic, o que se encaixava perfeitamente no estilo físico e baseado em transições da Inglaterra.

Thomas Tuchel cumprimenta jogadores ingleses
Thomas Tuchel cumprimenta jogadores ingleses após amistoso (Foto: Chris Arjoon / Icon Sportswire / Imago)

O que se pode esperar do México nas oitavas?

O México é um adversário formidável: ganhou os quatro jogos disputados nesta Copa do Mundo sem sofrer um único gol. Além disso, El Tri contará com a vantagem de jogar em casa, estádio onde a equipe de Javier Aguirre está invicta há 26 partidas consecutivas e nunca perdeu em um jogo de Copa do Mundo.

Os coanfitriões são mais do que capazes de impor o jogo aos ingleses, com nomes como Julián Quiñones e o conhecido Raúl Jiménez à frente de um ataque que balançou as redes oito vezes em quatro jogos.

No entanto, apesar de toda a impressionante campanha e do histórico imponente no Azteca, as pontas inglesas terão espaço para criar oportunidades se conseguirem explorar as transições com velocidade suficiente.

O México não vai recuar como a maioria dos adversários da Inglaterra até aqui, e se os ingleses mantiverem a cabeça fria na altitude elevada e no que promete ser uma atmosfera ensurdecedora, é quase certo que produzirão um desempenho sensivelmente melhor.

Foto de Alexis Pereira

Alexis PereiraRedator

Jornalista formado na ESJ Paris, com passagems por várias redações francesas e internacionais. Apaixonado por futebol e todas as suas histórias, pequenas e grandes.

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