‘Todo mundo viu que ele é o melhor’: Messi responde em campo e Argentina colhe frutos de plano
Atuação de gala e hat-trick em Kansas City silenciou questionamentos sobre ritmo competitivo e condição física do craque
Durante os últimos meses, uma pergunta acompanhou Lionel Messi na preparação para a Copa do Mundo de 2026. Aos 38 anos, ainda seria possível vê-lo decidir partidas no mais alto nível? A mudança para a MLS, a distância do futebol europeu e uma rotina competitiva menos exigente alimentaram dúvidas sobre o ritmo que o camisa 10 apresentaria no principal torneio do planeta.
A estreia da Argentina contra a Argélia ofereceu uma resposta contundente. Autor dos três gols da vitória por 3 a 0, Messi foi o protagonista absoluto da partida disputada em Kansas City e mostrou que continua capaz de dominar um jogo de Copa do Mundo quando encontra espaço para isso.
A atuação também reforçou uma percepção que acompanha a seleção argentina há anos. Se Lionel Scaloni construiu uma equipe equilibrada, intensa e coletivamente forte, ela continua sendo desenhada para potencializar seu principal jogador. E ninguém parece ter problema em admitir isso.
Após a partida, Alexis Mac Allister foi direto e categórico ao comentar as dúvidas que cercavam o capitão argentino antes do início do torneio.
— Eles dizem que ele não é mais o mesmo de antes, mas esta noite todo mundo viu que Lionel Messi ainda é o melhor. E nós somos um time construído em torno dele.
Messi chega à Copa do Mundo no momento que planejou
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A fala de Mac Allister não surgiu por acaso. Desde a conquista da Copa de 2022, uma das principais preocupações argentinas era entender em que condições Messi chegaria ao Mundial de 2026. O talento jamais esteve em discussão. O debate girava em torno da capacidade física de um jogador prestes a disputar sua sexta Copa do Mundo.
Nesse aspecto, a mudança para os Estados Unidos em 2023 parece ter desempenhado papel importante. Longe da intensidade do calendário europeu, Messi passou a conviver com uma rotina mais controlada e menos desgastante.
Não foram raras as críticas de quem enxergava uma queda de competitividade na escolha pelo Inter Miami. Ao mesmo tempo, o argentino ganhou algo que poucos atletas de sua idade possuem: a possibilidade de administrar o próprio corpo pensando nos grandes momentos.
Por isso, a impressão deixada na estreia é que o planejamento funcionou. Messi chegou à Copa inteiro, fisicamente competitivo e ainda capaz de decidir partidas contra adversários de alto nível.
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Messi transforma estreia em mais uma noite para os livros de história
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Se a atuação já seria suficiente para ocupar manchetes ao redor do mundo, os números produzidos em Kansas City tornaram a noite ainda mais especial.
Com os três gols marcados contra a Argélia, Messi alcançou o topo da lista de jogadores com mais participações diretas em gols na história das Copas do Mundo. O argentino soma agora 16 tentos e oito assistências em Mundiais, totalizando 24 participações.
A marca o coloca à frente de Pelé, que encerrou sua trajetória em Copas com 12 gols e nove assistências. O brasileiro continua sendo o único jogador tricampeão mundial como atleta, mas viu um de seus números históricos ser ultrapassado pelo camisa 10 argentino.
Messi também superou outra referência do futebol brasileiro. Ele chegou a seis tentos marcados de fora da área em Copas do Mundo, ultrapassando Rivellino, que havia encerrado sua carreira nos Mundiais com cinco.
A noite ainda reservou espaço para mais um capítulo da rivalidade estatística com Cristiano Ronaldo. Ao balançar as redes em mais uma edição do torneio, Messi igualou o português como jogador com gols marcados em cinco Copas diferentes. O argentino disputou seis edições (contando com essa) e passou em branco somente na África do Sul, em 2010. CR7 estreia nesta quarta-feira (17) e também vai para seu sexto Mundial.
Os recordes ajudam a dimensionar a grandeza de uma carreira que já não precisa de validação estatística. Ainda assim, possuem valor simbólico. Afinal, surgem justamente em um momento em que parte do mundo do futebol insistia em questionar se o argentino ainda seria capaz de fazer diferença em uma Copa.
A resposta veio rapidamente. E veio da forma que Messi mais gosta: dentro de campo. Enquanto o debate acontecia fora dele, o camisa 10 abriu sua sexta participação em Mundiais com um hat-trick, novos recordes e a sensação de que continua ocupando um lugar que poucos conseguem ameaçar.
A Argentina certamente agradece. Afinal, como resumiu Mac Allister, a Albiceleste foi construída para jogar ao redor de Messi. E, pelo menos na estreia, a aposta parece continuar fazendo todo sentido.