Dossiê Cristiano Ronaldo: O raio-X detalhado do craque em cada edição da Copa do Mundo
CR7 vive contexto inédito em sua carreira para o Mundial de 2026
Cristiano Ronaldo disputará sua sexta Copa do Mundo, um recorde que apenas ele, Lionel Messi e Guillermo Ochoa alcançaram na história dos Mundiais. No entanto, a lenda portuguesa ainda amarga uma espécie de dívida no maior evento esportivo do planeta, que vai além do fato de nunca ter erguido uma taça.
A melhor participação de CR7 foi, curiosamente, a sua primeira, em 2006, quando foi quarto colocado ao lado de Luis Figo e companhia. Por outro lado, a pior campanha de Cristiano foi em 2014, no Brasil, quando Portugal sequer passou da fase de grupos. Ao todo, o atacante balançou as redes oito vezes em 22 partidas, o que começa a explicar o retrospecto aquém do esperado em Copas.
Para além dos números e desempenho em cada um dos Mundiais que disputou, existem contextos específicos, como as temporadas que antecederam cada Copa, o aspecto físico e, consequentemente, o nível em que atuou.
Cristiano Ronaldo estreia em 2006 em Copas do Mundo
Em sua primeira Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo tinha apenas 21 anos e já era um titular do time de Luiz Felipe Scolari. Aquela seleção portuguesa chegava com expectativas relativamente maiores, já que havia sido vice-campeã da Eurocopa dois anos antes. Na temporada que antecedeu o Mundial da Alemanha, CR7 já atuava pelo Manchester United e começava a se aproximar da primeira prateleira do futebol mundial.
Em 2005/06, Cristiano era considerado um titular de Sir Alex Ferguson nos Red Devils como um autêntico extremo, inclusive com obrigações defensivas, mas fazia seu segundo ano consecutivo superando os 10 gols em Old Trafford. Na oportunidade, o português disputou 47 partidas e balançou as redes 12 vezes. Seu protagonismo na seleção também já era flagrante. Nas Eliminatórias, Ronaldo marcou sete vezes em 12 jogos.
Fisicamente, Cristiano Ronaldo estava em plena ascensão e o número reduzido de jogos do United naquela temporada o ajudou a estar 100% para a Copa do Mundo. Os Red Devils caíram nas oitavas de final da Champions League e acabaram por ter um calendário aliviado. Por fim, Cristiano marcou uma vez durante o Mundial, mas se destacou pela capacidade nos duelos de um contra um e o volume de chances criadas para si próprio ou para os companheiros. Até então, sua Copa mais longeva e completa.
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CR7 tem segunda chance na Copa de 2010
Em 2010, o contexto de Cristiano Ronaldo era outro. Com apenas um ano de Real Madrid e o status de maior contratação da história do futebol, o atacante português já era o capitão da seleção e tinha uma Bola de Ouro em seu hall de conquistas. Porém, o ciclo pré-Copa da África do Sul não foi dos melhores.
CR7 estava há 16 meses sem marcar gols por Portugal e passou sua primeira temporada no Real Madrid sem títulos. Além disso, precisou se ausentar por dois meses dos campos por conta de uma lesão no tornozelo. Individualmente, Cristiano foi efetivo em números: 33 gols em 35 jogos pelos Blancos. Mas, a impressão era que o coletivo ao seu redor não funcionava, tanto no clube quanto na seleção.
Assim, aos 25 anos, Cristiano Ronaldo chegou à Copa do Mundo em uma equipe refém de um jogador, com uma transição de gerações e um treinador com caráter defensivo: Carlos Queiroz. A expectativa não era alta e campanha atendeu essa projeção.
CR7 marcou uma vez, contra a Coreia do Sul, Portugal foi às oitavas de final em um grupo que também tinha a seleção brasileira, mas caiu para a Espanha, futura campeã do mundo. Após a eliminação, o capitão deixou clara sua insatisfação com Queiroz em entrevistas na zona mista.
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Portugal, de Cristiano Ronaldo, fracassa no Brasil em 2014
Na Copa que seria de ápice físico e técnico, o resultado foi o pior possível. Cristiano Ronaldo chegou ao Brasil com o status de melhor jogador do mundo após uma das suas melhores temporadas pelo Real Madrid, conquistando a esperada décima Champions League, superando os 50 gols e estabelecendo um novo recorde de bolas na rede em uma única edição (17).
Porém, o português sofreu uma lesão no joelho e chegou ao Mundial sem as melhores condições físicas. Inclusive, em seu documentário, Cristiano revela que a indicação médica era para que não disputasse a Copa. Aos 29 anos, Ronaldo viveu um dilema entre representar seu país correndo o risco de uma contusão agravada e se ausentar para recuperar-se.
Ao fim, Portugal de Paulo Bento caiu na fase de grupos após uma goleada sofrida para a Alemanha, um empate com Estados Unidos e a vitória magra contra Gana. Cristiano marcou no último jogo e terminou o Mundial de maneira melancólica.
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Brilho contra a Espanha na Copa do Mundo 2018
Na Rússia, já aos 33 anos, Cristiano Ronaldo começava a gerar dúvidas quanto a participação dos Mundiais seguintes. Porém, o português chegou ao Mundial com um status mais próximo do atual. Vencedor de cinco Bolas de Ouro, maior artilheiro da história do Real Madrid, tricampeão consecutivo da Champions League e em completa adoração em Portugal por conta do título da Eurocopa em 2016, CR7 fez uma Copa de impacto imediato.
Após uma temporada de 44 gols em 44 jogos e a sétima artilharia da Champions, CR7 estreou na Copa com um hat-trick contra a Espanha, em uma das maiores atuações de um jogador em Mundiais nos últimos anos. O feito foi suficiente para inflar ainda mais as expectativas na equipe de Fernando Santos de voltar a fases agudas em uma Copa do Mundo.
Ao fim, Portugal caiu para o Uruguai nas oitavas de final e CR7 fechou sua participação com quatro gols em quatro jogos. Esta campanha foi proveitosa no sentido de validar o gerenciamento físico de Cristiano realizado por Zinedine Zidane na época, trazendo fôlego para as fases decisivas. Este também foi o período em que o português estava deixando o Real Madrid e rumando à Juventus, o que foi decisivo para os passos finais de sua carreira.
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O que parecia a última participação, em 2022
Em um contexto completamente diferente, Cristiano chegou ao Catar em completa turbulência. O português havia retornado ao Manchester United um ano antes e realizou uma temporada 2021/22 individualmente boa. Porém, a chegada de Erik ten Hag e a tentativa de se transferir para um clube de Champions League acabou por praticamente arruinar o último trimestre antes da Copa do Mundo do Catar.
Dessa forma, CR7 se juntou à seleção portuguesa aquém em ritmo de jogo e, consequentemente, à nível técnico, o que se refletiu na Copa do Mundo. Antes da estreia, o atacante concedeu uma entrevista polêmica ao jornalista Piers Morgan, que ocasionou em uma rescisão contratual com os Red Devils. Em situação conturbada dentro e fora do campo, Cristiano marcou na estreia contra Gana e foi só.
Inclusive, Cristiano Ronaldo perdeu lugar no time titular nas oitavas, contra a Suíça. A motivação seria uma combinação entre o aspecto tático e comportamental, já que CR7 foi flagrado gesticulando e reclamando de uma substituição promovida por Fernando Santos contra a Coreia do Sul, na fase de grupos.
O treinador deixou claro seu incômodo com a situação e posteriormente lançou Gonçalo Ramos na equipe. A eliminação para Marrocos nas quartas de final acabou por sacramentar o que parecia ser o ato final do camisa 7 na seleção.
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Como chega para a Copa do Mundo 2026?
Contrariando as expectativas de quatro anos atrás, mas sem qualquer surpresa ao mesmo tempo, Cristiano Ronaldo enfrentou o tempo e chega para a sua sexta Copa do Mundo em um contexto que muitos não imaginavam. Há quase quatro anos na Arábia Saudita, CR7 ultrapassou os 100 gols pelo Al-Nassr e demorou três temporadas para vencer a liga saudita.
Durante o ciclo, Cristiano foi o artilheiro da seleção, com 25 gols e acabou por viver situações contrastantes. Na Eurocopa, em 2024, Ronaldo passou completamente em branco e trouxe mais eco para a discussão de seu papel em Portugal. Um ano depois, a lenda foi protagonista na fase final da Nations League, marcando contra Alemanha e Espanha, e levantou o terceiro título por seu país.
Aos 41 anos, a expectativa é que Cristiano Ronaldo possa ser importante na seleção, mas sem o papel de protagonista propriamente, até porque a seleção de Roberto Martínez está recheada de grandes jogadores e em momentos de auge.