Copa do Mundo

Los Angeles fora da Copa de 2026? Entenda impasse entre Fifa e dono do Arsenal

Disputa nos bastidores entre holding americana e Fifa pode inviabilizar presença de Los Angeles como cidade-sede na Copa do Mundo de 2026

Estamos em 2023, mas a Copa do Mundo de 2026 já tem dado o que falar nos bastidores. A mais nova polêmica da vez envolve a família Kroenke, proprietária do SoFi Stadium, em Los Angeles, e a Fifa. O imbróglio se dá em virtude dos termos do acordo para o estádio ser uma das sedes do Mundial. Caso as duas partes não encontrem um denominador comum, a cidade corre o risco de ficar de fora da competição. A informação foi divulgada por John Sutcliffe, jornalista da ESPN mexicana.

A Kroenke Sports & Entertainment (KSE), proprietária não só do SoFi Stadium, mas também do Arsenal (Premier League), Los Angeles Rams (NFL), Denver Nuggets (NBA), Colorado Rapids (MLS), e Colorado Avalanche (NHL), adotou postura quase que irredutível perante à Fifa. O motivo? Dinheiro, é claro. Segundo o site norte-americano The Athletic, a KSE está insatisfeita com os termos do acordo para sediar jogos durante o torneio, em relação à forma como as receitas serão distribuídas entre Fifa, as cidades e os estádios.

Os proprietários dos estádios esperavam que os pagamentos adiantados fossem recuperados através de ativos comerciais, como patrocínios, bilhetes, hospitalidade e receitas dos dias de jogos. No entanto, esses ativos ainda não se consolidaram da forma que a KSE desejava.

A quantia destinada a cada estádio e cidade-sede não foi divulgada, contudo, a Fifa projetou em dezembro de 2022 que o ciclo para os quatro anos que antecedem a Copa do Mundo 2026 geraria receitas no valor de US$ 11 bilhões. Além disso, a entidade estabeleceu uma previsão de que a venda de ingressos arrecadaria mais US$ 3,1 bilhões. Parte fundamental desta gigante operação, as cidades e os estádios desejam uma fatia significativa de tal montante.

Kroenke Sports & Entertainment: ameaça genuína ou jogo de poder?

Como citado acima, a Kroenke Sports & Entertainment está de fato preocupada com os termos estabelecidos pela Fifa. Entretanto, não se sabe até que ponto a empresa pode levar essa insatisfação adiante. O grupo informou a entidade que deixará de sediar jogos da Copa do Mundo de 2026 caso não tenha seus anseios atendidos. Porém, não está claro se tal atitude representa um jogo de poder negocial ou uma real ameaça de retirada.

O clima nos bastidores é tenso, e tanto a Fifa, quanto a KSE, terão de ter jogo de cintura para resolverem tal entrave. É importante destacar que o SoFi Stadium é o estádio mais caro já construído nos Estados Unidos. Com capacidade para mais de 70 mil espectadores, a arena custou mais de US$ 5 bilhões. Inaugurado em 2020, é a casa do Los Angeles Rams e do Los Angeles Chargers, ambos da NFL. Palco da última edição do Super Bowl (final da NFL), o local tem boas chances de abrigar a cerimônia de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2028.

Stan Kroenke, fundador da Kroenke Sports & Entertainment, proprietária do Arsenal, Los Angeles Rams, Denver Nuggets, entre outras franquias esportivas (Foto: Icon Sport)

A importância de Los Angeles para Copa do Mundo

Internamente, a Fifa admite a importância de Los Angeles para o Mundial de 2026. Em maio deste ano, isso ficou claro, quando a entidade realizou o evento de lançamento da marca oficial da competição na cidade californiana. Vale lembrar que Los Angeles já sediou a final da Copa do Mundo masculina em 1994 e a final da Copa do Mundo feminina em 1999.

Perguntado sobre a polêmica envolvendo a KSE e a Fifa, o Comitê Anfitrião da Copa do Mundo FIFA de Los Angeles emitiu o seguinte comunicado: “Estamos orgulhosos de ser o Comitê Anfitrião de Los Angeles para a Copa do Mundo FIFA 2026. Desde que fomos anunciados como cidade-sede, temos trabalhado em estreita colaboração com a Fifa em muitos aspectos do evento. As informações que você compartilhou não refletem com precisão o conteúdo dessas conversas colaborativas contínuas. Kroenke Sports & Entertainment é um parceiro inestimável para Los Angeles (…) e continua a fornecer um apoio incrível ao nosso comitê. Com a KSE como parceira, Los Angeles oferecerá o mais alto padrão no cenário mundial.”

Negociar com norte-americano é outra realidade

Informações dão conta de que os dirigentes da Fifa se ‘espantaram' com tamanha ousadia, sagacidade e firmeza das cidades norte-americanas e dos proprietários de estádios durante as discussões sobre a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos. A dinâmica é muito diferente do que a entidade vivenciou no Catar, em 2022.

No país árabe, a Fifa teve certa facilidade para impor suas condições e estratégias, já que o Estado do Golfo ansiava pelo prestígio de sediar um torneio da magnitude da Copa do Mundo. O cenário nos Estados Unidos é o oposto. Os norte-americanos estão acostumados e sabem promover eventos como nenhuma outra nação no mundo. O show business em ligas como NFL e NBA é reconhecido internacionalmente e atrai os olhares de milhões de fãs espalhados pelo globo. Por isso, o poder de convencimento perante empresários locais deve ser diferente. Caso contrário, provavelmente o negócio não será fechado.

Gianni Infantino, presidente da Fifa (Foto: Icon Sport)

Indefinição sobre qual cidade sediará a final da Copa do Mundo de 2026

Sabe-se que Estados Unidos, Canadá e México sediarão a Copa do Mundo de 2026. Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia, São Francisco e Seattle (e talvez Los Angeles) são as cidades norte-americanas que receberão jogos do torneio. Guadalajara, Cidade do México, Monterrey, Toronto e Vancouver completam o circuito.

Nos próximos meses, a Fifa planeja anunciar qual cidade e estádio sediará a grande final do Mundial de 2026. O SoFi Stadium, em Los Angeles, já estava entre os candidatos. Todavia, diante de toda polêmica já abordada, as duas arenas que ganharam força nas últimas semanas são o AT&T Stadium, em Dallas, e o MetLife Stadium, em Nova York.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Apaixonado por futebol, uniu o amor pelo esporte mais popular do mundo ao jornalismo. Carioca da gema e grande entusiasta da Premier League, cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na música, vai de Post Malone a Armandinho. Eclético assim como na área técnica. Afinal, Guardiola e Mourinho são suas referências.
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