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Um pouco de sanidade: Copa do Mundo 2026 terá grupos de 4 e nova fase mata-mata

Expansão para 48 times fará o torneio ter 39 dias de duração e 104 jogos, mas manterá o formato de quatro grupos, com o retorno de melhores terceiros classificados

A Copa do Mundo 2026 será a primeira com 48 seleções e durante muito tempo se falou em grupo de três times, o que é uma aberração. Já desde 2022 se fala de manter os grupos de quatro times e isso ganhou forma. A Fifa confirmou nesta terça-feira que o formato de grupos com quatro times será mantido, com a adição de uma fase de mata-mata e o aumento de 64 para 104 jogos, além da duração aumentada para 39 dias.

A nova proposta é ter 12 grupos de quatro seleções em que avançam os dois primeiros colocados e mais os oito melhores terceiros. A fase 16-avos de final, adicionada depois da fase de grupos, fará com que o número máximo de jogos por seleção chegue a oito, em vez dos atuais sete.

Para acomodar mais jogos, a Fifa reduziu em uma semana o período de liberação dos jogadores de 23 times para 16. Isso significa um período um pouco menor do que a Copa 2018, mas é o dobro de dias do que foi adotado para a Copa 2022, que as seleções só receberam os jogadores uma semana antes do início da competição. A ideia da Fifa é que o período total entre liberação de jogadores e final permaneça o mesmo, de 56 dias, contando os 16 dias anteriores ao início do torneio e mais 39 dias de competição.

A decisão foi validada pelo Conselho da Fifa, que se reuniu nesta terça-feira, em Kigali, capital de Ruanda. Os dirigentes estão reunidos para o Congresso Anual da Fifa, que acontecerá na quinta-feira. Antes, porém, o Conselho da Fifa aprovou o novo formato da Copa do Mundo, enterrando a ideia estúpida de grupos de três ventilada por anos.

A ideia original era ter 16 grupos de três equipes, com os dois primeiros avançando para as 16-avos de final, a nova fase de mata-mata antes das oitavas de final. Esse formato teria 80 jogos, aumentando em relação aos 64 jogos da Copa 2022, a última com 32 seleções, que é usado desde a Copa de 1998.

A ideia de grupos de três, porém, tem grandes problemas. Como seriam dois jogos por equipe, a última rodada corria um grande risco de ter marmelada, com times sabendo o que precisam para se classificar. Ou mesmo fazendo jogo de compadres para ter um resultado que classifique os dois times em campo e elimine o que não está jogando.

Foi assim que aconteceu o chamado o que ficou conhecido como “Jogo da Vergonha”, na Copa do Mundo de 1982, quando Alemanha e Áustria fizeram um jogo de compadres, com um resultado que classificava ambos e eliminava a Argélia. Foi depois disso que o formato mudou e os grupos passaram a ter quatro times com a última rodada simultânea. 

Embora a ideia de grupo de três tivesse esses problemas, a Fifa parecia ignorar. Foi só durante a Copa 2022, em reunião na última semana, que essa ideia mudou. O sucesso da fase de grupos no Catar fez com que os dirigentes enfim repensassem a ideia que era tão questionada – inclusive dentro da entidade – e tenha falado publicamente sobre grupos de quatro seleções.

Resta saber como será a divisão de jogos entre os três países. Pela proposta inicial, eram 60 jogos para os Estados Unidos, enquanto Canadá e México teriam 10 jogos cada. Com o novo formato com mais jogos, é possível que tanto México quanto Canadá recebam mais jogos, mas isso ainda não está definido.

De qualquer forma, é uma ótima notícia que a Fifa tenha desistido de grupos de três. O aumento do tamanho da Copa ainda é questionável, mas diante dos problemas para reduzir as vagas de continentes como a Europa, sem que isso custasse politicamente muito a Infantino, a solução de aumentar o número de países permitiu proporcionalmente mais vagas para a África, Ásia e Concacaf. Veremos como isso será.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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