Uzbequistão x Colômbia: Como James Rodríguez, em baixa nos clubes, ainda é querido e intocável na seleção
Jogador vive altos e baixos em seus clubes, mas nunca perde o espaço na seleção de seu país
Quando a Colômbia entrar em campo diante do Uzbequistão nesta quarta-feira (17), às 23h (horário de Brasília) pela Copa do Mundo, os olhos da torcida estarão voltados para um jogador que já não domina manchetes no futebol de clubes há anos, mas que continua ocupando um lugar especial no coração dos colombianos: James Rodríguez.
Aos 34 anos, o meia vive um dos contrastes mais curiosos do futebol mundial. Enquanto sua trajetória recente por clubes foi marcada por passagens discretas, lesões e dificuldades para manter regularidade, sua relação com a seleção colombiana permanece praticamente inabalável.
Desde que explodiu para o mundo na Copa do Mundo de 2014, quando terminou como artilheiro do torneio, James se transformou em um símbolo da geração mais vitoriosa da história da Colômbia. E, para muitos torcedores, o que ele entrega vestindo a camisa amarela continua sendo mais importante do que seu desempenho em qualquer clube.
Dois James diferentes
A carreira de James nos clubes nunca conseguiu repetir por muito tempo o brilho visto no Mundial do Brasil. Após uma primeira temporada de destaque no Real Madrid e um bom início no Bayern de Munique, o meia passou a alternar momentos positivos com períodos de baixa.
Everton, Al-Rayyan, Olympiacos, São Paulo, León e outras experiências recentes mostraram lampejos de qualidade, mas sem a consistência esperada de um jogador que já foi considerado um dos melhores do mundo. O jornalista colombiano Felipe Ocampos resume bem essa percepção existente no país.
— Muitas vezes nos perguntamos por que nos clubes ele não tem o mesmo rendimento e futebol que apresenta na seleção. No Everton teve bons momentos; no Catar, Brasil, México e Estados Unidos jogou algumas partidas, mas não esteve 100% do nível — afirmou.
Segundo Ocampos, os melhores momentos de James em equipes aconteceram justamente em sua primeira temporada no Real Madrid e também no Bayern. Depois disso, houve apenas períodos pontuais de bom desempenho, sem conseguir recuperar totalmente o nível que o levou ao estrelato mundial.
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O capitão da nação
Se nos clubes existe debate, na seleção os números falam por si. James é o segundo maior artilheiro da história da Colômbia, capitão da equipe e um dos principais responsáveis pela campanha que levou o país à final da Copa América de 2024. Mesmo sem atuar regularmente em alto nível por seus clubes, ele voltou a ser decisivo, distribuindo assistências, criando jogadas e comandando o setor ofensivo.
Um bom exemplo é a participação do camisa 10 nas Eliminatórias da Copa. Ele foi o líder em assistências, com sete, e criou incríveis 56 chances de gol, o dobro do segundo jogador na estatística, Raphinha.
Para Ocampos, esse histórico ajuda a explicar a devoção da torcida.
— Ele é um dos jogadores que a torcida mais ama e valoriza pelo seu sentido de pertencimento, pela experiência de mais de dez anos com a seleção e pela qualidade que demonstra em campo quando joga — destacou o jornalista.
A identificação vai além dos resultados. James representa uma era de crescimento do futebol colombiano e uma conexão emocional construída ao longo de mais de uma década defendendo os Cafeteros.
O peso do legado
O carinho dos colombianos ficou evidente novamente nos últimos meses. O lançamento do documentário sobre sua carreira na Netflix reacendeu discussões sobre sua trajetória e reforçou a imagem de um jogador que, apesar das críticas recebidas em alguns momentos, continua sendo tratado como um ídolo nacional.
Poucos atletas conseguem manter tamanho prestígio depois de tantos anos longe do auge nos clubes. James é uma exceção porque sua história com a seleção ultrapassa estatísticas.
Para muitos colombianos, ele não é apenas um ex-craque tentando prolongar a carreira. É o rosto de uma geração que colocou o país entre as potências do continente e que proporcionou alguns dos momentos mais marcantes da história da seleção.
Por isso, diante do Uzbequistão, a expectativa permanece a mesma. Aos 34 anos, mesmo sem o brilho de antigamente nos clubes, a Colômbia continua acreditando que James Rodríguez pode fazer a diferença quando veste a camisa amarela.
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Como chegam as equipes
A Colômbia retorna ao Mundial após ficar fora da edição de 2022 e chega com expectativas elevadas. A equipe de Néstor Lorenzo fez uma boa campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, com destaque para o poder ofensivo liderado por Luis Díaz e James Rodríguez. Os colombianos também venceram os dois amistosos mais recentes e contam com um elenco mais experiente e qualificado.
Já o Uzbequistão chega para sua estreia histórica em Copas do Mundo, embalado por uma campanha consistente nas Eliminatórias Asiáticas, marcada pela forte organização defensiva. A equipe comandada por Fabio Cannavaro sofreu poucos gols durante a classificação, mas encontrou dificuldades nos amistosos preparatórios contra seleções de maior nível técnico, como Canadá e Países Baixos.
Embora o Uzbequistão aposte na disciplina tática e no talento de Shomurodov e Fayzullaev, a Colômbia entra em campo como favorita pela maior experiência internacional e pela superioridade técnica de seu elenco.