França x Espanha: O que mudou desde o jogaço da Liga das Nações um ano atrás
Potências voltam a se enfrentar em uma semifinal um ano após o 5 a 4 a favor dos espanhóis
França e Espanha estarão frente a frente mais uma vez em um grande torneio, em duelo que marcará uma das semifinais da Copa do Mundo. Este será o terceiro ano consecutivo de enfrentamentos decisivos entre as duas seleções, todos referentes à mesma fase. Até então, o retrospecto espanhol é excelente, com duas vitórias e, consequentemente, duas classificações para as grandes finais da Eurocopa e da Liga das Nações.
Neste Mundial, enquanto os franceses eliminaram Marrocos nas quartas, com uma vitória tranquila por 2 a 0, contando mais uma vez com o brilho de Kylian Mbappé, a Espanha tirou a Bélgica do caminho com mais um triunfo nos minutos finais, proveniente de outro gol decisivo de Mikel Merino.
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A expectativa é muito alta para mais um encontro de alto nível e, apesar do retrospecto favorável aos espanhóis, mudanças importantes ocorreram nas equipes de Didier Deschamps e Luis de la Fuente desde o épico 5 a 4, há um ano, pela Liga das Nações.
Espanha tm nova configuração defensiva
Impulsionada pela conquista da Eurocopa, a Espanha chegou à última Liga das Nações com uma corrente forte de renovação de todos os setores do campo e a linha defensiva foi uma delas. Com a grave lesão no joelho de Dani Carvajal, Pedro Porro já havia assumido a lateral-direita, enquanto Dean Huijsen e Robin Le Normand preencheram o miolo de zaga.
Assim, mesmo com o grande ímpeto ofensivo e talento espalhado pelo time, uma crítica contundente ao time de De la Fuente era a fragilidade defensiva. Não é à toa que a Espanha sofreu quatro gols da França na semifinal e outros dois de Portugal na decisão. Desde então, o treinador entendeu a necessidade de trazer solidez à equipe de modo geral e trabalhou com este objetivo no último ano.
Assim, o que se vê na Copa do Mundo é uma equipe que utiliza mais das “pausas” do jogo, com uma posse de caráter mais cadenciado. Mesmo que esta estratégia tenha sido devidamente traçada, existe uma influência grande das dificuldades físicas recentes de Lamine Yamal e Nico Williams neste processo. Enquanto o prodígio do Barcelona vem sendo utilizado como titular após se recuperar de uma lesão muscular, Nico segue com seu retorno gradativo aos jogos, com minutagem delimitada.
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Se há um ano a Espanha era extremamente vertical quando a bola chegava aos pés de seus dois extremos, hoje não se pode dizer o mesmo. É possível ver a intenção de De la Fuente em reter mais a bola para “se defender a posse” e forçar o adversário a correr mais, mas as dificuldades físicas de Yamal e Nico Williams certamente colaboram para uma equipe de mais “pausas” e menos impetuosidade.
Além disso, a dupla de zagueiros também mudou. Ao invés de Huijsen e Le Normand, Pau Cubarsí e Aymeric Laporte assumiram a titularidade e impõem características mais equilibradas à linha de defesa. Enquanto o jovem do Barcelona possui grande capacidade de realizar perseguições e defender a profundidade, Laporte traz experiência, bom jogo aéreo e qualidade como passador para quebrar linhas e resistir a possíveis pressões do adversário. Definitivamente é uma Espanha diferente. Mais segura, menos objetiva e igualmente perigosa.
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Divisão do protagonismo na França
A França, por sua vez, apresentou grande evolução, principalmente pela capacidade de se adaptar a cada adversário. Naturalmente, o mérito de Deschamps em encaixar suas principais peças e trazer novas resoluções para transições é grande, mas a evolução das individualidades francesas é o grande ponto de atenção dessa Copa do Mundo.
Há um ano, na derrota por 5 a 4 para a Espanha, Kylian Mbappé já era o protagonista que se esperava, assim como faz neste Mundial. Ousmane Dembélé havia acabado de vencer a Champions League e caminhava para conquistar a Bola de Ouro, mas não entregava o suficiente em contexto de seleção. Além da dupla, Michael Olise não era o mesmo jogador que atualmente.
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Esta Copa tratou de “tirar todos os tijolos das costas” de Mbappé e repartir protagonismo com Olise e Dembélé. Os frutos deste processo são excelentes, mensurados por performance e estatísticas. Kylian Mbappé é o artilheiro do Mundial, com oito gols, ao lado de Lionel Messi, Michael Olise é o principal assistente, com cinco passes para gols de seus companheiros, enquanto Ousmane Dembélé participa das duas maneiras: cinco tentos e duas assistências.
Ou seja, com estes talentos em alta, a França está muito mais confortável no jogo de proposição, mas, diante das características, também é completamente ameaçadora em jogos de transição, que é o que deve ocorrer contra a Espanha, na semifinal. Outra situação a se destacar é a capacidade de pressão do quarteto ofensivo na saída de bola adversária, incluindo Mbappé, o que também deverá ser uma tônica do duelo da próxima terça-feira (14).
Uma mudança sensível de Deschamps durante a Copa do Mundo que também merece ser destacada é a entrada de Manu Koné no lugar de Aurélien Tchouaméni. Enquanto o volante do Real Madrid possui caráter posicional, Koné se move de acordo com a bola em contexto de posse, gerando apoio aos flancos e estimulando mais as combinações em zonas interiores, estratégia que vem dando certo na fase de mata-mata. Portanto, a expectativa é por uma França adaptável ao que o jogo pedir, mas sem abdicar das valências dos seus protagonistas.