Copa do Mundo

Por que os estádios da Copa do Mundo 2026 vão ‘mudar’ de nome

Regra da Fifa veta naming rights durante Copa e altera identificação de 15 das 16 arenas da competição

Quem acompanha futebol costuma estranhar ao olhar a lista oficial de estádios de uma Copa do Mundo. Arenas mundialmente conhecidas por seus nomes comerciais aparecem identificadas de forma diferente durante o torneio, como se tivessem passado por uma repentina mudança de identidade. Na prática, porém, não se trata de uma troca definitiva, mas sim de uma exigência da Fifa para a realização da competição.

A entidade determina que os estádios utilizados em suas competições não exibam nomes vinculados a patrocinadores ou contratos de naming rights. Esse modelo de negócio, cada vez mais comum no esporte, permite que empresas associem suas marcas a arenas em troca de investimentos financeiros.

Durante a Copa, entretanto, a Fifa adota uma política de neutralidade comercial para evitar conflitos com seus próprios parceiros e patrocinadores oficiais.

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Regra da Fifa afeta estádios nos três países-sede da Copa do Mundo 2026

AT&T Stadium se chamará Dallas Stadium na Copa
AT&T Stadium se chamará Dallas Stadium na Copa (Foto: Jonathan Duenas / Agencia-MexSport / Imago)

A Copa do Mundo 2026 será disputada em Estados Unidos, México e Canadá, e 15 dos 16 estádios precisarão ser identificados por nomes alternativos ao longo do torneio.

Um dos casos mais emblemáticos envolve o tradicional Estádio Azteca, palco de momentos históricos do futebol mundial. Em março de 2025, a arena firmou um acordo de 12 anos com uma instituição financeira e passou a ser chamada oficialmente de Estádio Banorte. Apesar disso, a marca comercial não poderá aparecer durante a Copa. Para atender às regras da Fifa, o estádio será identificado como Azteca Cidade do México, em referência à sua localização.

A mesma situação ocorrerá com outras arenas mexicanas. O Estádio BBVA será chamado de Estádio Monterrey, enquanto o Estádio Akron passará a ser identificado como Estádio Guadalajara durante a competição.

Nos Estados Unidos, onde estará concentrada a maior parte das partidas, a lista de mudanças é ainda mais extensa. O MetLife Stadium, que receberá a final do torneio, será denominado New York New Jersey Stadium. Já o AT&T Stadium, localizado em Dallas, será chamado simplesmente de Dallas Stadium.

Confira os demais estádios nos EUA que passarão pela mudança:

  • SoFi Stadium (Los Angeles): Los Angeles Stadium;
  • Gillette Stadium (Boston): Boston Stadium;
  • Hard Rock Stadium (Miami): Miami Stadium;
  • Lincoln Financial Field (Filadélfia): Philadelphia Stadium;
  • Levi’s Stadium (Área da Baía de San Francisco): San Francisco Bay Area Stadium;
  • Lumen Field (Seattle): Seattle Stadium;
  • Mercedes-Benz Stadium (Atlanta): Atlanta Stadium;
  • NRG Stadium (Houston): Houston Stadium;
  • GEHA Field at Arrowhead Stadium (Kansas City): Kansas City Stadium.

Exceções e particularidades entre os estádios

BC Place Stadium, em Vancouver, não terá o nome alterado na Copa do Mundo
BC Place Stadium, em Vancouver, não terá o nome alterado na Copa do Mundo (Foto: Kevin Raposo / Agencia-MexSport / Imago)

Embora a regra seja aplicada de maneira ampla, existem algumas situações específicas. A principal delas envolve o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

A arena está autorizada a manter a identificação visual associada à marca devido a questões estruturais. A remoção física do logotipo instalado na cobertura do estádio representaria um risco operacional significativo. Mesmo assim, a nomenclatura utilizada oficialmente pela Fifa durante o evento continuará seguindo critérios neutros relacionados ao torneio — se chamará Atlanta Stadium.

No Canadá, o cenário também apresenta mudanças. O BMO Field, em Toronto, deixará de utilizar a referência ao Bank of Montreal e será chamado oficialmente de Toronto Stadium.

Já o BC Place Stadium, em Vancouver, não precisará passar por alterações. Isso porque o nome da arena não está ligado a nenhum contrato de naming rights com uma empresa privada, o que a mantém fora do alcance dessa restrição específica da Fifa.

Uma prática que já aconteceu em outras Copas do Mundo

Arena Fonte Nova foi um dos estádios da Copa do Mundo de 2014
Arena Fonte Nova foi um dos estádios da Copa do Mundo de 2014 (Foto: AFLOSPORT / Imago)

A retirada temporária dos nomes comerciais dos estádios não é uma novidade criada para a edição de 2026. A medida já foi aplicada em outras Copas do Mundo organizadas pela Fifa, incluindo a realizada no Brasil em 2014.

Naquele torneio, um dos exemplos mais conhecidos foi o da Arena Fonte Nova, em Salvador. Na época, o estádio possuía um acordo de naming rights com uma marca de cerveja e era oficialmente chamado de Itaipava Arena Fonte Nova. Durante a competição, no entanto, a Fifa suprimiu a referência comercial e utilizou apenas o nome Arena Fonte Nova em toda a comunicação oficial.

A política reforça um padrão adotado pela entidade em seus principais eventos. Embora os naming rights sejam uma importante fonte de receita para clubes, administradoras e governos, eles acabam ficando temporariamente em segundo plano durante a Copa do Mundo.

Assim, por algumas semanas, estádios conhecidos por marcas globais voltam a ser identificados por nomes ligados às cidades ou regiões onde estão localizados, criando uma curiosa tradição que se repete a cada edição do torneio.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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