Copa do Mundo

Defesa x ataque: Qual setor se sobressai entre os campeões da Copa do Mundo?

Levantamento aponta qual fundamento se sobressai nas finais dos Mundiais desde 1930

Carlo Ancelotti se prepara para disputar sua primeira Copa do Mundo como treinador, com pouco mais de um ano à frente da seleção brasileira. Na Data Fifa de março, nos últimos compromissos antes da lista final, o treinador italiano deixou clara suas visões para o time: é preciso uma defesa forte para conquistar o hexacampeonato.

— O Brasil para ganhar Mundial tem de ter talento, e temos, e também se defender bem. Não há outra via. Copa do Mundo ganha aquele que levar menos gols, não quem faz mais — destacou o treinador, antes de amistoso contra a Croácia.

Simulador Copa do Mundo 2026
Copa do Mundo 2026

Simulador Copa do Mundo 2026

Monte o chaveamento, simule os jogos e descubra quem será o campeão mundial.

Simular →

A defesa tem sido uma incógnita do Brasil, principalmente com as dúvidas nas laterais e o desfalque de Éder Militão para a Copa do Mundo. Nos dez jogos disputados com Ancelotti até aqui, o Brasil sofreu sete gols. São três jogos consecutivos em que o setor é vazado — contra Tunísia, França e Croácia.

Carlo Ancelotti durante convocação da Seleção para Copa do Mundo
Carlo Ancelotti durante convocação da Seleção para Copa do Mundo (Foto: Ruano Carneiro / Carneiro Images / Imago)

A máxima de Ancelotti é comum nos esportes — “ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”. Mas também é um clichê. No último ano, distante do futebol, o quarterback Jalen Hurts, do Philadelphia Eagles, usou o ditado para elogiar sua equipe após o triunfo no Super Bowl 59, sobre o Kansas City Chiefs.

Mas o treinador italiano tem razão? Quando se referiu à força da defesa brasileira, também exaltou o desempenho da Seleção nos títulos mundiais de 1994 e 2002 quando, nos números, também tinha os setores menos vazados em seus respectivos torneios. A Trivela traz a seguir os números, a partir das estatísticas dos finalistas em cada uma das Copas do Mundo.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Defesa leva a melhor no histórico das Copas do Mundo

Desde 1930, quando o Uruguai recebeu a primeira Copa do Mundo, o formato da competição sofreu alterações. De 1974 em diante, cada equipe tem de jogar ao menos sete partidas para se sagrar campeã — antes disso, a seleção uruguaia chegou conquistou a Jules Rimet em 1950 com apenas quatro jogos disputados.

Ao comparar os números de cada um dos finalistas nas 22 primeiras edições da Copa do Mundo, é possível notar que as equipes com as melhores defesas costuma levar a melhor no confronto direto. Em oito ocasiões, o setor defensivo se sobressaiu na final do Mundial, contra quatro ocasiões em que o ataque foi superior.

Exemplo disto é a final de 2010. Embora a Espanha, à época, fosse exaltada pelo seu poder ofensivo, marcou apenas sete gols antes da decisão — a seleção de Países Baixos, vice-campeã, foi às redes 12 vezes. Por outro lado, La Roja sofreu apenas dois gols durante todo o torneio, ambos na derrota na estreia, diante da Suíça, por 2 a 1.

Espanha superou defensivamente os Países Baixos na final da Copa do Mundo de 2010
Espanha superou defensivamente os Países Baixos na final da Copa do Mundo de 2010 (Foto Sven Simon/Imago)

Além da Espanha, França (1998), Itália (1982), Argentina (1978), Inglaterra (1966) e Uruguai (1950 e 1930) sofreram menos gols do que seus respectivos adversários na decisão — e tinham um ataque inferior, em comparação. A Argentina, em 2022, tinha média de gols sofridos idêntica à da França antes da final, e apenas um gol marcado a menos do que sua adversária.

O ataque, por sua vez, se sobressaiu com a Alemanha (1990 e 2014) e Brasil (1970 e 2002). Cabe destacar que Ancelotti não está totalmente errado ao exaltar a defesa de Felipão no pentacampeonato, já que a seleção brasileira sofreu apenas quatro gols naquele torneio.

Combinação entre ataque e defesa costuma se sair melhor nas finais da Copa do Mundo

Além dessas finais já citadas, em outras sete ocasiões a seleção campeã liderava as estatísticas em gols marcados e sofridos em relação à sua adversária na final. Em 2018, na decisão mais recente, a França, com quatro gols sofridos até a final, conseguiu parar o ataque da Croácia, que havia ido às redes 12 vezes durante o Mundial.

O mesmo ocorreu em 2006, com a Itália. Estatisticamente, aquela seleção italiana teve a melhor defesa de uma seleção campeã antes da final, com apenas um gol sofrido. Ao mesmo tempo, também se sobressaía ofensivamente em relação à vice-campeã França (11 a 8).

Itália se destacou defensivamente na Copa do Mundo de 2006
Itália se destacou defensivamente na Copa do Mundo de 2006 (Foto: Pro Shots/Imago)

O mesmo ocorreu com Brasil (1958, 1962 e 1994), Argentina (1986) e Itália (1934).

A seleção brasileira é a que mais aparece nesse critério, por exemplo — fato que reforça a necessidade de Ancelotti reforçar ambos os setores antes da Copa do Mundo.

Em outras três edições (1934, 1954 e 1974), a campeã não liderou as estatísticas ou as ofensivas antes da final. Hungria (duas vezes) e Países Baixos, respectivamente, eram superiores em relação à outra finalista, mas foram derrotadas no jogo único.

O Carrossel Holandês, de Johan Cruyff, chegou à decisão com apenas um gol sofrido — igualando o feito da Itália em 2006 e da vice-campeã Alemanha em 2002 — e 14 gols marcados. Não foi páreo, no entanto, para as donas de casa, que se sagraram bicampeãs, de virada, no primeiro torneio com sete partidas até a final.

EdiçãoCampeãViceGols sofridos
(até a final)
Gols marcados
(até a final)
Quem se deu melhor na decisão?
2022ArgentinaFrança5 x 512 x 13Números semelhantes
2018FrançaCroácia4 x 510 x 12Ataque e Defesa
2014AlemanhaArgentina4 x 317 x 8Ataque
2010EspanhaPaíses Baixos2 x 47 x 12Defesa
2006ItáliaFrança1 x 211 x 8Ataque e Defesa
2002BrasilAlemanha4 x 116 x 14Ataque
1998FrançaBrasil2 x 712 x 14Defesa
1994BrasilItália3 x 511 x 8Ataque e Defesa
1990Alemanha OcidentalArgentina4 x 314 x 5Ataque
1986ArgentinaAlemanha Ocidental3 x 411 x 6Ataque e Defesa
1982ItáliaAlemanha Ocidental5 x 79 x 11Defesa
1978ArgentinaPaíses Baixos3 x 712 x 14Defesa
1974Alemanha OcidentalPaíses Baixos3 x 112 x 14Nenhum dos dois
1970BrasilItália6 x 415 x 9Ataque
1966InglaterraAlemanha Ocidental1 x 28 x 13Defesa
1962BrasilTchecoslováquia4 x 411 x 6Ataque e Defesa
1958BrasilSuécia2 x 211 x 10Ataque e Defesa
1954Alemanha OcidentalHungria12 x 722 x 25Nenhum dos dois
1950UruguaiBrasil5 x 615 x 22Defesa
1938ItáliaHungria3 x 17 x 13Nenhum dos dois
1934ItáliaTchecoslováquia2 x 510 x 8Ataque e Defesa
1930UruguaiArgentina1 x 511 x 16Defesa
Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo