‘Muito freestyle’: Por que Tuchel criticou a Inglaterra no penúltimo amistoso antes da Copa
Apesar da vitória por 1 a 0, técnico alemão demonstrou incômodo com a execução do plano de jogo e cobrou mais disciplina tática
A vitória por 1 a 0 sobre a Nova Zelândia não foi suficiente para deixar Thomas Tuchel completamente satisfeito. No penúltimo amistoso da Inglaterra antes da Copa do Mundo 2026, o treinador alemão aprovou alguns aspectos da atuação, mas demonstrou incômodo com o desempenho apresentado no primeiro tempo, que classificou como excessivamente “freestyle”.
O único gol do confronto foi marcado por Harry Kane pouco antes do intervalo, garantindo o triunfo inglês em um jogo de baixo nível técnico e poucas emoções. Apesar da vantagem construída ainda na etapa inicial, Tuchel avaliou que seus comandados tiveram dificuldades para executar aquilo que havia sido trabalhado nos treinamentos, principalmente em relação à organização tática e ao posicionamento em campo.
Ao analisar a atuação, o treinador adotou um tom equilibrado. Ele reconheceu aspectos positivos da equipe, mas admitiu que a performance esteve abaixo do esperado.
— Estou satisfeito. Não estou super feliz. Gostei mais do segundo tempo do que do primeiro. Jogamos mais a partir das nossas posições e, por isso, tivemos mais velocidade e, sem a bola, um pouco mais de agressividade. No primeiro tempo, estávamos fora de posição e foi um jogo um pouco freestyle demais.
🏴 Em amistoso com freio de mão puxado, Tuchel surpreende com testes em vitória da Inglaterra sobre a Nova Zelândiahttps://t.co/ONjZiS3rbw
— Trivela (@trivela) June 6, 2026
O que incomodou Tuchel na seleção inglesa?
A expressão “freestyle”, utilizada pelo técnico, chamou atenção após a partida. No entanto, a crítica não estava relacionada à criatividade dos jogadores, mas sim à falta de disciplina posicional. Segundo Tuchel, a Inglaterra perdeu referências importantes durante a construção das jogadas, o que acabou comprometendo tanto a circulação da bola quanto a capacidade de pressionar o adversário após as perdas de posse.
Na visão do treinador, o excesso de movimentações sem coordenação fez com que a equipe ocupasse mal os espaços e reduzisse a velocidade das ações ofensivas. Com vários atletas deixando suas zonas de atuação para buscar o jogo pelo centro do campo, a seleção perdeu amplitude e facilitou a marcação da Nova Zelândia.
— Isso tornou nosso jogo mais lento e dificultou a pressão pós-perda de bola, porque não estávamos nas posições que queríamos quando começávamos a atacar. Essa é basicamente a história da partida.
Tuchel aprofundou a explicação ao detalhar quais aspectos específicos estavam em desacordo com o plano elaborado pela comissão técnica. Para ele, a equipe abusou de recursos que normalmente não fazem parte da identidade que pretende implementar desde que assumiu o comando da seleção inglesa.
— Estávamos com falta de amplitude, então os jogadores estavam entrando pelo meio, nos fechando no campo, diminuindo o ritmo e mudando de posição por muito tempo. Estávamos cruzando a bola, chutando muito de longa distância, o que normalmente não é nosso estilo de jogo. Jogamos muitas bolas longas, muitos passes longos. Isso não fazia parte do nosso treino nos últimos quatro dias.
A melhora observada no segundo tempo reforçou a avaliação do comandante. Com uma equipe mais organizada e respeitando melhor os espaços definidos, a Inglaterra conseguiu acelerar a circulação da bola e pressionar de maneira mais eficiente quando perdia a posse. Embora o placar não tenha sido ampliado, a atuação da etapa final esteve mais próxima daquilo que Tuchel espera consolidar antes do início do Mundial.
Além das questões táticas, o alemão também lembrou que as condições da partida apresentaram desafios adicionais. A Inglaterra utilizou formações diferentes em cada tempo, o gramado não estava em condições ideais e o forte calor da Flórida tornou o confronto ainda mais desgastante fisicamente.
— Tivemos um treino sob o sol e agora esta partida pareceu muito, muito estranha. Mas é bom estarmos expostos a essas condições, porque é para isso que estamos aqui. Queríamos que fosse assim e precisamos nos acostumar, porque isso vai acontecer em algum momento — concluiu.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F06%2Ftuchel-inglaterra-x-nova-zelandia-scaled.jpg)
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Tiroteio próximo às instalações da seleção inglesa deixa 9 feridos em Kansas City
A reta final de preparação da Inglaterra para a Copa do Mundo também foi marcada por um episódio fora das quatro linhas. Um tiroteio registrado nas proximidades da futura base da seleção inglesa, em Kansas City, deixou nove pessoas feridas e mobilizou as autoridades locais, aumentando a atenção em torno das questões de segurança durante o torneio.
De acordo com informações divulgadas pela polícia da cidade, equipes foram acionadas na madrugada de sábado (6) após relatos de disparos na região da Troost Avenue. Quando os agentes chegaram ao local, encontraram uma grande movimentação de pessoas deixando a área. Os serviços de emergência prestaram atendimento imediato às vítimas e encaminharam algumas delas para hospitais da região.
Inicialmente, três mulheres feridas foram levadas para receber cuidados médicos. Posteriormente, as autoridades confirmaram que nove adultos procuraram atendimento em diferentes unidades de saúde. Nenhum dos ferimentos foi considerado grave ou com risco de morte.
O caso ganhou repercussão por ter ocorrido a cerca de 6,5 quilômetros do centro de treinamentos e do hotel que servirão de base para a Inglaterra durante a fase inicial da Copa do Mundo.
Os Três Leões integram o Grupo L do Mundial, ao lado de Croácia, Gana e Panamá. A estreia da equipe de Tuchel no torneio está marcada para o próximo dia 17 de junho, às 17h (de Brasília), contra os croatas.