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Inalcançável na Concacaf, México vai à Copa esperando se confirmar além em 2018

Desta vez não houve o mínimo risco, como aconteceu às vésperas do último Mundial. A torcida não precisou roer as suas unhas, ansiosa com a disputa da repescagem, vendo seu país ser o último a se confirmar entre os 32 felizardos. O hexagonal final da Concacaf bastou para o México se garantir na Copa do Mundo de 2018, e com três rodadas de antecedência. Em uma edição das Eliminatórias na qual a maioria dos concorrentes patina, especialmente o rival Estados Unidos, El Tri não deu brechas ao azar. O time de Juan Carlos Osório faz uma campanha invicta e dependia apenas de si para festejar na noite desta sexta. Assim, derrotou o Panamá por 1 a 0 no Estádio Azteca e é a quinta nação a carimbar seu passaporte rumo à Rússia. Precisa, agora, se provar além na fase final da competição.

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A força do México na Concacaf é inquestionável. El Tri só não foi a três edições de Copa do Mundo desde 1950 e bate cartão no Mundial ininterruptamente desde 1994 – e isso porque só esteve fora em 1990 por punição. Em Eliminatórias um tanto quanto confortáveis, com quatro vagas disponíveis, é preciso ser muito incompetente para se ausentar da competição – o que quase aconteceu em 2014, todavia, escancarando a bagunça da equipe nacional. Desta vez, a preparação manteve os pés no chão. Com cinco vitórias em sete rodadas no hexagonal, os mexicanos dispararam, perseguidos apenas pela Costa Rica. E por mais que a vitória sobre o Panamá não tenha sido tão simples, serviu para a celebração.

O México poderia ter resolvido o jogo antes. Ofensivo, como manda a cartilha de Juan Carlos Osorio, os anfitriões criaram chances suficientes para matar o confronto, mas perdoaram. O gol da vitória saiu aos oito minutos do segundo tempo, com o bom Hirving Lozano, após bela jogada de Tecatito Corona pela esquerda. Contudo, também sonhando com a Copa do Mundo, o Panamá foi capaz de incomodar. Rondou a meta de Guillermo Ochoa em certos momentos (inclusive pouco antes do contra-ataque que originou o tento tricolor) e desperdiçou algumas oportunidades, a melhor delas já nos instantes finais, quando poderia arrancar o empate. Não é a derrota, de qualquer forma, que atrapalha tanto a situação dos panamenhos na tabela.

lozano

Tarefa cumprida, o México terá calma para realizar a sua preparação. É difícil encontrar na história um elenco tão experimentado quanto o atual de El Tri. Há vários jogadores firmados no futebol europeu, como raras vezes aconteceu. Além disso, a maioria absoluta destes possui vasta experiência em competições internacionais, desde muito jovens. E não dá para menosprezar também aqueles que vêm dos próprios clubes mexicanos, com a liga local em uma crescente ascensão. O nível técnico do torneio é muito alto, e não só pelos estrangeiros que ajudam no intercâmbio. Os talentos nacionais continuam surgindo.

Osorio conta com nomes notáveis em todos os setores. Com jogadores que podem garantir uma equipe equilibrada, embora as estratégias do treinador muitas vezes não proporcionem isso. E, do meio para frente, a qualidade individual sobra, incluindo aqueles que buscam se firmar com a camisa de El Tri. Hirving Lozano, Tecatito Corona e Jürgen Damm vêm em franco crescimento. Complementam um setor recheado, que já contava com destaques do porte de Chicharito Hernández, Carlos Vela, Raúl Jiménez, Andrés Guardado, Giovani dos Santos, Marco Fabián, entre outros. Ainda que nem todos atravessem uma boa fase em seus clubes, o México possui um elenco representativo, que pode fazer bonito.

E aí é que está o entrave principal. Não se concentra apenas no trauma mexicano de travar nas oitavas de final da Copa do Mundo desde 1994, ficando muitas vezes com a sensação que dava para ir além. O time atual não passou confiança nas oportunidades que teve nas grandes competições. Na Copa América Centenário, um vexame nas semifinais contra o Chile, quando de início poderia esperar um jogo parelho, ainda que com leve vantagem à Roja. Apático, El Tri permitiu ser engolido e não esboçou qualquer reação. A dura derrota seria a deixa para a demissão de Osório na maioria das circunstâncias, mas a federação o bancou. A falta de concorrência na Concacaf ajudou. Mas quando veio a Copa das Confederações, o México ainda ficou devendo, com atuações abaixo da crítica e a eliminação sem muita resistência contra a desfalcada Alemanha.

Há um equilíbrio necessário. O ataque precisa ser mais letal do que vem apresentando. Já a defesa se fragiliza quando o nível de exigência é minimamente superior. O principal desafio do México pensando em 2018 será se acertar. Selada a classificação, os mexicanos têm mais três jogos das Eliminatórias para usar como laboratório, em boas oportunidades especialmente pelas difíceis visitas a Costa Rica e Honduras, em partidas que tendem a ser decisivas para ambos em suas pretensões. A superioridade do elenco mexicano na região é praticamente indiscutível. O ponto será superar as desconfianças que persistem a povoar a mente quase todas as vezes. Principalmente quando o país aparece nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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