‘Partida mais importante em 30 anos’: Bolívia vive expectativa por decisão contra o Brasil
Bolivianos recebem a seleção brasileira em El Alto com chances de ficar com a vaga na repescagem e ainda sonham em chegar à Copa pela primeira vez desde 1994
A seleção brasileira se despede das Eliminatórias para a Copa do Mundo no jogo contra a Bolívia na terça-feira (9), no Estádio de El Alto, às 20h30 (de Brasília). Os comandados por Carlo Ancelotti entram em campo já classificados ao Mundial, mas os bolivianos têm missão importante a cumprir.
A partida é decisiva para os mandantes. A Bolívia ocupa a oitava posição na tabela com 17 pontos e ainda sonha com a única vaga disponível para repescagem, que atualmente pertence à sétima colocada Venezuela (18 pontos).
Bolívia se apega a retrospecto e mantém esperança contra o Brasil
La Verde enfrentou sério risco de se juntar a Peru e Chile como as seleções sul-americanas que não têm mais chances de classificação à Copa. Bastava um empate ou vitória da Venezuela contra a Argentina na quinta-feira (4) que a Bolívia estaria eliminada.
A seleção vinotinto, porém, perdeu por 3 a 0 para a Albiceleste e manteve viva as esperanças bolivianas, ao mesmo tempo em que se complicou.
O grupo treinado por Óscar Villegas tinha a chance de conquistar classificação direta, mas também perdeu o compromisso anterior, que ficou em 3 a 0 para a Colômbia.
Agora, além de necessitar da vitória sobre o Brasil na rodada derradeira, a equipe deve torcer por tropeço ou derrota da Venezuela diante dos colombianos para alcançar a repescagem.
Caso vença a Seleção, a Bolívia chega aos 20 pontos. Os venezuelanos, se empatarem, somam 19, de modo que La Verde os ultrapassaria na tabela.
— É a partida mais importante dos últimos 30 anos da seleção boliviana — afirma à Trivela Jasmani Villegas, diretor do programa Éxito Sports da “Radio Éxito”, da Bolívia.
— A esperança está viva porque, nas vezes em que vencemos o Brasil, fomos à Copa do Mundo. Além disso, a Bolívia se tornou mais forte jogando em casa, já que agora atua em um estádio onde a torcida fica mais próxima do campo — destaca.
A expectativa por triunfo sobre o Brasil toma conta da Bolívia nos últimos dias, destaca Ronald Tapia, jornalista esportivo da “Rádio Urbana” e da “TCN Sport”. “Os ingressos se esgotaram há um mês e meio. Os jogadores estão cientes de que é a última oportunidade de se classificar para a repescagem”, diz ele à Trivela. “A principal esperança de La Verde é conquistar uma vitória — seja por 1 a 0 ou meio a zero, mas que seja uma vitória”, enfatiza.
Pedro Fernando Rivero de Ugarte, do “Grupo Multimedia El Deber”, opina que os bolivianos apostam todas as fichas no duelo, e jogadores e torcedores estão otimistas.
A estratégia, segundo o jornalista, é recorrer a uma tática que tem dado certo para La Verde.
— ‘Asfixiar’ o adversário nos primeiros minutos e conseguir abrir o placar rapidamente. Isso obriga o oponente a sair para o jogo e deixar espaços atrás — algo que a Bolívia sempre soube aproveitar — enfatiza Ugarte à Trivela.
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La Verde rechaça ‘terra arrasada’ em caso de resultado adverso

Além do apoio mais caloroso da torcida e do estilo de jogo pautado na pressão, os mandantes devem recorrer a jovens jogadores. O meia Robson Matheus, 23 anos, é um dos destaques da seleção e do Bolívar. Miguelito, meia-atacante de 21 anos do América-MG, é o artilheiro boliviano no torneio com seis gols e, “se estiver inspirado, pode ser decisivo”, segundo Ugarte.
A escolha por um plantel mais jovem faz parte de um processo de reestruturação da seleção.
— Desde que a comissão de Óscar Villegas assumiu, eles adotaram o discurso de que as Eliminatórias fazem parte de um processo. Por isso, a média de idade da seleção foi reduzida e há muitos jovens. Nunca se falou em chegar à Copa do Mundo, mas agora que há chance até a última rodada, isso já é algo valorizado — analisa Jasmani Villegas.
Essa é uma das razões para o jornalista acreditar que não haverá nenhum impacto negativo se La Verde não conseguir ir ao Mundial. A Bolívia começou a jornada rumo à Copa com Gustavo Costas no comando técnico e ainda teve o brasileiro Antônio Carlos Zago antes de acertar com Óscar Villegas em julho de 2024.
— Villegas assumiu, convocou jogadores jovens e teve resultados, conquistando três vitórias consecutivas: duas em casa e uma fora, contra o Chile, depois de 30 anos. A partir daí, a trajetória mudou. Não se fala mais apenas em participar, mas em competir, e é isso que tentam fazer até agora — ressalta Villegas.
A opinião de Ugarte é similar, embora ele reconheça que haverá certa frustração se a vaga não ficar com a Bolívia. “No entanto, também ficaria um certo sentimento de tranquilidade, já que se trata de uma seleção jovem, em crescimento, e que está de olho nas próximas classificatórias”, afirma.
Ronald Tapia concorda e reforça que o objetivo é, sim, chegar à Copa, mas no longo prazo. Além disso, destaca quão importante são as Eliminatórias para essas promessas conquistarem mais projeção na carreira.
— Essa nova geração de jogadores em que Óscar Villegas apostou é um grupo que quer desenvolver um projeto, mais do que tudo, um processo. Um processo para chegar à Copa do Mundo de 2030 — diz.
A Bolívia não disputa uma Copa do Mundo desde a edição de 1994, nos Estados Unidos. Na ocasião, parou na fase de grupos com apenas um ponto conquistado. A edição de 2026 será no Canadá, no México e nos Estados Unidos.



