Copa do Mundo

Ederson reclamou do preço absurdo do ingresso para a Seleção em um necessário grito vindo de jogadores

Em sua fala, Ederson criticou preços absurdos praticados e deu à CBF o caminho para trazer de volta a Seleção ao povo

A CBF se orgulha de espalhar os jogos da Seleção por todo o país para que torcedores de todas as regiões possam ter a chance de ver Neymar e companhia de perto. Nas palavras do presidente Ednaldo Rodrigues, aproximar o povo de sua seleção é uma “premissa” de sua gestão na entidade. Mas esta política esbarra nos preços de ingresso praticados nas partidas do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

E coube ao goleiro Ederson trazer à tona uma dura realidade: a Seleção é acessível apenas para alguns torcedores. Para aqueles que conseguem pagar ao menos R$ 200 por uma entrada. Na verdade, esse era o valor da meia-entrada, o ingresso mais barato possível para o jogo contra a Venezuela, nesta quinta-feira (12), na Arena Pantanal.

As duas equipes empataram em 1 a 1 em um estádio que não estava nem perto de atingir a sua lotação máxima. Era possível ver clarões nas arquibancadas em praticamente todos os setores. E Ederson, em vez de lamentar, deu razão ao torcedor.

Em sua entrevista após a partida, ele disse que o preço do ingresso é “absurdo” e pediu que a entidade repensasse os valores para os próximos jogos. Em seu discurso sempre sincero, o goleiro titular apresentou uma solução simples para a CBF democratizar, de fato, a seleção brasileira – como a entidade tanto pretende.

– O estádio não estava completamente lotado, e é muito compreensível pelo valor do ingresso. No meu ponto de vista é um absurdo, metade do ingresso 300 reais (na verdade, o valor mínimo era R$ 200). Eu acho que isso tem que ser mudado. Sabemos todos da condição do povo brasileiro. É quase um salário mínimo uma entrada inteira. É uma coisa a ser pensada por parte da CBF – disse Ederson, em entrevista após a partida, na zona mista da Arena Pantanal.

Torcida vaia renda de R$ 12 milhões

O discurso de Ederson foi amplificado por mais de 40 mil vozes nas arquibancadas da Arena Pantanal ainda durante a partida. Assim que a renda de R$ 12.746.150 foi anunciada no sistema de som, uma sonora vaia ecoou no estádio. Ao todo, 40.020 pessoas marcaram presença para acompanhar o empate frustrante da Seleção com a Venezuela.

O tíquete médio em Cuiabá foi mais do que R$ 60 mais caro do que os valores praticados em Belém na vitória por 5 a 1 do Brasil sobre a Bolívia, na última Data Fifa. Na Arena Pantanal, o preço médio foi de R$ 318,50. No Mangueirão, foram 43.188 torcedores, que pagaram, em média R$ 252,10 por entrada. A renda total da partida no Pará foi de R$ 10.887.550.

Público e renda de Brasil 1 x 1 Venezuela

  • Público: 40.020
  • Renda: R$ 12.746.150
  • Tíquete médio: R$ 318,50

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Gramado também é motivo de reclamação

Ao longo da semana, Ederson e Casemiro também falaram sobre as condições do gramado da Arena Pantanal. Os jogadores valorizaram o fato de a Seleção jogar em praças que não costumam receber jogos grandes. Mas eles clamaram por campos em melhor estado para facilitar o desempenho da Seleção. Após o empate, Fernando Diniz disse que a grama dificultou o jogo do Brasil contra a Venezuela.

– Faz parte do contexto. Não posso desviar do campo. O campo, com eles mais acostumados, é diferente do campo que a gente teve hoje. São duas dificuldades que não ajudam jogadores que vieram da Europa. São dois fatores que contribuíram com o adversário que quer marcar. Mas não dá para colocar a culpa do empate. A gente teve inúmeras chances para fazer gol e não fizemos – ressaltou.

Seleção é vice-líder e se prepara para clássico

A Seleção perde a liderança das Eliminatórias para a Argentina, única equipe com 100% de aproveitamento até agora. O Brasil agora é vice-líder, com sete pontos. A equipe agora tem pela frente um clássico do continente. Será contra o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu, na próxima terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), pela quarta rodada.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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