‘Há momentos que poderiam ter sido diferentes’: Deschamps desabafa sobre derrotas com a França
Deschamps abriu o jogo sobre revés na Eurocopa e na Copa do Mundo de 2022
Poucos personagens da história do futebol acumularam tantos momentos de sucesso quanto Didier Deschamps. Campeão do mundo como jogador em 1998 e como técnico em 2018, o comandante da França construiu uma trajetória marcada por conquistas e regularidade em alto nível. Ainda assim, algumas derrotas seguem presentes em sua memória.
Antes de disputar seu último Mundial como comandante da França, Deschamps afirmou que não se arrepende de decisões tomadas ao longo da carreira, mas admitiu que duas partidas permanecem especialmente dolorosas: a final da Eurocopa de 2016 e a decisão da Copa do Mundo de 2022.
— Não me arrependo de nada. Mas há dois momentos que poderiam ter sido muito diferentes e que nos teriam permitido ganhar dois títulos. São a final do Euro 2016 e esta final no Qatar. São momentos difíceis e dolorosos. Houve momentos mais felizes, mas estes são os mais intensos. Não se trata de me questionar, mas sim de pensar se teria feito isto ou aquilo… porque não tenho as respostas — afirmou o treinador em entrevista ao “Marca”, da Espanha.
A primeira delas aconteceu em em plena capital francesa. Jogando em casa e impulsionada pelo apoio da torcida, a França entrou em campo como favorita diante de Portugal, que ainda perdeu Cristiano Ronaldo lesionado no primeiro tempo da partida.
Apesar das altas expectativas, a equipe acabou derrotada por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Éder. O resultado impediu os franceses de conquistarem seu terceiro título europeu e deixou uma marca profunda em toda uma geração.
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Final da Copa do Mundo de 2022 também deixou marcas em Deschamps
Seis anos depois, Deschamps voltou a viver uma decisão dramática. No Catar, a França esteve perto de defender o título mundial conquistado em 2018. Após sair perdendo por 2 a 0 para a Argentina, a equipe reagiu, buscou o empate com uma atuação histórica de Kylian Mbappé e levou a final para os pênaltis. No entanto, os argentinos, comandados por Lionel Messi, acabaram levando a melhor e ficaram com a taça.
Para o treinador, o sentimento não está relacionado a um tipo de arrependimento, mas sim à consciência de que pequenos detalhes poderiam ter mudado o rumo da história.
— Não me pergunto se poderia ter feito melhor porque não há respostas; Sempre tentei dar o meu melhor com os jogadores que tinha — ponderou o francês, que faz parte de um grupo seleto no futebol: é um dos únicos três na história a vencerem uma Copa do Mundo como treinador e jogador, juntamente com Franz Beckenbauer (Alemanha) e a lenda do futebol brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo.
A declaração também ajuda a explicar a longevidade de Deschamps no comando da seleção francesa. Desde que assumiu o cargo em 2012, ele transformou os Bleus em presença constante nas fases decisivas das principais competições internacionais.
Agora, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, o técnico tenta conduzir uma nova geração ao topo do futebol mundial. E, embora carregue lembranças amargas de finais perdidas, sua trajetória mostra que poucos treinadores conseguiram manter um nível tão alto de competitividade por tanto tempo quanto ele.