Copa do Mundo

Danilo: ‘Tínhamos certeza absoluta de que a Seleção venceria aquela Copa do Mundo’

Lateral disputará terceiro Mundial da carreira em 2026 como figura de liderança no grupo de Ancelotti

O lateral-direito Danilo vai para a sua terceira Copa do Mundo com a seleção brasileira. O jogador de 34 anos, mesmo que não seja titular do Flamengo, tem prestígio com o técnico Carlo Ancelotti e será uma das lideranças do elenco convocado para o Mundial disputado no próximo mês nos Estados Unidos, Canadá e México.

O defensor, presente nas edições de 2018 e 2022, detalhou à “ESPN” como a última edição, na qual foi titular na lateral esquerda, doeu mais porque via o Brasil preparado para conquistar o título sob o comando de Tite.

A Seleção caiu nas quartas de final para a Croácia, 4 a 2 nos pênaltis após 1 a 1 em 120 minutos. A Seleção abriu o placar na prorrogação, em jogadaça de Neymar, mas sofreu o empate de forma muito exposta a cerca de três minutos do fim da partida, algo inexplicável até hoje.

— A frustração foi maior em 2022. Havia tanta confiança de que venceríamos aquela Copa do Mundo, ainda mais do que em 2018. Não existia soberba, nada desse tipo. O trabalho e a preparação, dentro e fora de campo, tinham sido tão bem feitos. Tínhamos certeza absoluta de que venceríamos aquela Copa do Mundo.

— Tínhamos tanta certeza da nossa qualidade, da nossa vontade de jogar e de ter a bola no pé, que talvez isso tenha nos prejudicado. No momento do gol, faltou senso de urgência para todos nós. Isso não significa falta de responsabilidade ou comprometimento, mas faltou senso de urgência, justamente por um excesso de confiança no que havia sido feito e construído. O futebol pune.

Danilo em Brasil x Croácia na Copa do Mundo de 2022
Danilo em Brasil x Croácia na Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / Agencia-MexSport)

Danilo atuou em toda a eliminação e sentiu demais o golpe da queda, virando um trauma para sua carreira. Após a partida, o jogador foi consolado pelo filho e não conseguiu segurar as lágrimas.

— Minha principal lembrança desse dia é o momento em que chego ao quarto do hotel com a minha família, e meu filho mais velho, Miguel, me abraça e diz: ‘Papai, sei que você fez o seu melhor’. Aí eu desabo em lágrimas, abraçado a uma criança de sete anos.

— É um jogo difícil, doloroso de revisitar emocionalmente, mas não me assusta. Faz parte do futebol. Claro que é um trauma para a vida, mas também é um grande aprendizado. Nós não tínhamos medo de perder. E penso que, hoje, se eu tiver a oportunidade de disputar uma Copa novamente, terei medo de perder.

Danilo não conseguiu estar à disposição na Copa do Mundo de 2018

Sem Daniel Alves, lesionado, Danilo foi titular na estreia da Copa do Mundo de 2018, mas também sofreu um problema físico e ficou de fora do restante da competição, lacuna preenchida por Fagner.

Aquele time, mesmo só tendo dois anos com Tite no cargo de treinador, empolgava e era colocado como um dos favoritos à época. “A Seleção de 2018 era um grupo cascudo, cheio de jogadores experientes, de qualidade incrível e com uma maturidade técnica, tática e mental muito importante”, elogiou Danilo.

O Brasil, porém, parou de novo nas quartas de final. A Bélgica eliminou a pentacampeã com uma vitória por 2 a 1, com polêmica de arbitragem contra o lado brasileiro.

— Para mim, foi muito difícil ficar de fora. Procurei me manter lúcido para tentar ser um ponto de apoio à equipe, que fez o máximo possível e merecia vencer ou levar a partida para a prorrogação. Criamos chances para isso. Houve um pênalti no Gabriel Jesus que é muito pouco falado. Foi difícil, porque era uma seleção muito madura, que certamente merecia um resultado final melhor.

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Lateral compara Ancelotti e Tite na seleção brasileira

Tite e Danilo em entrevista coletiva durante a Copa do Mundo de 2022
Tite e Danilo em entrevista coletiva durante a Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / Action Plus)

Danilo exaltou o legado de Tite, por oito anos no comando da Seleção, reorganizando a CBF em “nível tático, no comprometimento, na organização de todas as estruturas e no profissionalismo”. O defensor comparou como o ex-técnico e Ancelotti gostam de nutrir boas relações com os jogadores.

— Tanto o Tite quanto o Ancelotti compartilham de uma energia ‘materna’, digamos assim, com os atletas. São figuras que, dentro de um ambiente como o da seleção brasileira, são sempre muito respeitadas. Eles têm voz de comando. Basta estar presente para perceber que há comando, organização, cumprimento de horários e definição de funções.

Ele elogiou o esforço do italiano de manter o clima leve e de “resenha”, além de respeitar a cultura brasileira pelo aprendizado do idioma. “Sempre fomos um grupo internamente descontraído, brincalhão, e ele entrou nessa brincadeira”, contou.

— Temos o trote na Seleção, e ele se mostrou disponível: cantou, falou. É um privilégio poder compartilhar essa aventura da passagem do Mister pela Seleção Brasileira. É um jovem senhor que gosta de descontração, adora o ambiente, as brincadeiras e o sorriso constante dos jogadores e da equipe de apoio.

— Também é muito importante ressaltar o esforço e a dedicação para falar o máximo de português o tempo todo. É muito legal ver que ele tenta falar e usar expressões em português a todo momento, para se fazer entender. Isso demonstra o quanto ele está motivado para o desafio da Copa. É disso que precisávamos neste momento.

Os convocados se apresentam nesta quarta-feira (27) para a preparação à Copa do Mundo de 2026. Após os amistosos contra Panamá e Egito, o selecionado inicia sua trajetória em busca do hexa na competição em 13 de junho, contra Marrocos, depois enfrentando Haiti e Escócia.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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