Copa do Mundo 2030: Como crise aumenta pressão sobre candidatura conjunta
Críticas à parceria com o Marrocos aumentam na Espanha e em Portugal em meio à crise migratória
A crise migratória em Ceuta reacendeu o debate sobre a candidatura conjunta da Copa do Mundo de 2030 entre Espanha, Portugal e Marrocos. Segundo o jornal espanhol “El Confidencial”, partidos políticos dos dois países europeus passaram a defender uma reavaliação da parceria com o governo marroquino após os recentes acontecimentos na fronteira.
A pressão ganhou força depois da entrada de milhares de migrantes em território espanhol por meio da cidade autônoma de Ceuta. De acordo com o veículo, a tragédia deixou quase 200 mortos entre pessoas que tentavam atravessar o mar até a Espanha.
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Em Portugal, o partido de esquerda LIVRE afirmou que o país deveria abandonar a organização conjunta do Mundial ao lado do Marrocos. Para o porta-voz da legenda, Jorge Pinto, os acontecimentos recentes demonstram que Portugal não deveria estar associado à realização do torneio com o país africano.
— O LIVRE fará tudo o que for possível para evitar que estejamos associados à organização do evento com um país que não demonstrou capacidade nem confiança — escreveu Pinto em uma publicação nas redes sociais.
Na Espanha, o partido Sumar também passou a questionar a parceria. O deputado Nahuel González classificou o Marrocos como um país que utiliza pessoas em situação de vulnerabilidade para atingir objetivos geopolíticos e defendeu que o Congresso solicite à Fifa, à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e ao governo português uma revisão do atual modelo de organização da Copa do Mundo de 2030.
Disputa pela final da Copa do Mundo segue em aberto
Além das críticas à candidatura conjunta, o “El Confidencial” destaca que continua indefinido o local da final do Mundial. Embora a decisão caiba exclusivamente à Fifa, cresce a disputa entre Espanha e Marrocos para receber a principal partida do torneio.
O presidente da RFEF, Rafael Louzán, reconheceu recentemente que o Marrocos deseja sediar a decisão, mas afirmou que isso não significa que a entidade atenderá ao pedido.
Enquanto isso, em Madri, prefeitura, governo regional e Real Madrid defendem que a final seja realizada no modernizado Santiago Bernabéu. Segundo o jornal, o presidente do clube, Florentino Pérez, o prefeito José Luis Martínez-Almeida e a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, estão alinhados na estratégia para levar a partida à capital espanhola.
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Fifa nega acordo com Marrocos
Nos últimos meses, rumores indicaram que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria prometido ao Marrocos o direito de sediar a final da Copa do Mundo 2030 em troca de apoio político. A informação, publicada pelo jornal britânico “The Times”, foi negada pela entidade máxima do futebol.
Em comunicado, a Fifa afirmou que “é falso e enganoso” dizer que qualquer promessa tenha sido feita e reiterou que a escolha da sede da decisão será anunciada apenas no momento oportuno.
Segundo o “El Confidencial”, diante do fortalecimento da candidatura marroquina para receber a final e das incertezas sobre a posição do governo espanhol, dirigentes políticos de Madri e Florentino Pérez já discutem até mesmo a possibilidade de retirar a candidatura da capital espanhola como cidade-sede caso o Santiago Bernabéu não seja escolhido para receber a decisão do Mundial.
A publicação afirma que, para esse grupo, não faria sentido a Espanha receber uma Copa do Mundo sem que a principal partida fosse disputada em Madri, especialmente por se tratar do país do atual campeão mundial.