Copa do MundoInglaterra

Claro que Klopp é contra Copa do Mundo a cada dois anos: “É tudo sobre dinheiro”.

O treinador do Liverpool também deu a versão do clube sobre a não liberação dos jogadores brasileiros - e não sabe se poderá contar com eles para o fim de semana

Poucas coisas são mais previsíveis do que a oposição de Jürgen Klopp ao plano da Fifa de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos. O técnico do Liverpool é um crítico implacável do calendário do futebol europeu que, na sua visão, não leva em consideração a saúde física dos jogadores e não compreende que, sem os atletas, não há futebol. E naturalmente, isso se aplica ao projeto que tem Arsène Wenger como seu garoto-propaganda e que começou a ser discutido mais a sério esta semana.

Klopp faz a conta que todos fazem: com Copa do Mundo a cada dois anos, “pode ter certeza que haverá uma Eurocopa a cada dois anos” e, portanto, os principais jogadores terão um grande torneio todos os anos e apenas “três semanas de férias”, na avaliação do treinador – talvez rolasse um pouco mais porque o novo modelo de Copa reduziria a quantidade de Datas Fifa para apenas duas por temporada.

“As pessoas falam que é sobre dar oportunidades a diferentes países. É por isso que há mais times agora na Copa do Mundo, para que países de todos os lugares possam jogar a Copa do Mundo, mas, no fim, é tudo sobre dinheiro”, afirmou, em entrevista coletiva nesta sexta-feira antes de enfrentar o Leeds no próximo domingo pela Premier League.

“E tudo bem. Nós fazemos isto porque amamos, mas claro que recebemos muito dinheiro também. Em algum momento, alguém precisa começar a entender que, sem os jogadores, os ingredientes mais importantes deste jogo maravilhoso, não podemos jogar”.

“Não há outro esporte no mundo com um calendário tão implacável. Há esportes mais exigentes, mas eles não são disputados o ano inteiro. Sabemos por que isso está acontecendo. Tudo que saiu dessa reforma é sobre mais jogos. Nunca conseguimos nos preparar para uma temporada com nossos principais jogadores. Em longo prazo, isso não está certo”, completou.

Klopp também deu a versão do Liverpool sobre a não liberação de Roberto Firmino, Alisson e Fabinho à seleção brasileira, e ainda não sabe se poderá contar com eles para o fim de semana. Firmino está fora por lesão, mas Alisson e Fabinho estariam suspensos por cinco dias por não terem participado dos compromissos da janela internacional. Pep Guardiola também afirmou que a situação de Ederson e Gabriel Jesus é incerta no momento, mas que acredita que ambos poderão enfrentar o Leicester neste sábado.

“O que eu quero dizer sobre isso é: vamos olhar para o caso inteiro. Todos nós sabemos que estamos no meio da pandemia, o que é difícil para todas as partes da vida e para o futebol também. Temos mais alguns jogos para jogar do que geralmente no cenário internacional. Houve férias de verão (no hemisfério norte) nas quais de repente alguém organizou a Copa América. Poderiam ter jogado esses jogos, por exemplo, sem jogar a Copa América, o que eles já haviam feito um ano antes”, começou.

“Mas as pessoas decidem essas coisas sem a nossa participação. Ok, ninguém se importa, é como é. Eles jogam a Copa América e agora ainda têm mais partidas a fazer. E aí, uma semana ou dez dias antes da janela internacional, nos dizem: ‘Ok, agora faremos três jogos e o último jogo é na noite de quinta-feira’. Manhã de sexta-feira, na verdade. Manhã de sexta-feira, 1h30 (horário do Reino Unido) seria Brasil x Peru. Não temos nada a ver com isso, não decidimos nada sobre isso, apenas lemos sobre essas coisas”.

“E aí, temos que pensar. ‘Ok, eles foram convocados’. Mas quando voltarem, terão que fazer quarentena por 10 dias. De novo, não é nossa decisão, não dissemos que eles precisam fazer quarentena por 10 dias, não dissemos que eles têm que ir para a seleção, não podemos dizer nada, apenas ficamos no meio e pensamos ‘Ok, o que está acontecendo?’.”

“Nossos jogadores, quando voltarem, precisamos fazer quarentena por 10 dias em um hotel aleatório, perto do aeroporto, provavelmente, o que não é bom para ninguém que tem que fazer isso, mas, para um jogador profissional, ficar 10 dias em um hotel – com a comida que dão lá -, ele perde tudo. Ele perde músculos, ele perde tudo. Significa 10 dias em um hotel e, ao voltar, precisaria basicamente de 10 dias para voltar à forma novamente”.

“Então uma decisão foi tomada. Não por nós: se for dessa maneira, eles não podem ir. Ok, outros jogadores foram, alguns clubes liberaram os jogadores argentinos. Há um jogo entre Brasil e Argentina, as autoridades entram em campo, ninguém quer ver situações assim. O jogo é cancelado. Agora, a próxima coisa. Temos um jogo de futebol para disputar novamente e eles nos dizem que não podemos usar nossos jogadores brasileiros. E é tipo ‘Huh?’. Nós não fizemos nada. Nós não organizamos a Copa América, não somos responsáveis pelos jogos que não puderam ser disputados. Nós não convocamos os jogadores, nós não dissemos que não haveria exceção quando eles retornassem. Não fizemos nada disso”.

“Mas, no fim, os únicos que são punidos são os jogadores e os clubes – e não temos nada a ver com toda a organização. Então não sei o que vai acontecer no fim de semana, para ser honesto. Neste momento, temos que ver o que outras pessoas decidem e então provavelmente vamos aceitar novamente, fazer o que as pessoas nos dizem para fazer e tentar ganhar um jogo de futebol. Mas a situação inteiramente realmente é um resumo do mundo inteiro neste momento”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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