Copa do Mundo

‘O Real Madrid dele jogou assim’: Bruno Guimarães defende pragmatismo de Ancelotti na Seleção

Fala do volante sugere caminhos para uma equipe ainda em construção após ciclo marcado por mudanças e turbulências

A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo, uma resposta de Bruno Guimarães durante a entrevista coletiva desta segunda-feira (8) abriu espaço para um debate que acompanha a Seleção há décadas: até onde o torcedor brasileiro está disposto a aceitar um futebol mais pragmático em troca de resultados?

Questionado sobre a possibilidade de a equipe de Carlo Ancelotti atuar em determinados jogos com linhas mais baixas, esperando o adversário para contra-atacar, o volante não apenas considerou o cenário viável como deu um exemplo concreto do trabalho do treinador italiano — e deixou claro que vê a estratégia com bons olhos.

— Acho que aquela Champions, principalmente a segunda que ganhou com o Real Madrid [na temporada 2021-22], eles jogaram com linha baixa em contra-ataque muitas vezes. Sabemos que temos jogadores muito rápidos na frente. É algo que a gente já vem trabalhando, vem pensando também.

— Fica a questão do mister decidir como a gente vai jogar, mas vejo isso com muito bons olhos, é muito interessante ter esse jeito de jogar e essa variação de às vezes esperar um pouco mais e sair no contra-ataque.

A declaração chama atenção porque toca justamente em um dos principais dilemas da Seleção às vésperas do Mundial. Depois de um ciclo marcado por mudanças constantes de comando, ideias interrompidas e pouco tempo para consolidar um modelo de jogo, talvez a busca por uma equipe mais pragmática e objetiva seja um caminho natural.

O Brasil chega à Copa sem a estabilidade que normalmente caracteriza as grandes favoritas. Entre a saída de Tite e a chegada de Ancelotti, a equipe passou por diferentes treinadores, conceitos e experiências. O italiano teve pouco mais de um ano para organizar uma seleção que precisou ser reconstruída em meio à pressão por resultados. Nesse contexto, não seria surpreendente ver uma equipe mais preocupada em ser competitiva do que necessariamente dominante.

Bruno Guimarães e Ancelotti durante treino da Seleção
Bruno Guimarães e Ancelotti durante treino da Seleção (Foto: Riquelve Nata / Sports Press Photo / Imago)

Apostar em linhas baixas e contra-ataques pode dar certo para Seleção?

A ideia defendida por Bruno também conversa diretamente com um problema que perseguiu a Seleção ao longo do ciclo: a dificuldade para controlar transições defensivas.

Em jogos recentes, o Brasil apresentou dificuldades para reagir após perder a posse de bola. Quando ocupava muitos jogadores no campo ofensivo e adiantava suas linhas, acabava oferecendo espaços perigosos para os adversários atacarem.

Por isso, atuar em determinados momentos com bloco médio ou mais baixo não significa necessariamente abrir mão de atacar. Em muitos casos, pode representar apenas uma forma de diminuir riscos e potencializar características do elenco.

A lógica faz sentido quando se observa os jogadores disponíveis para Ancelotti. O Brasil conta com atacantes rápidos, fortes fisicamente e capazes de transformar recuperações de bola em oportunidades de gol em poucos segundos. Em uma competição curta como a Copa do Mundo, explorar essas virtudes pode ser mais importante do que monopolizar a posse.

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Formação da Seleção para estreia da Copa do Mundo

Seleção brasileira perfilada antes de jogo contra o Egito
Seleção brasileira perfilada antes de jogo contra o Egito (Foto: Rebekah Wynkoop / Sports Press Photo / Imago)

Não por acaso, o debate sobre o modelo de jogo também apareceu quando Bruno Guimarães foi questionado sobre a formação que Ancelotti poderá utilizar na estreia contra Marrocos. O volante revelou que os jogadores ainda não receberam informações sobre a escalação.

Apesar disso, comentou as diferenças que percebe entre um sistema com três jogadores no meio-campo e outro mais agressivo ofensivamente.

— A nossa dinâmica, ter um jogador a mais no meio, principalmente nesse último jogo, foi muito interessante para as dinâmicas de um-dois, tabela, e tivemos muitas chances de marcar, mas pecamos nas finalizações. Tenho entrosamento com o Paquetá desde o Lyon e ficou mais fácil para jogar. Mas isso cabe ao mister, se será o 4-4-2 ou o 4-3-3.

A fala ajuda a entender o que Ancelotti parece procurar. Mais do que definir um esquema fixo, o treinador busca encontrar equilíbrio. Um meio-campo mais povoado tende a oferecer maior controle da partida e mais proteção sem a bola, algo que o Brasil nem sempre conseguiu apresentar ao longo do ciclo. Ao mesmo tempo, Bruno reconheceu que há vantagens em uma formação mais ofensiva.

— Para atacar, o 4-2-4 te dá mais opções, mas ao mesmo tempo você fica com um time mais direto, sem um meia. Depende muito das características.

O volante ainda usou o último amistoso — diante do Egito — como exemplo para destacar a evolução defensiva da equipe: “Comparando ao contra o Panamá, a gente defendeu melhor também. Acho que o gol foi uma infelicidade nossa, eles não criaram para fazer gol na gente”.

Calendário do Brasil na Copa do Mundo 2026

  • Brasil x Marrocos — 1ª rodada do Grupo C — 13/6
  • Brasil x Haiti — 2ª rodada do Grupo C — 19/6
  • Escócia x Brasil — 3ª rodada do Grupo C — 24/6

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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