Copa do Mundo

Prodígio no golfe, joia da Nova Zelândia apostou no futebol e chega à Copa do Mundo como pilar

Ben Old era realmente talentoso com o taco na mão e tinha tudo para optar por outra carreira em vez da bola no pé

Você provavelmente já leu histórias de jogadores de futebol que tentaram carreira em outros esportes antes, como tênis ou atletismo. Para alguém nascido na Nova Zelândia, até o rúgbi seria uma opção considerada natural. Mas o lateral-esquerdo Ben Old tem uma trajetória improvável. Ele era um prodígio no golfe, mas optou por outro caminho e estará na Copa do Mundo de 2026 com os All Whites.

No Saint-Étienne, segundo maior campeão da França, desde 2024, o jovem, a caminho de seu primeiro mundial — apenas o terceiro na história da seleção neozelandesa –, teve como primeiro presente relacionado ao esporte um taco de golfe, não uma bola de futebol, com apenas dois anos de idade.

A família sempre amou o esporte, considerado limitado a apenas pessoas com alto poder aquisitivo. Os pais não deixavam o futuro jogador de futebol praticar o rúgbi, esporte mais famoso da Nova Zelândia. A seleção local, chamada de All Blacks e conhecida pelo ritual haka antes das partidas, venceu três mundiais só no masculino. Ele só brincou em uma vertente da modalidade sem contato físico — o que na época o irritava.

Uma casa de praia da família ao lado de um clube de golfe pesou para que ele seguisse esse caminho inicialmente. E Old realmente era talentoso.

— Eu praticamente nasci com o golfe. Comecei quando era muito novo e basicamente joguei a minha vida inteira — disse ao site neozelandês “Stuff” em janeiro de 2021.

Ben Old era prodígio mirim no golfe

Aos sete anos, o pequeno Benjamin viajou aos Estados Unidos e disputou torneios de golfe nas cidades de Las Vegas, Pinehurst e San Diego contra outros talentos mirins do esporte.

Provavelmente foi o auge da minha carreira no golfe“, brincou, em entrevista ao site oficial da Ligue 1, no ano passado. Inclusive, Old trata essa experiência precoce como algo que o preparou para lidar com a pressão que o futebol lhe traria no futuro.

— Quando eu estava nos Estados Unidos, foi definitivamente um momento em que pensei que poderia realmente fazer algo com o golfe — detalhou ao “Stuff”.

Por muito tempo, ele se dividiu entre bater na bola com os tacos ou com o pé. O jogador realmente hesitou em qual carreira escolher, mas o futebol sempre foi seu maior amor, o que facilitou uma escolha da qual não se arrepende.

— Venho de uma família em que o golfe é muito importante. Todo mundo joga. Eu gostava muito de praticar também. […] Mas, durante muito tempo, pratiquei os dois esportes: era golfe no verão e futebol no inverno — contou.

— Foi por volta dos 16 anos, quando entrei no centro de formação do Wellington Phoenix, que tive que fazer uma escolha. O futebol era minha paixão número um e, embora às vezes eu tenha me perguntado se poderia ter seguido carreira no golfe, não tenho nenhum arrependimento.

Após subir de degrau em degrau nas categorias do Phoenix e se destacar, Old chegou ao time principal e disputou quatro edições da A-League, o campeonato australiano que conta com dois times da Nova Zelândia — a competição neozelandesa local ainda é considerada amadora.

Como um lateral ou meia avançado, participou de nove gols no seu último ano antes de fechar com o Saint-Étienne. Na França há quase dois anos, ele não abandonou a prática do golfe e ainda brinca nas horas vagas.

Ben Old em ação pelo Saint-Etienne
Ben Old em ação pelo Saint-Étienne (Foto: Fred Lancelot/FEP/Icon Sport)

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Lateral cresceu na seleção neozelandesa e será titular na Copa do Mundo

A ascensão de Ben Old no Wellington Phoenix acompanhou sua trajetória na seleção neozelandesa. Ele esteve no elenco que venceu o Campeonato Sub-16 da Confederação de Futebol da Oceania e participou de dois jogos no Mundial sub-17 de 2019, no Brasil.

Atuou também no selecionado sub-23 que se preparava para os Jogos Olímpicos de Paris em 2024, mas uma lesão o tirou da disputa, que terminou na fase de grupos para os All Whites.

A presença no time principal da Nova Zelândia ocorre desde 2022, só que a consolidação definitiva vem com a titularidade no título da Copa das Nações da OFC, como ponta pela esquerda, e, desde então, não saiu mais do time.

Um problema no joelho o impediu de estar nos jogos finais das Eliminatórias para a Copa, mas ele retornou à equipe treinada por Darren Bazeley após a recuperação.

Nova Zelândia na história das Copas e o que esperar em 2026

Ben Old em jogo da seleção da Nova Zelândia
Ben Old em jogo da seleção da Nova Zelândia (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Após caírem na fase de grupos das duas Copas anteriores (três derrotas em 1982 e três empates em 2010), os neozelandeses sabem que, novamente, são as zebras de sua chave. Eles dividem o grupo G com Bélgica, Irã e Egito. O sonho é de, pelo menos, garantir a primeira vitória de sua história em Mundiais.

Ben Old espera repetir a campanha da vizinha Austrália em 2022, quando chegou às oitavas de final. “Cabe a nós mostrar que podemos fazer tão bem quanto”, disse. Ele afasta que o time atue como no rúgbi e quer mostrar ao mundo que tem bom futebol para praticar.

— Sobre a nossa forma de jogar, tentamos construir com a bola, sendo eficientes, enquanto antes havia muito jogo longo, basicamente com uma forte dimensão física… De fora, as pessoas tendem a achar que os neozelandeses jogam futebol como jogam rugby, então estamos tentando mostrar que não é o caso. Estar na Copa do Mundo vai nos dar a oportunidade de evoluir e mostrar às pessoas do que somos capazes.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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