Copa do Mundo

Argentina tem desafio de compensar envelhecimento de Messi em estreia da Copa do Mundo

Camisa 10 chega à sua sexta Copa do Mundo pela seleção argentina buscando defender o título conquistado no Catar

Em sua sexta e última Copa do Mundo, Lionel Messi não tem a mesma longevidade de outros anos. Na última edição, quando foi campeão, o camisa 10 já dava sinais de envelhecimento, mesmo sendo eleito melhor jogador no Catar e tendo liderado a Argentina ao tricampeonato mundial.

Agora, Lionel Scaloni chega para a estreia contra a Argélia com um desafio: compensar a idade avançada de seu principal atleta na América do Norte.

Aos 38 anos, Messi já não atua no mesmo nível de quando chegou à concentração da seleção argentina em 2022. Naquela época, o camisa 10 ainda atuava na Europa, com o Paris Saint-Germain, e, mesmo com 35 anos, estava em nível igual ou semelhante a seus adversários. Menos veloz e com menos ímpeto de outras edições, mas liderando a seleção pelo talento.

O cenário se repete em 2026, mas em uma escala ainda maior. Messi, desde 2023, não atua na Europa. Escolheu defender o Inter Miami, da Flórida, na Major League Soccer. Com lesões que o tiraram de amistosos e Eliminatórias da Argentina desde então, o camisa 10 também precisou ser substituído na função de referência no ataque de Scaloni.

Scaloni repete estratégias no ataque da Copa do Mundo de 2022

Contra a Argélia, nesta terça-feira (16), às 22h (de Brasília), no Estádio de Kansas City, no Missouri, a tendência é que Messi seja titular. Nesta segunda-feira (15) o treinador deixou claro que conta com o astro do Inter Miami já para o primeiro compromisso albiceleste no torneio. “Messi sempre esteve em campo quando a Argentina precisou dele e amanhã não será exceção”, afirmou o comandante.

Scaloni repete a estratégia adotada no Mundial do Catar, quando Lautaro Martinez fez dupla com Messi. O atacante da Internazionale também esteve entre os 11 iniciais na derrota diante da Arábia Saudita, na estreia.

Durante o torneio, o atacante perdeu espaço para Julián Alvarez, que vinha em ascensão no Manchester City. Desta vez, Scaloni deve repetir o plano, mas substituindo dois outros nomes no meio-campo argentino: Ángel Di María e Papu Gómez (ambos com 34 anos em 2022), que não fazem parte do elenco no Canadá, Estados Unidos e México.

Alexis Mac Allister (27 anos) e Enzo Fernández (25 anos) se consolidaram como titulares no esquema da Argentina em 2022, e ajudam a compensar a velocidade de Messi na marcação. Thiago Almada (25 anos), ex-Botafogo e atualmente no Atlético de Madrid, deve iniciar no 4-4-2 da Argentina, dando aos atuais campeões mundiais mais mobilidade e poder de recomposição.

Lionel Messi antes de jogo da seleção argentina
Lionel Messi antes de jogo da seleção argentina. Foto: SUSA / Icon Sport

Messi vem de lesão e atuou apenas 20 minutos no último amistoso da Argentina, contra a Islândia. Ele marcou de pênalti na vitória por 3 a 0 e teve tempo de mostrar que, com a cabeça, ainda é o mesmo camisa 10 que levou a seleção a duas finais de Copa do Mundo desde 2014, e com a qual conquistou as duas últimas edições de Copa América.

Além do ataque, Scaloni terá de encontrar soluções para a defesa. Nicolás Tagliafico, lesionado, já está descartado de atuar na estreia. Em seu lugar, Facundo Medina é o favorito para iniciar o duelo.

Além de Medina, a linha defensiva deve ser formada por Nahuel Molina, Cristian Romero e Lisandro Martínez. Emiliano Martínez, que também se recupera de lesão, foi praticamente garantido por Scaloni nesta segunda.

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Argentina chega à Copa do Mundo sem ter enfrentado adversários de alto nível no último ano

Não é só Messi que sofre com o nível inferior dos enfrentamentos na MLS. Desde que se sagrou campeã mundial, em 2022, a Argentina não teve desafios de alto nível em seus amistosos. Desde o fim das Eliminatórias da América do Sul, a Argentina não enfrentou nenhuma equipe que se classificou ao Mundial deste ano.

No Grupo J, a atual campeã mundial não deve ter trabalho. Além da Argélia, enfrenta a Áustria e a estreante Jordânia na primeira, em busca de uma vaga no mata-mata. Dos 16-avos de final em diante, a situação muda de figura, podendo cruzar com Inglaterra, Portugal e até o Brasil nas fases avançadas da competição.

Messi e Julián Álvarez após gol da Argentina
Messi e Julián Álvarez após gol da Argentina (Foto: IMAGO / PhotoCero5)

Desde outubro, Messi disputou cinco dos sete amistosos possíveis da Argentina. Além do gol marcado contra a Islândia, foi às redes em duelos com Angola e Zâmbia. Com 13 gols marcados em Mundiais, ele pode igualar e até superar a marca de Miroslav Klose, artilheiro histórico das Copas com 16 tentos entre 2002 e 2014.

Ele também se tornará, ao lado de Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa, o único jogador a ter disputado seis edições diferentes de Copa do Mundo. Em 2030, na Espanha, Marrocos e Portugal, terá 42 anos e, ainda que não tenha confirmado, dificilmente estará em atividade pela seleção argentina até lá.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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