6 jogadores que Ancelotti deveria ter testado antes da Copa e são ‘injustiçados’ em convocação
Técnico italiano, por pouco tempo e opções técnicas e táticas, acabou deixando de testar boas opções em um ano no comando do Brasil
A lista final dos convocados da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 foi divulgada nesta segunda-feira (18). O técnico Carlo Ancelotti, após o envio à Fifa de 55 nomes na pré-lista, chamou 26 atletas e surpreendeu com as presenças de Neymar e Weverton.
No cargo há quase um ano, o italiano teve pouco tempo para testar e, inevitavelmente, cometeu algumas injustiças ao longo da trajetória, também por escolhas técnicas e táticas. A Trivela lista seis jogadores que mereciam ao menos ter sido chamados por Carletto nas cinco Datas Fifa que ele treinou.
Veja aqui a lista de todas as seleções já convocadas para a Copa do Mundo.
Quem pode se considerar injustiçado na seleção brasileira
Murillo (Nottingham Forest)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fmurillo-nottingham-forest-1-scaled.jpg)
Aqui entra talvez a grande injustiça de Ancelotti, fora até da pré-lista. Há três temporadas como titular do Nottingham Forest na Premier League, Murillo tem se destacado na Inglaterra praticamente desde que chegou. O forte zagueiro, bom nos duelos mano a mano e no jogo aéreo, se destaca também pela qualidade na saída de bola, com bons passes e lançamentos, e é canhoto.
Apesar do brilho quase que desde o meio de 2023, ele só foi convocado pela Seleção uma vez, em março do ano passado, por Dorival Júnior. Na ocasião, entrou em uma fogueira: titular no Monumental de Núñez contra a Argentina e só jogou o primeiro tempo, finalizado em 3 a 1 — o jogo acabou 4 a 1 para os argentinos.
Desde então, ficou “queimado”. Não recebeu mais oportunidades com a Amarelinha, mesmo continuando com bom nível no melhor campeonato do mundo e sendo especulado em clubes do Big Six, sendo uma transferência já na próxima janela é possível.
Por seu perfil de boa saída de bola e domínio do pé esquerdo, seria interessante que Murillo fosse o reserva de Gabriel Magalhães, titular pela esquerda da zaga com Marquinhos à direita. O defensor do Forest poderia ser uma opção mais interessante do que Léo Pereira, do Flamengo, hoje com vaga praticamente garantida na Copa.
Luiz Júnior (Villarreal)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fluiz-junior-villarreal-scaled.jpg)
Desconhecido do público brasileiro por pouco ter atuado no país, Luiz Júnior está na Europa desde os 18 anos e, após se consolidar no Famalicão, deu o salto para o Villarreal na última temporada. O jovem goleiro foi um dos destaques da LaLiga passada, apesar de alternar momentos como titular com Diego Conde. Ele ganhou os holofotes principalmente após grandes atuações contra Barcelona e Atlético de Madrid.
Na temporada atual, consolidou-se como o dono do gol e uma das peças decisivas em outra boa campanha do Submarino Amarelo no Campeonato Espanhol. Quinto colocado no ano passado com 70 pontos, um recorde em mais de dez anos, o time está garantido novamente na próxima Champions League e deve terminar na frente do milionário Atlético de Madrid.
Júnior foi o responsável por alguns resultados. Em 45 rodadas disputadas de LaLiga nas duas temporadas, somou 97 defesas, sendo 48 na área, e passou 13 jogos sem sofrer gols, segundo dados do “SofaScore”.
Com uma posição de goleiro instável nas opções para reserva, hoje ocupadas por Ederson e Bento, com Hugo Souza e John como nomes correndo por fora, Luiz Júnior poderia ter sido testado para exercer essa função de um dos substitutos de Alisson em caso de problema. Ele também não foi incluído nem na pré-lista, enquanto Weverton, do Grêmio, em má fase há alguns anos, está.
Matheus Pereira (Cruzeiro)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fmatheus-pereira-cruzeiro-scaled.jpg)
Parte da seleção de 55 nomes e também pré-convocado em Datas Fifa anteriores, Matheus Pereira merecia ter tido ao menos uma chance. Ele não seria titular no Mundial, nem o cara para ser o mais decisivo em uma eliminatória contra uma seleção gigante, mas tem um perfil diferente dos disponíveis.
O meia do Cruzeiro é um camisa 10 mais raro no futebol brasileiro atual, típico armador que vem até os zagueiros buscar a bola e ajudar a construir o jogo de frente e cabeça erguida. No clube mineiro desde o meio de 2023, rapidamente se tornou um dos jogadores mais criativos do Brasileirão, sempre nas primeiras posições em assistências, grandes chances criadas e passes decisivos.
No último Campeonato Brasileiro, com o Cabuloso terminando em terceiro, Pereira foi decisivo ao potencializar Kaio Jorge, artilheiro da competição que conseguiu chegar à seleção brasileira. Ele também é um meia que pode fazer gols.
Na provável convocação final de Ancelotti, teria apenas Lucas Paquetá com um perfil mais de 10, mas, ainda assim, distinto de Matheus Pereira. Talvez pese a idade (30) e a pouca experiência no futebol mais alto da Europa.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Matheus Martinelli (Fluminense)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fmatheus-martinelli-fluminense-scaled.jpg)
Consolidado no time principal do Fluminense desde 2021, Martinelli é o perfil de cria de categoria de base que, a cada temporada, vai se tornando mais maduro, adicionando camadas técnicas e táticas a seu jogo e ficando mais completo.
O meio-campista, típico primeiro homem de saída de bola, com boa qualidade no passe e poder de marcação, vive o melhor momento de sua carreira no Tricolor das Laranjeiras desde o começo do ano. Porém, nunca foi convocado. Ele tem sido monitorado pela comissão técnica há algum tempo.
Em março, o “ge” publicou que Ancelotti não buscava um perfil como Martinelli, que seria mais próximo aos consolidados Casemiro e Fabinho, com João Gomes como possível substituto. A ideia para o jovem de 24 anos é um ciclo para a Copa de 2030.
Até lá, provavelmente, o volante já deve ter passado pelo futebol europeu. No começo de 2026, recebeu propostas de clubes da Europa, incluindo o West Ham, da Premier League, e do mundo árabe. O clube carioca recusou as investidas que se aproximaram dos 12 milhões de euros.
Igor Paixão (Olympique de Marseille)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Figor-paixao-olympique-de-marseille-scaled.jpg)
Após três temporadas de brilho no Feyenoord, com direito a mais de 30 participações em gols na última temporada, Igor Paixão deu o salto para uma grande liga europeia em 2025/26.
O conturbado Olympique de Marseille, com demissão de técnico, brigas no elenco e problemas de gestão, não foi o melhor lugar para se adaptar, mas o atacante de 25 anos conseguiu deixar sua marca com 12 gols e seis assistências.
Jamais convocado, o jovem esteve em duas pré-listas no ano passado, incluindo a primeira de Ancelotti, para os jogos de junho passado. Porém, ficou fora da relação final.
Como é um ponta que atua pelos dois lados — mais o esquerdo — muito incisivo, de drible, passe e finalização, Paixão poderia ter sido uma opção testada, ainda mais agora que Rodrygo e Estêvão estão fora do Mundial. Gabriel Martinelli, do Arsenal, apesar de adorado pelo técnico da Seleção e de estar jogando na maior liga do mundo, ainda não emplacou sequências de brilho pelo Brasil, o que levanta críticas sobre sua presença.
Éderson (Atalanta)
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Federson-atalanta-scaled.jpg)
Único convocado por Ancelotti nesta lista de “injustiçados”, o volante da Atalanta não ganhou um minuto sequer na primeira Data Fifa do técnico, em junho de 2025. Éderson tem uma trajetória de ascensão desde que brilhou no Fortaleza em 2021. Ficou apenas alguns meses na Salernitana até a mudança para a Dea, onde se tornou um dos melhores meio-campistas do futebol italiano.
Como um segundo volante de intensidade, chegada ao ataque e boa qualidade no desarme, o jogador de 26 anos foi importante no título da Liga Europa em 2024, o primeiro do clube italiano desde 1963.
Foi nessa época que foi chamado pela primeira vez à Seleção, presente no grupo que fez amistosos e disputou a Copa América. Só retornou ao Brasil no ano passado, com seis minutos contra a Argentina, e nunca mais jogou.
Éderson frequentemente é tratado como um jogador que deveria ter jogado mais pelo Brasil, não só com Ancelotti. Ele é cotado para trocar de time na próxima janela de transferências, com Manchester United e Atlético de Madrid como interessados.
Alguns nomes devem ficar para o próximo ciclo
Como Martinelli, é muito possível que Paixão, Murillo e Luiz Júnior recebam oportunidades para o ciclo até o Mundial de 2030, que também será sob o comando de Ancelotti — Matheus Pereira e Éderson, talvez pela idade, tenham mais dificuldades.
Após três técnicos desde o fim da Copa do Catar, o técnico italiano assumiu a Seleção em cima da hora, precisando chamar muitos nomes que já conhecia para montar uma estrutura minimamente competitiva para a Copa dos Estados Unidos, Canadá e México. O Brasil não entra nem no top 3 de favoritos por tudo isso.
Com quatro anos para se preparar, o experiente comandante pode pensar em novos nomes para depois da competição disputada entre junho e julho. Savinho, André, Antony, Éderson, Vitor Roque e Kaio Jorge podem ganhar novas chances nesse futuro ciclo. Allan, Breno Bidon, André Luiz e mais promessas do futebol nacional também devem receber suas oportunidades.