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Os EUA atropelaram o México num jogo cheio de confusões e enfrentarão o Canadá na decisão da Nations

Os Estados Unidos reafirmaram a freguesia recente do México no clássico, num jogo cheio de confusões, enquanto o Canadá confirmou o favoritismo contra o Panamá

Os Estados Unidos impõem um domínio incontestável no clássico contra o México durante os últimos anos. O US Team não sabe o que é perder para El Tri desde 2019. Desde então, são quatro vitórias e dois empates – com dois triunfos em finais, para aumentar o peso dos sucessos. E a freguesia teve mais um capítulo nesta quinta-feira, pelas semifinais da Liga das Nações. Os EUA não tomaram conhecimento dos mexicanos e venceram por 3 a 0 em Las Vegas. Christian Pulisic fez a diferença para sua equipe, com dois gols. Ainda foi um jogo quente, com duas expulsões para cada lado e muitas confusões. Na decisão da Nations da Concacaf, o US Team vai encarar o Canadá, que despachou o Panamá na outra semifinal do torneio.

Treinados pelo interino B. J. Callaghan, os Estados Unidos tinham como grande novidade a presença do estreante Folarin Balogun no comando do ataque, após grande temporada com o Stade de Reims e a escolha pelo US Team após defender a Inglaterra na base. Christian Pulisic, Gio Reyna e Timothy Weah formavam uma trinca de meias, enquanto Weston McKennie e Yunus Musah eram os dois volantes. Já o México segue no início do ciclo de Diego Cocca, escalando seu time num 3-5-2. Guillermo Ochoa e César Montes eram as referências na defesa. O meio-campo reunia o trio central composto por Uriel Antuna, Luis Chávez e Édson Álvarez. Já na frente, se combinavam Orbelín Pineda e Henry Martin.

O primeiro tempo em Las Vegas ofereceu uma partida muito pegada, com poucas ocasiões de gol. As principais jogadas dos Estados Unidos tiveram participação de Christian Pulisic. O atacante chegou a protagonizar uma grande arrancada aos 23 minutos, em que deixou Guillermo Ochoa para trás, mas chutou por cima da meta aberta. Pulisic se redimiu com o primeiro gol aos 37. Diante de uma sucessão de erros da defesa mexicana, a sobra ficou na área com o ponta, que bateu no contrapé de Ochoa. Do outro lado, El Tri teve somente duas finalizações em toda a primeira etapa e pouco ameaçou.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo, os Estados Unidos conseguiram ampliar. Foi uma ótima jogada em velocidade, com a escapada de Timothy Weah pela direita, a partir do lançamento de Weston McKennie. O ponta arrancou até a borda da área e cruzou baixo, para Pulisic completar no meio da área de carrinho. O México tinha dificuldades para responder, mesmo com a posse de bola. E o clima da partida esquentava, especialmente por algumas faíscas entre os times. As cenas lamentáveis desataram de vez aos 24. César Montes deu um pontapé em Folarin Balogun e recebeu o vermelho direto. Uma confusão se formou entre os dois times e McKennie também foi expulso por um empurrão, mesmo tendo sua camisa rasgada por um adversário – será um desfalque pesado para a final.

Depois de uma longa paralisação e com os times bagunçados, quase o México se aproveitou para descontar. O goleiro Matt Turner realizou duas boas defesas, enquanto Uriel Antuna também desperdiçou grande chance com a meta aberta. Entretanto, os Estados Unidos não demoraram para se acertar e matar a partida. O terceiro gol saiu aos 33. Sergiño Dest fez uma grande jogada pela direita, ao enfileirar os adversários. Deu o passe preciso para Ricardo Pepi, que tinha acabado de sair do banco. O centroavante ficou sozinho com Ochoa e fintou o goleiro, antes de guardar.

Com a parada resolvida, sobrava tempo a mais brigas em Las Vegas. Gerardo Arteaga e Sergiño Dest também foram expulsos por uma troca de safanões aos 40 minutos, com outro desfalque pesado aos Estados Unidos rumo à final. No meio de tantos tumultos, a torcida mexicana voltou a repetir os gritos homofóbicos costumeiros na cobrança de um tiro de meta e a partida seria paralisada momentaneamente por isso. Diante de tudo o que ocorria, seriam 12 minutos de acréscimos.  O México ainda seguiu lutando para descontar, o que não adiantou muito. O clássico terminou no oitavo minuto adicional, por novos gritos homofóbicos. Mas não que El Tri tivesse qualquer esperança de reação. A classificação merecida era dos Estados Unidos, contra um adversário perdido.

Na outra semifinal, o Canadá sublinhou o excelente momento e poderá buscar um título para coroar o sucesso recente. Os Canucks eram favoritos diante do Panamá e não tiveram problemas para ganhar por 2 a 0 em Las Vegas. John Herdman consegue mais um feito histórico à frente dos canadenses: será a primeira final da seleção em 23 anos, desde que chegaram à decisão da Copa Ouro em 2000. Os alvirrubros derrotaram a Colômbia na ocasião, em seu segundo título no torneio, o primeiro desde 1985.

Nesta quinta, o Canadá precisou de 25 minutos para abrir o placar na semifinal. Kamal Miller descolou um excelente passe em profundidade e Jonathan David escapou com liberdade dentro da área, para bater por baixo do goleiro Orlando Mosquera. O Panamá melhorou na sequência e passou a ameaçar mais a meta de Milan Borjan. O goleiro realizou boas defesas, sobretudo em chutes de fora da área. Os Canucks é que ficaram devendo uma produção maior na primeira etapa, com uma única finalização – a do gol.

Na volta do intervalo, o Canadá aumentou a presença no ataque e matou o jogo. Os Canucks deram um aviso com uma cabeçada de Cyle Larin, aos 14, que exigiu uma defesa inacreditável de Mosquera. Concluíram o resultado aos 24, com Alphonso Davies, que tinha saído pouco antes do banco. Jonathan David abriu com o camisa 19 pelo lado esquerdo e ele invadiu a área em velocidade, mandando uma patada no alto da meta. No fim da partida, os panamenhos ainda terminaram com dez homens, após a expulsão de Éric Davis. Os canadenses contaram com a entrada de Atiba Hutchinson, capitão do time, que disputa o último torneio de sua carreira.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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