Concacaf

Atlas usou Goebbels para defender a arbitragem e, claro, teve que pedir desculpas

O clube mexicano havia criticado a opinião de um podcaster usando uma famosa frase do ministro da Propaganda da Alemanha nazista

Não é recomendado fazer comparações com o nazismo porque poucas coisas na história equivalem aos horrores do holocausto. E certamente um lance de futebol não se qualifica.

Por isso, menos de quatro horas depois de usar uma famosa frase do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para defender uma decisão da arbitragem na vitória por 1 a 0 sobre o New York City pela Leagues Cup no último domingo, o Atlas teve que emitir um pedido de desculpas e indicou que alguém vai rodar pelo que chamou de uma referência “sensível e desnecessária”.

É importante enfatizar que não foi nem para reclamar de um suposto erro da arbitragem que o Atlas recorreu imediatamente à Lei de Godwin – segundo a qual, à medida em que uma discussão se alonga na internet, a chance de uma referência aos nazistas se aproxima de 100%. O lance foi um gol anulado do New York City nos minutos finais que permitiu aos mexicanos segurarem a vitória por 1 a 0. E, realmente, foi um impedimento muito claro.

Não é super fácil entender a lógica de quem vai de zero a Goebbels em algumas horas, mas aparentemente o tuíte (ou o X? Não sei mais) tinha o objetivo de reclamar de quem estava reclamando da decisão da arbitragem, citando uma pessoa em especial, um podcaster chamado Gabo Montiel que tem 8,6 milhões de seguidores no Twitter. Vamos reproduzir a mensagem porque, embora inexplicavelmente ainda esteja no ar, algo me diz que uma hora ela será deletada.

“Esta imagem é mais clara que a água. O impedimento acontece na primeira jogada. É lamentável como ‘influenciadores’ e ‘analistas’ manipulam gerando ideias de ‘supostas ajudas’, mas, lembrando o que disse Goebbels, o ministro nazista da Informação (braço direito de Hitler), que se aplica perfeitamente: ‘minta, minta, minta que algo ficará, quanto maior for uma mentira, mais pessoas acreditarão nela’”, escreveu o Atlas no Twitter.

O influenciador em questão, que havia realmente dito em um tuíte na noite de domingo que o Atlas havia sido ajudado, foi pego um pouco de surpresa. “Alguma vez isso aconteceu antes? Vocês se lembra de qualquer time fazendo um tuíte assim? Respondendo um ‘influenciador’ (como eles dizem) e citando um nazista?”, disse o rapaz criticado pelo Atlas. Não. Não lembro, não.

Atlas pede desculpas

O tuíte com a citação de Goebbels foi publicado às 10h37, horário de Brasília. O pedido de desculpas saiu às 16h11. “No Atlas, lamentamos profundamente a confusão que o uso de uma referência sensível e desnecessária em um tuíte durante a manhã possa ter causado. RECHAÇAMOS e somos contra qualquer valor que o citado regime representou em uma das épocas mais obscuras da humanidade. Precisamente o que deve ser evitado em todos os aspectos”, disse.

“Reiteramos nossa solidariedade, amizade e carinho pela comunidade judaica e todos que foram vítimas da barbárie e reafirmamos nosso compromisso de trabalhar em união como sociedade e deter a difamação, distorção de informação e mentiras como uma maneira mesquinha de buscar notoriedade, prejudicando os outros. Abriremos investigações relevantes para entender a origem do tuíte e atuaremos de maneira interna”.

“Fazemos um chamado ao jogo limpo, também fora dos gramados, onde todos somamos ao espetáculo, à convivência e ao desenvolvimento do nosso futebol”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
Botão Voltar ao topo