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Assim Havana recebeu a seleção americana para o histórico amistoso contra Cuba

O futebol cada vez mais ganha popularidade em Cuba. Não possui uma estrutura tão boa quanto o beisebol, mas sua prática por garotos nas ruas das cidades do país se torna comum. E, diante da aproximação entre a ilha caribenha e os Estados Unidos, a modalidade também faz a sua parte. O primeiro momento histórico veio no ano passado, com o New York Cosmos disputando amistoso contra a seleção cubana durante a preparação da equipe nacional para a Copa Ouro. Já neste sexta, Havana se preparou para recepcionar a própria seleção americana. Festa bonita no Estadio Pedro Marrero, ocupando boa parte de seus 28 mil lugares, apesar da derrota por 2 a 0 dos anfitriões.

Cuba e Estados Unidos haviam se enfrentado apenas duas vezes na ilha. Em 2008, os americanos precisaram visitar Havana por causa das Eliminatórias da Copa do Mundo, vencendo a partida por 1 a 0, gol de Clint Dempsey. Já o último amistoso aconteceu em tempos bastante diferentes, quando a Revolução Cubana sequer era imaginada e os EUA tinham influência absoluta sobre a política na ilha. Em 1947, os cubanos golearam os ianques por 5 a 2 em Havana. Além disso, todos os outros nove confrontos ocorreram ou em solo americano, sempre pela Copa Ouro, ou na Cidade do México, onde foram disputadas as Eliminatórias da Copa de 1950.

Cabe dizer que o Estádio Pedro Marrero, apesar de cheio, não estava nas melhores condições de uso. O mau estado das arquibancadas se via de longe, enquanto o gramado foi criticado pelo técnico Jürgen Klinsmann. De qualquer maneira, isso não impediu os cubanos de encherem o estádio e se empolgarem com as duas equipes. O local foi especialmente decorado em azul, branco e vermelho, as cores das duas bandeiras. Muitos estudantes ganharam entradas gratuitas, assim como os torcedores americanos também marcaram presença.

O US Team construiu a sua vitória a partir do segundo tempo. Chris Wondolowski abriu o placar aos 17 minutos, aproveitando rebote do goleiro, e Julian Green fechou a conta oito minutos depois, escorando para o gol vazio. Mais importante que o resultado, entretanto, foi o significado do jogo, expresso por Jozy Altidore: “Hoje nós fizemos história. Obrigado a Cuba, pela hospitalidade, e vamos continuar melhorando nossas relações no futuro”. E o gesto mais simbólico ficou para depois do apito final: boa parte dos jogadores americanos deram também suas chuteiras aos atletas cubanos, enquanto ainda voltaram a campo para distribuir outros materiais às crianças presentes no estádio. Ganharam em retribuição muitos sorrisos. Sinal mais do que concreto do desejo de cooperação.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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