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Após escândalo com vice-presidente do Suriname em seu torneio, Concacaf desqualifica os dois clubes envolvidos na partida

Concacaf decidiu eliminar Inter Moengo Tapoe e Olimpia, diante das imagens do dirigente distribuindo dinheiro nos vestiários

A Concacaf League, segunda competição mais importante de clubes da confederação, contou com uma cena varzeana na última semana. Vice-presidente do Suriname e mandatário do Inter Moengo Tapoe, Ronnie Brunswijk se escalou e permaneceu por quase uma hora em campo no duelo contra o Olimpia, pelas oitavas de final do certame. Não bastasse a cena insólita, que garantiu a Brunswijk o recorde de jogador mais velho a disputar um torneio continental na história, o cartola apareceu distribuindo dinheiro nos vestiários da equipe adversária após o encontro. No fim das contas, a Concacaf agiu com o rigor necessário diante de tamanha patifaria: eliminou os dois clubes, após ação disciplinar. Além disso, Brunswijk está suspenso de qualquer cargo nas competições da Concacaf pelas próximas três temporadas.

Pouco depois do ocorrido, a Concacaf afirmou investigar o caso, no que parecia um indício de que tudo viraria pizza. Porém, a entidade decidiu punir as duas equipes e manter a integridade de suas competições. A confederação avaliou que a cena de Brunswijk distribuindo dinheiro nos vestiários coloca em suspeita o resultado, sobretudo quanto ao envolvimento com apostas, por mais que o Olimpia tenha derrotado o Inter Moengo Tapoe por 6 a 0. Com a decisão, o vencedor do duelo entre Guastatoya e Alajuelense ganhará uma vaga direta nas semifinais.

“O Comitê Disciplinar da Concacaf investigou as circunstâncias que envolvem as preocupações de integridade levantadas por um vídeo que circulou nas redes sociais após o jogo entre Inter Moengo Tapoe e Olimpia pela Concacaf League. Tendo avaliado as ações evidenciadas no vídeo e considerado as declarações por escrito fornecidas por ambos os clubes, o Comitê determinou que graves violações das regras de integridade ocorreram após a partida”, analisou a Concacaf.

“Como consequência dessas violações às regras, ambos os clubes foram desqualificados e removidos da Concacaf League deste ano, com efeito imediato. Além disso, o Comitê determinou que Ronnie Brunswijk está proibido por três anos de participar de qualquer cargo em competições da Concacaf. A Concacaf continua investigando este assunto, bem como outros indivíduos envolvidos, e reserva-se ao direito de encaminhar quaisquer outras evidências ao seu Comitê Disciplinar”, complementou.

Antigo membro do exército de Suriname, Brunswijk tentou um golpe de estado no país e comandou uma milícia armada nos anos 1980, durante a chamada Guerra do Interior. Após o tratado de paz, Brunswijk fez fortuna através de concessões para a mineração de ouro na região da cidade de Moengo. Porém, ele também seria condenado a oito anos de prisão nos Países Baixos por tráfico de drogas e, como procurado pela Interpol, não pode deixar o Suriname. Membro do parlamento desde 2005, Brunswijk foi eleito presidente da assembleia nacional em 2020 e logo depois seria escolhido também como vice-presidente do país.

Já a relação de Brunswijk com o Inter Moengo Tapoe começou em 1987. Neste momento, ele já fazia aparições dentro de campo pela equipe, o que aconteceu com certa frequência até 2011. Dono do clube desde 2002, Brunswijk financiou a construção do estádio da agremiação, em local que leva seu nome. O Inter Moengo Tapoe soma dez títulos no Campeonato Surinamês, todos eles acumulados a partir de 2006/07 – desbancando Transvaal e Robinhood, forças históricas do país.

O histórico de confusões de Brunswijk, além disso, também é longo. Em 2005, o dirigente já tinha sido suspenso por cinco anos pela federação do Suriname, por ameaçar jogadores de uma equipe adversária com uma arma em punhos, mas a punição acabou retirada por falta de evidências. Já em 2012, Brunswijk recebeu um gancho de um ano, por agir de maneira violenta contra um árbitro e um jogador adversário durante partida pela liga local. Além do vice-presidente do país, seu filho Damian também esteve em campo diante do Olimpia.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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