Brasil

Zubeldía fez as pazes com Muricy antes de acerto com São Paulo

Técnico argentino fala sobre ideias, uso das categorias de base e de James Rodríguez em apresentação

Luis Zubeldía desembarcou na capital paulista na manhã de domingo (21), foi direto para Goiânia, onde chegou às pressas para assistir in loco à vitória por 3 a 0 sobre o Atlético-GO, e no dia seguinte já estava a postos no CT da Barra Funda. Apresentado oficialmente como técnico do São Paulo no começo da tarde desta segunda-feira (22), o argentino mostrou de imediato como pretende se entregar ao novo cargo que assume com contrato até o fim de 2025. Mas foi ainda antes do acordo com o clube, durante as conversas com a diretoria, que ele deu a primeira amostra de comprometimento com o Tricolor.

Na reunião por videoconferência que selou a sua contratação, na última quinta-feira (18), o treinador fez questão de explicar por que não quis participar do processo de entrevistas que o São Paulo conduzia no início do ano. À época, o clube procurava um substituto para Dorival Júnior e optou por fechar com Thiago Carpini. Zubeldía não aceitou conversar com os dirigentes antes de ouvir uma proposta concreta — uma postura que gerou críticas públicas do coordenador técnico Muricy Ramalho.

Mas tudo foi explicado em uma conversa que não durou mais do que cinco minutos até o acordo. Zubeldía explicou aos dirigentes que naquele momento não teria condições de assumir um desafio deste tamanho no Brasil por estar desgastado por seu trabalho anterior pela LDU. Em Quito, o argentino foi campeão da Sul-Americana e do Campeonato Equatoriano no ano passado antes de deixar o clube no início de 2024. A postura do técnico, inclusive, conquistou Muricy e selou as pazes entre os dois.

— Sinto que essa profissão nos demanda uma preparação constante. Como amo essa profissão e amo o futebol, tomei meu tempo. Um tempo lógico para que nossos caminhos se cruzassem novamente. E assim foi. No mês de janeiro, tivemos a oportunidade de conversar e por uma questão pessoal, uma questão de estar me desligando de outro clube e de outro país logo depois dos títulos do campeonato local e da Sul-Americana, precisava de um tempo para me desvincular e me preparar para um próximo desafio. Depois de um tempo, nos cruzamos novamente com o São Paulo. E decidi assumir esse desafio importante pela magnitude do clube e por que conheço o plantel — disse o treinador.

“Quando falamos com o presidente, em cinco minutos estávamos de acordo da minha parte. Foi uma conversa muito sincera. Primeiro, esclareci o que aconteceu em janeiro, depois mostrei minhas ganas de levar o São Paulo ao mais alto. Meu objetivo é levar o São Paulo ao mais alto possível”. (Zubeldía)

Os principais trechos da entrevista de Zubeldía

  • Disse que o acerto com o São Paulo ocorreu em cinco minutos;
  • explicou por que “recusou” o São Paulo em janeiro;
  • afirmou que recusou propostas para acertar com o São Paulo
  • deixou claro que a disciplina tática é um pilar de seu jogo;
  • garantiu que não escalará jogadores apenas pelo nome;
  • disse que não pedirá reforços

Por que escolheu o São Paulo?

“Eu tive várias ofertas neste tempo de diversos clubes e de diversas ligas. Mas eu queria estar aqui. Prioridade de janeiro até hoje foi me recompor, me encher de energia para aceitar um novo desafio. Sempre tive a sensação de que logo nos cruzaríamos. Me passou enfrentar o São Paulo em duas Copas Sul-Americanas. Eu tinha a sensação de que meu destino poderia estar aqui”.

Contato com Muricy

“Muito bem com todos. Com todos. Eles já vão me conhecer. O nível de compromisso com o clube. Com os clubes que dirigi. Naquele momento, eu não estava disponível para agarrar um desafio, para poder trabalhar. Era por respeito não à profissão, mas ao clube. Para mim, é importante que eu esteja bem para garantir que faça um bom trabalho. O contato com todos foi muito bom. E como disse, com respeito, entendendo os papéis de cada área, vamos nos dar muito bem”.

Ideias de jogo

“Sem bola, em fase defensiva, é importante ter claro as três alturas do campo. Ter claros os movimentos para a equipe trabalhar o mais organizado de maneira inteligente e aplicar energia quando tem que aplicar, no setor que tem que aplicar. Com bola, com o tempo, fui aprendendo a fazer ataques não tão verticais, a tratar de dar um pouco de pausa para a equipe trabalhar mais compacta depois de uma sequência de passes. Isso eu fui aprendendo nas distintas ligas em que trabalhei. Uma coisa é a Argentina, outra Colômbia, outra é México e outra é Equador. Tem que saber administrar o tempo. Se a vantagem estiver agora, temos que ir por ela. Se não, é o caso de esperar e trabalhar a bola”.

Uso da base

“Eu estive vendo as idades do elenco, que os dirigentes me passaram. Está bem compensado. É uma equipe bastante jovem. Eu antes da partida contra o Barcelona, tenho três sessões. Duas aqui e uma lá. Cada sessão vai te dando informações. Talvez para vocês não são sessões relevantes, porque pensa na partida, mas para mim, são importantes. Porque cada minuto me dá informação dos mais jovens, porque sei que há jovens ótimos. Eu na minha carreira, usei muitos jovens. Então dependendo de como o veja, tomaremos decisões. A equipe está fazendo coisas boas e outras que se podem melhorar. E assim faremos. Cada sessão, cada jogo vai dando informação dependendo do nível de quem fez bem ou não”.

Reforços?

“Hoje seria inoportuno falar que me faz falta um ou outro jogador. Primeiro, que não conheço a totalidade dos jogadores. Depois, vou terminar de conhecer no dia a dia. Eu acho que o plantel está muito bem formado. E a partir daí, os jogadores têm que fazer sua parte para estar o melhor possível, corpo técnico fazer sua parte, e os dirigentes também. A priori, me parece que o elenco está mais do que bem. Por isso que aceitei”.

Planos para James Rodríguez

“É importante ter todos os jogadores no melhor nível possível. Chame-se como se chame. Cada jogador necessita de uma atenção particular de parte do grupo do trabalho. Mas todos os jogadores têm que pensar em função da equipe. A equipe está acima de qualquer nome. Mas nem todos os seres humanos são iguais. Em gestão, com um jogador tem que falar de uma maneira. Entender onde tocar a tecla. Com outro, de outra maneira. As culturas no plantel são diferentes. Então temos que estar atentos a poder gerir cada jogador. Os jogadores devem pensar em função da equipe”.

Libertadores é “obsessão”

“A Libertadores é a obsessão de todos os clubes grandes como o São Paulo. É muito importante. Eu me lembro quando saímos campeões da Sul-Americana, o primeiro que queria era competir na Libertadores para chegar o mais longe e ver se poderia ganhar. Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Nós tratamos de trabalhar para poder conquistá-la. A Libertadores é muito dura. É diferente do Brasileirão, que também é duro. Cada partida vai te exigindo mais na competição”.

Como lidar com calendário e lesões?

“Por isso comecei dizendo ser importante ter a maioria do plantel o tempo todo. As viagens são muitas. Mas entendemos que as lesões estão, esperamos que seja o menos possível. Para isso, se tem um plantel numeroso. EU sempre fui um louco que aqueles que não estão jogando têm que estar preparados, porque em algum momento, eles vão jogar. Tenho muita experiência com respeito às oportunidades. Eu fui treinador com 24 anos. Depois com 27, da primeira divisão. O único que eu tenho que fazer como profissional é estar o mais preparado possível. Tomara que sejam poucas lesões, mas vão chegar”.

> Os próximos jogos do São Paulo

  • Barcelona-EQU x São Paulo — Libertadores — quinta-feira, 25 de abril, às 21h (horário de Brasília) — Transmissão: ESPN (TV fechada)
  • São Paulo x Palmeiras — Brasileirão — segunda-feira, 29 de abril, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
  • Águia x São Paulo — Copa do Brasil — sem data e horário definidos — Transmissão: a definir
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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