Brasil

Sem formar um titular desde Bruno, Academia de Goleiros do Palmeiras poderá ter papel importante na sucessão de Weverton

Goleiro do Palmeiras vive uma fase complicada, e Palmeiras pode ter de pensar em uma substituição para ele no futuro próximo

Weverton vive uma fase ruim. Em oito jogos disputados no ano, entregou gols contra Novorizontino, Inter de Limeira, Mirassol e Corinthians. Contra a Portuguesa, não foi vazado. Mas errou praticamente todas as suas saídas do gol.

Embora Abel Ferreira tenha saído em sua defesa, assumindo culpa pelas falhas, num discurso bastante questionável, a dúvida com relação ao momento do goleiro é entender se ele está vivendo uma fase ruim reversível ou se está em curso o começo do seu ocaso na carreira.

Aos 36 anos, porém, o que não dá para negar é que o goleiro está se aproximando do fim de seus anos em altíssimo nível, embora seja o titular absoluto do atual bicampeão brasileiro.

Weverton sabe bem o que é isso, dado que chegou ao Palmeiras em 2018 para, aos poucos, substituir, de uma vez só, Prass e Jailson. Ambos disputavam a posição, mas já vinham perdendo capacidade atlética e foram atropelados pelo então jovem goleiro vindo do Athletico-PR.

Sem um plano de rejuvenescimento

Goleiros do Palmeiras, durante treinamento na Academia de Futebol (Foto: Fabio Menotti/Palmeiras/by Canon)

Hoje, o Palmeiras não trabalha com uma ideia sólida de linha sucessória, se necessário. O reserva imediato do camisa 21 é Marcelo Lomba. Um goleiro muito bom, que sempre vai bem quando escalado, mas que tem um ano a mais do que Weverton. Não será ele quem ocupará o lugar de maneira longeva quando Weverton precisar deixar o time.

Na sequência, vêm dois garotos formados no clube, mas que ainda não têm um minuto pelo time profissional. Mesmo assim, está nas mãos de Kaique, 20, e Mateus, 21, a chance de ressuscitar uma das tradições mais antigas dos 110 anos do clube: a Academia de Goleiros do Palmeiras.

Ambos são tratados como muito promissores, com passagens frequentes pelas seleções de base. Kaique, inclusive, esteve recentemente na seleção brasileira que fracassou no Pré-Olímpico — o que não chega a ser um grande cartão de visitas.

O ponto principal é que se Weverton não recuperar seu melhor futebol, o Palmeiras tem apenas uma solução contingencial para sua substituição.

A não ser que Abel e o treinador de goleiro Rogerio Godoy decidam lançar um dos garotos, mesmo sem minutos como profissionais. Algo que parece bem fora da curva, conhecendo o modo de pensar dessa comissão técnica.

A Trivela apurou, no entanto, que a ausência de um plano mais sólido de sucessão se explica pelo fato de o clube entender que Weverton ainda tem lenha para queimar. O contrato do jogador com o Palmeiras vai até o fim de 2025.

Academia esquecida

Matheus e Kaique, com os preparadores Talles Damasceno e Rogério Godoy, durante treinamento na Academia de Futebol (Foto: Fabio Menotti/Palmeiras/by Canon)

Tendo revelado nomes como Velloso, Marcos, Sérgio e Leão, além de lendas como Oberdan Cattani e Valdir Joaquim de Morais, o clube não sabe o que é colocar um goleiro formado em casa como titular desde Bruno, campeão com o time na Copa do Brasil de 2012.

E mesmo Bruno, bem como seu antecessor Deola, não estão no mesmo nível dos jogadores citados anteriormente neste texto. A tentativa mais recente de escalar um Cria da Academia como goleiro de modo recorrente quase custou o terceiro rebaixamento do Palmeiras.

Em 2014, depois de Prass lesionar o cotovelo com gravidade durante o Campeonato Brasileiro, Fábio se tornou titular com o técnico Ricardo Gareca. Depois, seguiu com Dorival Júnior. Mas o atual técnico da Seleção foi forçado a sacá-lo e a reconduzir Deola à titularidade, até a recuperação de Prass, nas rodadas finais.

Mais recentemente, o Palmeiras revelou Daniel Fuzato, que está no Getafe depois de passar pela Roma (2018), Gil Vicente e se firmar no Ibiza. Atualmente, é banco.

Vinicius Silvestre, que esteve no elenco até 2022, está no Portimonense, onde vinha jogando com frequência nesta temporada, até perder a posição para Nakamura, da seleção japonesa.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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