Brasil

Perto de 200 vitórias pelo Palmeiras, Weverton segue sob suspeita: era só má-fase?

Goleiro do Palmeiras vive seu ano mais irregular desde que chegou à Academia de Futebol

Os números de Weverton impressionam. Para começar, são 347 jogos pelo Alviverde. Destes, em praticamente a metade, o camisa 21 do Palmeiras não sofreu gols (170), perdendo apenas para o lendário Emerson Leão e o multicampeão Velloso.

Contra o Novorizontino, na quinta-feira (28), vai chegar ao jogo 150 no Allianz Parque e pode colecionar sua vitória de número 200. Mas 2024 vem mostrando um Weverton diferente.

Pela primeira vez desde que chegou ao clube, em 2018, e conseguiu convencer o palmeirense de que os xodós Prass e Jailson deveriam lhe abrir caminho, Weverton fez acender um alerta vermelho e suscitar o questionamento: “é só má fase, ou ele está chegando ao fim do alto nível?”

Em dez jogos disputados no Campeonato Paulista, o goleiro alviverde foi responsável direto por cinco gols sofridos pelo time: Novorizontino (próximo adversário), Internacional, Mirassol, Corinthians e São Paulo. Contra a Portuguesa, não falhou. Mas errou em todos os cruzamentos que tentou cortar.

O ainda inexplicável gol contra o Corinthians, no qual ele recolhe os braços, e a bola na fogueira para Richard Ríos, que culminou no gol do Tricolor, ainda incomodam o palmeirense.

Culpa do Abel?

Weverton vem de uma sequência de erros no gol do Palmeiras (foto: Iconsport)

Naquela noite, no Canindé, após a vitória sobre a Lusa, Abel saiu em defesa do goleiro, dizendo que as falhas decorriam de um direcionamento seu:

— O culpado [das falhas do Weverton sou eu]. Quando tentamos fazer mudanças, melhorias na nossa forma de jogar, quando tentamos inovar, sempre há um processo de aprendizado. E hoje ele fez o que pedi. Em uma, saiu e acertou. Em outra, ele errou. Mas é o que eu quero que ele faça. É o que eu quero. Que use a altura e a envergadura. O único jogador que pode jogar com a mão dentro da área é o goleiro — disse o português.

— Temos que usar essa vantagem. Estou desafiando-o a sair mais. E a coragem de arriscar é minha responsabilidade. E assumindo esse risco, ele vai ser ainda melhor, ajudando no jogo aéreo. Não é só contra a Portuguesa, mas contra o Mirassol foi assim: todas as faltas vão bolas na área. Nosso goleiro tem que dar esse passo à frente — concluiu.

O discurso ficou com cara de blindagem, mas até fez certo sentido diante do comportamento errático do arqueiro. Como diziam os mais antigos, Weverton saiu caçando borboletas em quase toda bola cruzada na área naquela noite.

Mas, aos poucos, a maré começa a virar. Contra o Botafogo-SP, no último jogo da fase de grupos, e a Ponte Preta, pelas quartas, Weverton não cometeu erros.

Não fosse um desvio na barreira contra a Ponte, ele teria saído da Arena Barueri com seu jogo 171 sem ser vazado. As saídas de gol voltaram a ser mais seguras, menos inventivas. Weverton também esteve mais ligado na reposição.

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Equipe madura

Como não deixaria de ser, Weverton pregou cautela com o Novorizontino, em entrevista à TV Palmeiras:

— A gente sabe o quanto o Novorizontino nos últimos anos vem sendo um adversário muito difícil, mas temos um aliado muito importante, que é voltar ao nosso estádio. Isso nos dá uma força muito grande e uma motivação a mais. Tenho certeza de que teremos esse ambiente na quinta-feira — destacou.

— Foi um início de ano importante da equipe. Ser o líder geral da competição era o nosso objetivo. Estamos fazendo jogos seguros e consistentes, acho que é uma característica nossa. O Abel aproveitou também esse início de Paulista para testar algumas formações, ora com três zagueiros, ora com três volantes. Foi muito importante ter feito isso agora, pois a gente sabe da dificuldade do nosso calendário. Estamos entrando em uma etapa de decisões e vejo a equipe muito madura sobre o que tem que fazer dentro de campo — completou Weverton

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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