Uma noite inesquecível garantiu o maior Atlético x Cruzeiro da história

Para a Copa do Brasil, para quem gosta de futebol e para a torcida mineira, foi uma noite inesquecível. Afinal, atleticanos e cruzeirenses vão ter problemas para dormir, nesta quinta e nas próximas três semanas de espera até a definição do título. O Mineirão será palco dos confrontos mais importantes da história do clássico de Minas Gerais. Dois jogos que se prometem inesquecíveis, especialmente pela maneira como Atlético e Cruzeiro têm enchido suas torcidas de orgulho nos últimos dois anos. O time que desconhece o impossível encara o rolo compressor do Brasileirão. Uma taça para engrandecer as fases fantásticas da dupla.
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Muita gente esperava que esse Galo x Raposa pudesse acontecer na semifinal da Libertadores. Os infortúnios dos mineiros não permitiram. Mas ele acontece desta vez, valendo troféu e surpreendendo quem já descartava a chance do dérbi. Uma desconfiança natural aos incrédulos torcedores de outros clubes, mas não para atleticanos e cruzeirenses. O Atlético rebobinou o filme épico para reviver a sensação do 4 a 1 milagroso, justo contra o Flamengo que lhe traz lembranças tão ruins. Já o Cruzeiro deu mais uma prova de força a não apenas marcar o gol em um jogo que parecia perdido, mas também buscando o empate por 3 a 3 com o Santos dentro da Vila Belmiro. Por mais que o Campeonato Mineiro e o Brasileiro tenham guardado outros tantos grandes momentos, com equipes até mais talentosas que as atuais, nunca houve clássicos mais importantes que estes.
No Mineirão, o difícil agora é acreditar que o Galo não consegue virar uma situação adversa. Os atleticanos banalizaram o impossível, ao refazerem o mesmo caminho tortuoso que já tinham atravessado contra o Corinthians. O Flamengo chegou a liderar por 3 a 0 no placar agregado, dando ainda menos tempo para os mineiros buscarem a façanha do que contra os paulistas. Conseguiram. Como também já tinham feito tantas vezes na Libertadores de 2013. Desta vez, com um novo herói: Luan.
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O que o ponta jogou no Mineirão beirou o absurdo. Luan parecia se multiplicar, presente em cada metro quadrado do campo. Depois que Éverton abriu o placar, quem se encarregou de manter o Galo vivo foi Carlos, Maicosuel e Dátolo. No entanto, diante da enorme pressão ofensiva do Atlético, o garoto se consagrou ao marcar o gol definitivo aos 40 minutos do segundo tempo. Para quem se acostumou a ver os atleticanos reverterem a lógica, o óbvio é esperar que a dificuldade das epopeias aumente. Por mais que São Victor ainda tenha operado o seu milagre nos acréscimos, garantindo o triunfo com a ponta dos dedos.
Enquanto isso, o cansaço do Cruzeiro nos últimos jogos do Brasileirão parecia pesar na Vila Belmiro. A chuva pesada e o gás do Santos eram outros dois agravantes. E o gol de Robinho logo aos dois minutos, combinado com a lesão de Dedé, era um enorme susto. A resposta imediata de Marcelo Moreno trouxe fôlego aos cruzeirenses, por mais que os santistas pressionassem. Ainda assim, Gabriel e Rildo, entre o fim do primeiro tempo e os 13 do segundo, iam deixando a classificação com o Peixe.
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O problema é que não se pode colocar contra a parede um grande time como o do Cruzeiro. Afinal, a equipe celeste tem jogadores bons o suficiente para virar o tabuleiro. A partir da metade final da segunda etapa, quem pressionava eram os visitantes. E ficou impossível para o Santos segurar o placar quando Willian apareceu para decidir. O homem do jogo no Mineirão garantiu a classificação aos 40, e ainda confirmou o empate por 3 a 3 aos 49.
Se não dá para duvidar da cota inesgotável de milagres do Atlético, também não é possível colocar em xeque a força do Cruzeiro. As duas melhores equipes do futebol brasileiro desde 2013, e que também vivem grandes momentos dentro de suas histórias: os alvinegros, vindos de seu título mais importante; os celestes, na fase mais dominante no cenário nacional. Não é só o Mineirão que ficará pequeno para a decisão da Copa do Brasil. Se tinha gente que apontava o Dilma x Aécio do segundo turno como a maior disputa no país no ano, ou a Copa do Mundo como o maior evento esportivo, até esses poderão mudar de ideia diante daquilo que 2014 ainda reserva. Atlético e Cruzeiro prometem mais duas noites inesquecíveis, e que por muito tempo serão recontadas.



