‘Esse jogo foi uma das maiores vergonhas que eu tive no Corinthians’
Renato Augusto, que anunciou a aposentadoria recentemente, se declarou ao torcedor corintiano e relembrou momentos épicos com a camisa alvinegra
Duas décadas, muitos títulos e histórias para contar. Renato Augusto viveu uma carreira magnífica no futebol e marcou a trajetória de diversos clubes e também da seleção brasileira. O meia anunciou sua aposentadoria neste mês de setembro, e agora já começa a fazer planos para seu futuro.
Ídolo do Corinthians, o jogador teve uma história sólida no Timão, conquistou três títulos (Paulistão 2013, Recopa Sul-Americana 2013, e o Brasileirão 2015) em duas passagens pelo clube alvinegro. Inclusive, o desejo do meia era se aposentar no time paulista, mas por situações do destino, colocou o ponto final na carreira como atleta do Fluminense.
— Minha ideia era parar no Corinthians. Meu contrato acabava, era ano de eleição, enfim, não sabia muito bem o que ia acontecer. Na minha cabeça, eu ia renovar mais um ano e parava. Mas coisas aconteceram, no futebol nada é programado, né? Tive a oportunidade de ir para o Fluminense, trabalhar também com os novos amigos, com um cara que eu admiro muito, que é o Fernando Diniz — disse o jogador em entrevista ao ‘ge’.
— Infelizmente, não tive a oportunidade de encerrar no Corinthians, mas tive a oportunidade de ter conquistado um título importante — completou, fazendo referência a Libertadores conquistada pelo Fluminense em 2023.

Relação com a Fiel do Corinthians foi ponto positivo para Renato Augusto
Apesar das alegrias vividas no Timão, nem todos os momentos foram felizes. Em entrevista ao “ge”, o jogador relembrou um episódio que o marcou profundamente, mas que apesar das adversidades, mostrou um lado diferenciado da torcida alvinegra.
— Tem um jogo que foi uma das maiores vergonhas que eu tive no Corinthians. Já no final do meu último ano, por acaso, foi o meu último gol pelo Corinthians, estava 3 a 0 para o Bahia, aquele jogo em que nada dá certo. Aí o time começa a melhorar um pouquinho, eu faço um gol. Aí pênalti para o Bahia, acho que aos 43 do segundo tempo — começou o ex-jogador.
— A gente brigando para não cair, era só ganhar no Bahia e praticamente resolvia. Cara, em qualquer lugar do mundo ia vir a maior vaia da história. Os caras começam a cantar o hino: Eu senti vergonha. Se tivesse um buraco… Foi o momento que eu senti e falei: “os caras mereciam”. Foi doído. São coisas que marcam. Por isso que o Corinthians para mim foi o time mais marcante da minha carreira — explicou Renato.
Para ele, alguns de seus melhores momentos no Corinthians foram ao lado da Fiel. Para Renato, embora a torcida brasileira seja a que mais hostiliza seus atletas, os torcedores do Timão possuem um diferencial.

— Aqui é disparado (um ambiente mais hostil). É realmente é um ambiente um pouco mais agressivo e cada vez tem mais casos até de contato físico, algumas coisas que são perigosas — começou.
— Já a torcida (do Corinthians) é uma que não tem vaia, ela apoia, vai te envolvendo. Tem aquele dia que você não está bem, e isso acontece com qualquer jogador, desde o Messi. O time parece que não encaixa, você pensa numa jogada e não vai, o passe não está bom, o chute está horroroso. Se pega uma torcida que começa a vaiar, já vai dando aquela… O time começa a descer — contou.
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Craque do Brasileirão e grande ano em 2015
A primeira passagem de Renato Augusto pelo Corinthians começou em 2013, mas apenas em 2015 que o jogador de fato brilhou com a camisa alvinegra. Nesta temporada, inclusive, o Timão foi campeão brasileiro com destaque para o meia.
— A gente começa a temporada muito bem. Se eu não me engano, terminamos em primeiro na chave da Libertadores, um dos primeiros clubes no geral. E tem o jogo contra o Guarani do Paraguai, que dá um apagão, tomamos 1 a 0. Quando a gente veio jogar na arena, tivemos jogadores expulsos, foi uma derrota doída, porque vem uma pressão muito grande externa. Financeiramente o clube viveu um momento difícil. Alguns jogadores já tiveram que começar a sair. O Sheik sai, que era um grande ídolo. O Paolo (Guerrero), que era outro grande ídolo do clube, sai. A gente começa a perder os cabeças. Eu comecei a ficar preocupado. Tivemos uma conversa com o presidente, que falou: “não vai sair mais ninguém. Agora vamos assim” — relembrou Renato Augusto.
— Depois o time encaixou e vai até o final. No meio-campo, o Ralf no momento que marcava para todo mundo, o Elias que infiltrava na inteligência tática, e eu e o Jadson. Naquela época a gente até brincava, parecia que o Jadson tinha visão 3D, porque ele conseguia enxergar coisas que ninguém enxergava, aqueles espaços diferentes — completou.



