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Troca de gentilezas

O equilíbrio é uma das marcas do Brasileirão deste ano. Se era difícil prever quem brigaria pelo título antes da competição começar, a situação é pouca coisa diferente faltando nove rodadas para o final.

O time que mais rodadas liderou até agora é o Fluminense, com 17. Ainda assim, é um time pouco confiável. As lesões assolam o técnico Muricy Ramalho na armação do time, com Fred ausente praticamente todo o campeonato. Washington, seu substituto pós-Copa, é sempre muito instável. Conca, o melhor jogador, está estafado por ter jogado todas as partidas, indo ao limite do seu estado físico.

Além destes problemas, o Flu ainda tem que conviver com o fracasso de suas duas contratações sonantes pós-Copa. O meia Deco e o lateral/meia Belletti não corresponderam o quanto se esperava. Deco ainda poderá ser útil, mas mesmo que faça bons jogos na reta final, já terá feito menos do que era esperado dele.

A lesão de Emerson também complicou a vida do tricolor, que viu seu principal jogador de ataque afastado. O resultado é a instabilidade que atormenta o time, com o perde e ganha que ora põe o time na ponta, ora tira.A sequência faz crer que o time terá muitas dificuldades: Fluminense, 54 pontos: Grêmio (C), Internacional (F), Vasco, Goiás (C), São Paulo (F), Palmeiras (F) e Guarani (C).

O segundo colocado, Cruzeiro, é um time em ascensão e dos que possui o mais equilibrado elenco entre os três principais concorrentes ao título. Montillo pode ter perdido pênalti no final de semana, mas é o destaque da equipe. Gilberto e Roger, meias que tem sido reservas, são opções ótimas para mudar um jogo.

Com o time taticamente acertado, tem pela frente adversários teoricamente menos capazes de oferecer perigo. O Corinthians no Pacaembu será o grande desafio celeste nas rodadas finais. Cruzeiro, 54 pontos: Grêmio Prudente (F), São Paulo (C), Vitória (F), Corinthians (F), Vasco (C), Flamengo (F) e Palmeiras (C);

O Corinthians, segundo concorrente que mais ficou na liderança, é outro que sofre com lesões. Além de Ronaldo, que mais fica fora do que joga, Dentinho e Jorge Henrique são ausências muito sentidas. Tite, porém, deve dar sua consistência habitual ao time, protegendo a defesa, exposta com Adílson Batista.

Ronaldo, porém, voltou ao time. E com um jogo por semana, o atacante pode fazer a diferença mesmo fora de forma, ainda mais quando a outra opção de ataque é Iarley. Ele não é o fenômeno de antes, mas é a melhor opção – e quase única, considerando que o banco deve ter William Moraes, que ainda é um jovem de 19 anos.

A sequência do Corinthians pode ajudar. O confronto direto com o Cruzeiro no Pacaembu dá uma vantagem ao Timão. Nos demais confrontos, enfrentar o São Paulo pode ser um problema por ser um clássico, mas atualmente o Corinthians está mais bem organizado e é favorito. O Goiás pode estar brigando para não cair na última rodada e, por isso, pode ser perigoso. Corinthians, 53 pontos: Flamengo (F), Avaí (C), São Paulo, Cruzeiro (C), Vitória (F), Vasco (C) e Goiás (F).

A disputa pelo título tem esses três times como protagonistas, mas um coadjuvante tenta roubar a cena. O líder do segundo turno é o Grêmio, com 27 pontos em 12 jogos disputados. O Segundo colocado, Cruzeiro, que disputa o título diretamente, tem 23. Ou seja: 57% dos pontos do Grêmio foram conquistados no segundo turno – sendo que ainda faltam sete jogos, o que inevitavelmente aumentará essa porcentagem.

O time se acertou com Renato Portaluppi. O treinador entrou na 14º rodada. De lá para cá, foram dez vitórias, cinco empates e apenas três derrotas nos 18 jogos que disputou. O aproveitamento é de 64,8% – mais do que o Fluminense e o Cruzeiro, líder e vice-líder, que têm 58,1%. É de se compreender quando Renato fala que o time brigaria pelo título se ele estivesse desde o início do Brasileirão.

A tabela do Grêmio é favorável. Os jogos mais complicado é o Santos, fora de casa. Atlético-PR e Botafogo até disputam vaga na Libertadores, mas serão recebidos dentro do Olímpico, com o time em ótima fase. Noves fora, o favorito é o Grêmio para levar os pontos. O Goiás é um adversário perigoso porque briga contra o rebaixamento, mas o time é fraco. Confira a lista dos jogos: Grêmio, 47 pontos: Goiás (F), Ceará (C), Santos (F), Atlético-PR (C), Guarani (F), Botafogo (C).

Olhando o aproveitamento de Renato e projetando os jogos, não é difícil imaginar que o Grêmio consiga vencer a maioria desses jogos e brigar na parte de cima da tabela. E não só brigando por Libertadores, uma vez que nenhum dos três primeiros parece capaz de manter a regularidade. É a zebra, é improvável, mas impossível não é, ainda mais se tratando do Grêmio, que tem o apelido de imortal.

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Equipe Trivela

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