Brasil

Três pontos que Carille precisa corrigir com urgência no Santos

Santos tem Fábio Carille como figura central da reconstrução após o rebaixamento, já que o técnico tirou o time de uma situação difícil em 2021

Com apenas duas competições para disputar na próxima temporada, o Santos tem em Fábio Carille a figura central da reconstrução. O técnico, que já tirou o time de uma situação muito difícil em 2021, retorna à Vila Belmiro após duas temporadas no Japão com a missão de remontar o elenco santista e conduzir o time à Série A.

Mas para alcançar o principal objetivo da próxima temporada, o treinador terá que acertar muitas coisas no clube alvinegro – algumas mais urgentes que outras. Pensando nisso, a Trivela separou três pontos que Carille precisa corrigir com extrema rapidez para formar um time competitivo a tempo do início do próximo ano. 

Contornar ambiente caótico 

A temporada do Santos foi regada a polêmicas e conflitos. Desde o escândalo da máfia das apostas, que acarretou na punição do zagueiro Eduardo Bauermann, o clube coleciona episódios de mau comportamento e tem apresentado muita dificuldade para disciplinar seus atletas. 

Vale ressaltar o episódio mais recente, envolvendo Marcos Leonardo e Jean Lucas, que viajaram alterados para enfrentar o Athletico-PR, no início de dezembro. Por mais que Jean Lucas esteja sendo negociado com o Internacional e o futuro de Marcos Leonardo provavelmente seja a Europa, a troca de atletas não vai resolver um problema que tem origem na mentalidade. 

Não que a responsabilidade de “educar” um elenco seja toda do treinador, mas como o time da Baixada Santista tem um retrospecto bem extenso no assunto indisciplina, a única forma de contornar esse ambiente caótico é aliando o discurso entre comandante e diretoria. Neste primeiro momento, urge a necessidade de Carille “botar ordem” no vestiário. 

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Arrumar a defesa

Carille carrega a fama de ser um treinador retranqueiro, apesar de não ter abraçado este conceito durante sua coletiva de apresentação. De qualquer forma, é exatamente do que o Santos precisa: um técnico que consiga resolver o problema do setor defensivo. Em 2023, a equipe santista sofreu 87 gols em 62 partidas, o que representa 1,4 por jogo. 

Para efeitos de comparação, em sua primeira passagem pela Vila, Carille comandou o Santos em 27 partidas e sofreu 24 gols, uma média de 0,8. O ataque não era o forte daquela equipe (foram 23 gols marcados), mas é inegável que o treinador soube dar jeito na zaga. 

À época, ele utilizou um sistema com três zagueiros, que chegou a aparecer nas escalações de Marcelo Fernandes na reta final do Brasileirão, antes do rebaixamento, mas o time continuava a ser vazado com frequência. Quem não se lembra do 7×1 no Beira-Rio, sofrido para o Internacional, pela 28ª rodada do Brasileirão. 

– Falando do meu momento em 2021, eram três zagueiros, mas com jogadores de lado: Marcos Guilherme, Lucas Braga ou Madson. Meu meio de campo não tinha nenhum marcador, com três atacantes: Marinho, Marcos Leonardo, Tardelli, Ângelo, Léo Baptistão – relembrou o treinador em sua apresentação.

Olhar assertivo para o mercado

O rebaixamento histórico à Série B vai ter um impacto catastrófico nos cofres do Alvinegro em 2024. Ou seja, Carille está longe de ter cifras infinitas para montar seu elenco dos sonhos. Por isso, enquanto a nova gestão tenta convencer nomes remanescentes a aceitarem a redução de salário, o treinador precisa ter olhos treinados para as oportunidades de mercado e, junto com o departamento de futebol, mostrar que consegue fazer uma limonada com só metade de um limão.

O técnico paulista considera que ainda é cedo para falar em chegadas e saídas, mas parece que os testes para ele já começaram, principalmente com a iminência das saídas de Jean Lucas e Soteldo, peças fundamentais do meio-campo. Até agora, somente Diego Pituca está confirmado como reforço.

– Ainda está muito cedo para pensar em saída de jogador, primeiro tem de ter a chegada de jogador, se não daqui a pouquinho não chega nenhum e soltamos jogadores importantes. Está muito cedo para falar de grupo e elenco. Nos próximos dias vão tendo definições e o clube vai passando o que está acontecendo – ponderou. 

Por fim, o olhar carinhoso que Carille sempre teve com a base, ao longo de sua carreira, pode ser uma forma de preencher vagas, principalmente no banco. Ele afirma que pretende aproveitar o celeiro dos Meninos da Vila. 

– Eu vou falar de dois anos aqui que eu posso falar bem. Eu gosto demais. Em 2017, no Corinthians, eu tinha 14 jogadores da base. Em 2021, no Santos, eu tinha muitos garotos. Robson, Pirani, Marcos Leonardo, Ângelo… Tantos outros. Balieiro, Zanocelo, Sandry, que era um jovem e estava machucado. Eu gosto de trabalhar. Falamos bem pouco. Já sei do Jair, é um jovem de muita qualidade. Por esses dias aqui o clube vai me passando e vou estar muito próximo.

Vale ressaltar que assertividade não tem sido o forte do Santos. Na janela do meio do ano, o clube atacou no mercado de transferências e contratou um “pacotão” para tentar salvar o time do rebaixamento. Chegaram o lateral-direito Júnior Caiçara, o zagueiro João Basso, o lateral-esquerdo Dodô, os meias Tomás Rincón, Jean Lucas e Nonato, e os atacantes Julio Furch e Maximiliano Silvera. Boa parte deles provou que nem sempre um elenco inchado é sinônimo de sucesso.

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