Brasil

Após saída conturbada, Carille retorna ao Santos com nova polêmica e admite problema com Edu Dracena

Em comunicado oficial, V-Varen Nagazaki, clube com o qual Carille tem contrato vigente, se diz 'surpreso' com o acerto entre o técnico e o clube alvinegro

Quando deixou o Santos em sua primeira passagem, em fevereiro de 2022, Fábio Carille saiu pela porta dos fundos. À época, o treinador teve problemas com Edu Dracena, então figura central do departamento de futebol do Santos, e admitiu essa rusga na coletiva de apresentação desta quarta-feira (20). Menos de dois anos depois, o retorno do técnico se dá em meio à nova polêmica, desta vez envolvendo o V-Varen Nagazaki, do Japão, com quem Carille tem contrato. 

Horas antes do início da apresentação de Carille, o clube japonês emitiu um comunicado alegando estar surpreso com o acerto entre o técnico e o time da Baixada Santista. No comunicado, a equipe asiática nega que tenha recebido qualquer oferta oficial do Santos e afirmou que recebeu a informação da saída do treinador pelas redes sociais. 

Esta série de notícias causou ansiedade entre todos no clube, que compartilham nosso desejo de usar a decepção desta temporada como um trampolim para chegar à primeira divisão na próxima temporada. Pedimos sinceras desculpas pelo ocorrido – disse Akito Takada, presidente do V-Varen, em comunicado oficial. 

Vale ressaltar que o treinador de 50 anos tem contrato válido com o V-Varen, documento este que prevê o pagamento da multa rescisória de R$ 7 milhões – quantia que o próprio presidente eleito, Marcelo Teixeira, diz que o Santos não dispõe neste momento. 

Em coletiva, Carille disse não estar ciente dos detalhes financeiros da negociação e, que independentemente das burocracias envolvendo as tratativas, tem compromisso firmado com o Santos. Quem cuida de toda a negociação é o empresário do comandante. 

– Nessa mesma nota (do V-Varen), fala que eu comuniquei na segunda à noite. Tive uma conversa com o diretor e, na sequência, fizemos uma conferência com o dono do time, a quem sou muito grato pelo que vivi lá. Passei a minha decisão, eles tentaram reverter propondo um contrato mais longo, mas eu já tinha tomado a decisão. Eles foram comunicados na segunda-feira (18) à noite daqui. Quem cuidou da minha saída foi o presidente Marcelo e o meu empresário, Paulo Pitombeira. 

Após a coletiva, Fernando Bonavides, vice-presidente eleito, afirmou que o acordo será divulgado em breve, e que a expectativa do Santos é não ter de pagar nenhum valor de multa.

– A informação que a gente teve, em conversas, é de que haverá um acordo em relação a isso. O Carille tem um excelente relacionamento com o presidente do clube (japonês). A nossa expectativa é que, inclusive, nem haja valores a serem pagos, conforme nosso próprio orçamento – comentou o vice. 

‘Meu problema era o Dracena’

Após garantir a permanência do Santos na Série A do Brasileirão 2021, na décima colocação da tabela, Carille teve um início ruim no estadual, em 2022. Os bastidores já eram de muita tensão no Peixe na temporada passada, principalmente pelos anos em baixa do time, o que deixou a relação entre o ex-executivo de futebol, Edu Dracena, e o técnico paulista muito complicada. 

– Eu dei algumas entrevistas nos últimos dias. Meu problema aqui dentro foi o Dracena. Não vamos ficar falando muito isso. Na verdade, ele não me queria. Terminamos o ano bem. A torcida queria que continuasse. Mas ele não queria. É algo que não precisamos falar mais, mas meu problema aqui foi o Dracena. Não briguei com ele em nenhum momento, mas ele não me queria.

O Alvinegro teve seis técnicos desde a última estadia de Carille na Vila Belmiro. Depois dele, Fabián Bustos (2022), Lisca (2022), Odair Hellmann (2023), Paulo Turra (2023) e Diego Aguirre (2023) passaram pela comissão técnica, mas não permaneceram. Aliás, a troca constante de treinadores tem sido um fator muito importante, e que marcou a derrocada do grupo, principalmente neste ano. 

Os números de Carille em sua primeira passagem estão longe de terem sido brilhantes, mas deixaram saudade ao torcedor, principalmente na organização defensiva. Foram 27 partidas no comando, e apenas 24 gols sofridos, apesar do ataque santista também ter tido uma média baixa – 0,85 gol por partida.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Jornalista pela UniSantos com passagem pelo Jornal A Tribuna de Santos. Já trabalhou na cobertura de jogos da Libertadores e das Eliminatórias Sul-Americanas no Brasil e no Exterior. Na Trivela, é setorista do Santos.
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