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‘Chega de sufoco’: Carille evita falar sobre montagem de elenco, mas põe foco no Paulistão

Muito à vontade, Carille retorna ao Santos após trabalhar por duas temporadas no Japão e estabelece sarrafo mais alto para a próxima temporada

De volta ao Santos, após passagem pelo Japão, Fábio Carille concedeu a primeira entrevista coletiva de sua segunda passagem, na manhã desta quarta-feira (20), acompanhado do vice-presidente eleito, Fernando Bonavides, e do coordenador de futebol, Alexandre Gallo. O treinador evitou falar sobre montagem de elenco, principalmente sobre as saídas do grupo, mas colocou um foco claro para a próxima temporada: fazer uma boa campanha no Campeonato Paulista.

– O Paulista é um campeonato gostoso, difícil. É um estadual que temos de valorizar porque te prepara para as coisas. Começamos ontem a falar (sobre a competição). É muito cedo para falar de grupo e elenco. O Alexandre (Gallo) tem me passado tudo. Fiquei com ele a tarde toda. Fiquei conversando, discutindo, entendendo o clube, eles entendendo o que eu penso. Claro que é muito cedo. Você começa a discutir uma maneira de jogar quando tem o time mais montado – afirmou o técnico. 

Somente com a Série B do Campeonato Brasileiro para disputar no segundo semestre de 2024, Carille disse que a equipe alvinegra vai brigar por título também na competição nacional, sem sombra de dúvidas, mas garantiu que esse é um pensamento para um segundo momento. 

– Temos que ir por partes. Penso em chegar no Paulista. E vamos entrar com esse objetivo (de ser campeão). Nas primeiras reuniões, deixar bem claro que cada jogo é uma decisão e nossa primeira decisão é contra o Botafogo. Até para ganhar força e confiança durante o ano. Temos de entrar na Série B pensando em coisas grandes, em título, sim, mas vamos construir primeiro para pensar nisso depois. 

“Chega de sufoco”

Em sua primeira passagem pelo Santos, em 2021, Fábio Carille chegou com a responsabilidade de tirar o time do sufoco. Naquele ano, o clube alvinegro já passava por dificuldades e começava a desenhar um cenário complicado, que culminou com o primeiro rebaixamento em sua história nesta temporada. E, sem hesitar, o treinador elegeu aquele momento o mais desafiador da carreira até o momento. 

– O trabalho mais desafiador da minha carreira foi em 2012 no Santos. Tinha ainda a questão da pandemia, com jogo em cima de jogo. Eu estreei numa sexta aqui (na Vila), foi tudo atropelado, não tinha tempo para trabalhar. O mais desafiador foi aquele. Agora, é um começo, é um planejamento. Vai ter pouco tempo, mas dá para ter uma ideia de jogo. Estou muito tranquilo em relação ao tempo. Não tenha dúvidas que o maior desafio da minha carreira foi em 2021. 

Muito por conta disso, a mentalidade do professor para o próximo período à frente do clube é muito diferente. Se no passado, a ideia era “salvar” a equipe, agora, a reconstrução traz consigo a possibilidade de sonhar com títulos e trabalhar com um planejamento a longo prazo. 

–  Sabemos das dificuldades que o Santos está tendo nos últimos anos, mas estamos sendo muito otimistas. Vamos trabalhar para brigar por coisas grandes. Chega de sufoco, de coisa pequena – ponderou. 

Sem papo de retranqueiro 

Ao longo da coletiva, muitas perguntas levaram ao mesmo tópico: sistema defensivo. Por ter fama de retranqueiro, Carille foi questionado diversas vezes se pretende utilizar essa mesma tática nas competições do próximo ano, e disse que quer um estilo mais propositivo, com equilíbrio entre a defesa e o ataque. 

Não é uma preferência minha (retranca). Eu gosto do 4-2-3-1. Se eu tivesse que montar um elenco do zero, eu ia buscar isso. Mas não sou engessado num esquema tático. Eu gosto de jogar assim, não tenho de jogar assim. Quando tivermos a definição do elenco, vamos sentar junto com todos e definir uma forma de jogar, porque nossa pré-temporada é muito curta. Não dá tempo de ficar fazendo muitas experiências, porque dia 21 já temos a estreia contra o Botafogo. 

– Falando do meu momento em 2021, eram três zagueiros, mas com jogadores de lado, Marcos Guilherme, Lucas Braga ou Madson. Meu meio de campo não tinha nenhum de marcação, com três atacantes. Marinho, Marcos Leonardo, Tardelli, Ângelo, Léo Baptistão. Enfim… essa questão de eu ser totalmente reativo, eu entendo totalmente sobre (ter acontecido em) 2019. Foi um ano muito bom, chegamos à semi da Sul-Americana, fomos campeões paulistas. Mas olhar esses momentos do Santos, de 2017 e de 2021, meu time não era reativo. 

Nada de pressão, Carille está à vontade

Feliz por estar de volta ao Brasil após duas temporadas no V-Varen Nagasaki, Carille já pensa até no próximo churrasco que vai fazer no CT Rei Pelé. Mesmo com o entrave ligado à equipe japonesa, que questiona a saída dele, o técnico está muito à vontade, preparado para o novo desafio. Inclusive, a percepção de quase toda a imprensa presente na coletiva desta quarta é de que o técnico está animado. 

– Não me sinto pressionado, sem brincadeira nenhuma. Me sinto bem à vontade. Desde as conversas por telefone. Estou me sentindo muito à vontade e feliz para realizar um bom trabalho. 

– Eu gosto demais de Santos. As pessoas que conviveram comigo e hoje falam do Marcelo, ele sabe o quanto saí triste daqui. O quanto vivi bem aqui. O quanto tive um carinho muito grande na cidade, no período. Terminamos muito bem, em décimo. Estou muito feliz mesmo, até emocionado. Uma camisa deste tamanho… Acho que agora vou conseguir fazer um churrasco aqui com meu pai e com os jogadores que eu sempre ouvi falar. Espero num momento de tranquilidade trazê-lo para esse momento que ele tanto espera.

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