Quando quer, o torcedor é o melhor do futebol
Mas quando abraça a violência, o mau torcedor só atrapalha
Dois exemplos de comportamentos extremos de torcedores chamaram a atenção no futebol brasileiro nos últimos dias.
Comecemos pelo bom exemplo.
O torcedor do Santos, machucado pelo rebaixamento à Série B nacional, deu provas de que vai pegar o Peixe no colo e carregar durante 2024. Ao lotar o Morumbis com 50.123 torcedores, estabelecendo o recorde do estádio nesta temporada, os santistas deram um exemplo de fé e confiança no futuro. Detalhe: o time já estava classificado para as quartas-de-final do Campeonato Paulista.
Alguns aspectos ressaltam a importância do feito. Primeiro, a dificuldade em comprar ingressos, um dos muitos males da péssima organização do futebol nacional. Depois, o horário ingrato em pleno verão. Mas nada disso ofuscou a festa do torcedor, marcada pela grande presença de jovens e crianças, desconstruindo a tese jocosa de que o Santos tem uma torcida envelhecida.
Porém, é preciso lembrar do comportamento ruim de torcedores do Santos em episódios recentes, provocando punições ao clube e ameaçando inclusive os próprios atletas, como no dia da confirmação do rebaixamento.
Nem só de bons exemplos, no entanto, é feito o torcedor brasileiro
Agora vamos ao mau exemplo.
Uma parcela de celerados da torcida do Sport Club do Recife, normalmente apaixonada e vibrante, armou um atentado contra o ônibus dos jogadores do Fortaleza após um jogo da Copa do Nordeste. Até uma bomba foi utilizada na ação que remete a um ato terrorista.
Este tipo de comportamento de maus torcedores depõe contra as massas que formam o universo dos simpatizantes. A maioria quer apenas curtir seu time e desopilar. Sempre escapa um xingamento aqui e ali, pode rolar um bate-boca, mas situações como a ocorrida em Recife jogam na lama a imagem do futebol como produto.
Casos semelhantes têm sido registrados há muito tempo. Agressões aos goleiros Ricardo Pinto e Danilo Fernandes, emboscada a pedradas a ônibus de jogadores, invasão de CT, ameaças em aeroportos e hotéis.
Quando querem, os torcedores verdadeiros produzem espetáculos emocionantes, dão provas genuínas de paixão e fazem do futebol um dos mais belos exemplos de fidelidade.
Que venham mais comportamentos como os dos santistas genuínos.
Que punam exemplarmente os maus torcedores do Sport e de todos os times.