Tite elogia o Vasco, reclama até da bola do Carioca e quer Flamengo mais incisivo em 2024
Treinador concedeu primeira entrevista coletiva pelo Flamengo no Maracanã em 2024 neste domingo (04), após empate sem gols diante do Vasco
Mesmo que tenha visto a vitória escapar pelos dedos na reta final, Tite iniciou a primeira coletiva de 2024 no Maracanã com a serenidade rotineira. O treinador fez questão de elogiar o Vasco de Ramon Díaz, que dificultou seu trabalho no Clássico dos Milhões, e viu grande espaço para evoluir, por parte do Flamengo. Os detalhes decidiram o jogo, e o Rubro-Negro acabou pecando no último passe.
O que Tite disse?
- Viu um Flamengo com ampla margem de melhora, especialmente no primeiro tempo
- Elogiou a postura do Vasco
- Criticou o gramado e até a bola do Campeonato Carioca
- Fez um apelo a favor da torcida mista nos clássicos
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Faltou intensidade ao Flamengo, Tite?
— Isso é relativo. Dentro do nosso modelo, fomos felizes. Como o Tite disse, a gente conseguiu, dentro do modelo, levar até a intermediária ofensivas. Faltou uma qualidade melhor nas finalizações, nas assistências. Dentro do que planejamos, as coisas aconteceram. Sabíamos que o Vasco tinha a bola aérea e o contra-ataque. Entendo que o time foi intenso, mas não conseguiu transformar, dentro do nosso modelo, em oportunidades de gol.
Além de falar sobre o jogo, Tite também abordou a beleza e as nuances que um clássico com as duas torcidas presentes pode proporcionar. O respeito do comandante pelo adversário é nítido, e ele ainda relembrou um episódio em que teve a fala sobre o assunto silenciada.
— Futebol tem outra dimensão de espetáculo. Como técnico, carrego comigo uma responsabilidade de jogar bem e vencer porque quero ver o torcedor feliz. Mas tem um respeito do outro lado. Tem que existir. Se não os valores ficam perdidos. Não dá para ter o Ministério Público, como aconteceu comigo, pedir para não dar nenhuma declaração (sobre isso). Não é assim — concluiu.
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Gabigol explica pênalti perdido
Um dos personagens do Flamengo na partida, mas não pelas razões que a torcida espera, Gabigol falou com a imprensa depois do apito final. O camisa 10 desperdiçou um pênalti, sofrido por Arrascaeta, com 40 minutos do segundo tempo, e fez com que a torcida tivesse um anti-clímax no Maracanã. O atacante explicou o que pensou na hora da cobrança.
— Podia ter batido (o pênalti) um pouco mais forte. Foi um lance que ele (Leo Jardim, goleiro do Vasco) pôde ir muito bem. Fiquei feliz por ter jogado mais tempo. Temos muito pela frente — analisou.
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Bruno Spindel, diretor de futebol do Flamengo, também falou sobre o assunto durante a coletiva do técnico Tite e confirmou que cobrou explicações à FERJ sobre um possível adiantamento de Léo Jardim na hora da cobrança. O executivo revelou que, dentre as imagens mostradas na cabine do VAR, nenhuma concluiu tal infração.
— Tudo dentro da linha de transparência da FERJ e da relação que tivemos com a Federação. Havia uma dúvida nossa se o Leo Jardim havia adiantado, ou não, na cobrança. A melhor imagem disponível do VAR foi mostrada depois do jogo, na própria cabine. Por essa imagem, não dá para se concluir. Só querendo esclarecer que o Flamengo buscou isso junto à FERJ. Não tem uma imagem que conclua com segurança que o goleiro se adiantou — revelou.
Gabriel Barbosa também foi perguntado sobre a sequência da temporada, muito pela questão do contrato expirante com o Flamengo. Se alguém esperava uma resposta mais “áspera”, pela perda do pênalti e dos três pontos, Gabi manteve o tom de que 2024 está só começando.
— Estou muito bem, estou muito feliz. Tenho melhorado bastante das dores que vinha sentido desde o ano passado. Estou me sentindo 100% (fisicamente). Temos muitos treinos, com jogos vamos melhorar o ritmo de jogo. Precisamos melhorar, estamos no começo. Agora vamos ao próximo passo — finalizou.
O Flamengo volta a campo na próxima quarta-feira (07), às 21h30 (de Brasília), para enfrentar o Botafogo, no segundo clássico consecutivo válido pela Taça Guanabara. No momento, o Rubro-Negro ocupa a sexta posição na tabela, com nove pontos e um jogo a menos do que os demais adversários.
Veja outros pontos abordados na coletiva
Sobre o jogo
— Nós tentamos neutralizar a fonte, que era o Lucas Piton. No primeiro tempo, tivemos mais dificuldade. No segundo tempo, conseguimos controlar melhor. (Vegetti) É um atleta que tem o tempo de bola como um dos pontos mais fortes.
— No jogo, fizemos a iniciação e construção média com qualidade. Faltou objetividade e finalização. Não de bola aérea, mas de infiltrações. No segundo tempo, teve infiltração e finalização. Também vimos que o adversário as bloqueava. É um processo de evolução da equipe, neste último terço. Da melhor escolha, da finalização.
— Teve uma crônica que diz que a bola fala e o campo fala. Eu acredito que sim. Não só mais uma liberdade criatividade dos dois, com o Gerson e com o Erick. Esse quarteto tem uma qualidade de passe impressionante. O imediatismo não é a chave, esse processo é evolutivo.
Reclamações para o gramado do Maracanã e a bola do Carioca
— A percepção que eu tenho é só minha. Não falei com os atletas. O campo ficou mais rápido, sim, é sempre uma bola mais rápida. Estou relutando para dizer que a bola… A bola é difícil. A qualidade… O problema não é do campo. A bola é mais do que o campo. Não acredito que o campo teve influência.
O Carioca é o principal Estadual mesmo?
— Quando fiz uma menção, fui parcial. Não contexualizei. Me referi as quatro grande equipes, que estavam na final do ano o campeão da Libertadores, o Botafogo que quase foi campeão brasileiro, Vasco numa retomada e o Flamengo. Os quatro grantes de São Paulo estavam retomando ao seu melhor. As críticas sobre conjunto foram corretas e aceito
O calendário do Flamengo
— Entendo que apareci num Campeonato Estadual. A maior dos atletas tem essa oportunidade. Entendo que é mais a gestão do número de jogos. Para que equipes da Série A, B, que disputam a Copa do Brasil, tenham intervalo maior. Perde todo mundo. As vezes perdemos atletas por lesões. Mas, sim, diminuir o número de jogos de equipes que tem vários jogos durante o ano poderia amenizar isso. Mas o brilho do Estadual é ver jogadores das menores equipes aparecendo.
De La Cruz começou bem
— De La Cruz é um dos articuladores laterais. Eventualmente, no River, ele jogou como segundo externo, de flutuação e criação. Ele tem essa versatilidade. Fez um belo jogo hoje. Então, temos essa capacidade criativa com esses jogadores. Mas, sim, temos que finalizar de média distância.