Futebol brasileiro

Tim Vickery: A mudança de dez anos complicou a vida das zebras na Libertadores, como o Independiente Rivadavia

Edição 2016 foi decidida entre Atlético Nacional, da Colômbia, e Del Valle, do Equador -- uma final que seria muito difícil de imaginar hoje

O Independiente Rivadavia sofreu a frustração de ser eliminado invicto da Copa Libertadores. Numa grande primeira campanha na competição, o clube de Mendoza tem muitos motivos para afundar as lágrimas no vinho local. Ganhou cinco e empatou um dos seus seis jogos na fase de grupos, marcando mais gols que qualquer outro time na taça, para cair nos pênaltis depois de dois empates contra o Fluminense.

Rivadavia é um das forças em crescimento das províncias da Argentina, onde tem esforços para reduzir o enorme domínio de Buenos Aires. Pena para o clube de Mendoza que não cresceu uma década antes.

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A Libertadores de 2016 foi vencida pelo Atlético Nacional, da Colômbia, que venceu o Independiente del Valle, do Equador, na decisão — uma final que seria muito difícil de imaginar hoje.

Detalhe — 2016 foi o último ano em que a Libertadores foi disputada no primeiro semestre. A partir de 2017, a competição tem sido esticada para durar o ano todo. A mudança fez uma grande diferença.

Desde então, tem oito conquistas brasileiras e uma da Argentina, com somente times desses dois países chegando na final.

Fica fácil explicar — mais longa a competição, menos possibilidade de uma zebra. Especialmente porque agora — diferente do mundo até 2016 — tem janelas de transferências entre os semestres, onde os grandes times normalmente ficam mais fortes, e os menos tradicionais ficam mais fracos.

É exatamente isso que aconteceu com o Independiente Rivadavia. Durante a fase dos grupos, pode ser que a melhor coisa da Libertadores foi a dupla de ataque do clube de Mendoza, com o centroavante paraguaio Alex Arce sendo o dono da grande área, munido pelo colombiano Sebastian Villa, forte e rápido que nem um cavalo, puxando o contra-ataque, achando espaço nos dois lados do campo e provocando dor da cabeça na defesa adversária.

No antigo sistema da Libertadores, quando se jogava somente no primeiro semestre, o Rivadavia poderia contar com os dois do início até o fim da taça. Agora não. Os dois obviamente iam atraindo atenção. Arce acabou indo para a Copa do Mundo, onde ele entrou duas vezes do banco. Villa talvez deveria ter ido também — teria sido um reforço bem útil para a Colômbia quando estava buscando o seu gol contra a Suíça. 

Sebastian Villa comemora gol do Boca Juniors na Copa Sul-Americana
Sebastian Villa comemora gol do Boca Juniors na Copa Sul-Americana. Foto: IMAGO / Photogamma

Não foi, mas foi seduzido por uma oferta de voltar para o Boca Juniors, onde viveu os melhores anos da sua carreira. Então, na noite que Rivadavia estava sentindo muita falta de Villa na busca para furar a defesa do Fluminense, o jogador estava em campo e deixando a sua marca na goleada contra o Recoleta, do Paraguai, na Copa Sul-Americana.

O torcedor do Rivadavia vai lembrar para sempre a grande vitória sobre o Fluminense no Maracanã em abril — e vai pensar com um certo orgulho que enfrentou um time com um orçamento muito maior quatro vezes esse ano sem sofrer uma derrota. Mas também vai refletir que seu time criou pouco em casa na terça-feira, e que com Villa ainda no clube poderia ter sido diferente. Mas a mudança de dez anos complicou a vida das zebras na Libertadores.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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