Futebol brasileiro

Árbitros da Copa do Mundo mudaram comportamento no Brasileirão após regras da Fifa; veja mudança

Wilton Pereira Sampaio, Ramon Abatti Abel e Raphael Claus foram escolhidos pela entidade para representar o país na competição, disputada na América do Norte

O futebol brasileiro voltou a todo vapor após a pausa para a Copa do Mundo. De decisões na Copa do Brasil a duelos importantes para as posições do Brasileirão, não são somente os clubes da primeira divisão que retornaram à ativa. Depois da pausa para o Mundial da América do Norte, os árbitros do Brasil, selecionados pela Fifa, retornaram às suas atividades no futebol nacional.

Ramon Abatti Abel, Raphael Claus e Wilton Pereira Sampaio foram os árbitros do Brasil selecionados pela entidade para auxiliar ao longo dos 104 jogos da Copa do Mundo. Os dois primeiros trabalharam em duas partidas cada, enquanto Wilton, com três jogos na edição de 2026, igualou o recorde de Carlos Eugênio Simon para se tornar o árbitro brasileiro que mais trabalhou em Mundiais (sete vezes).

A edição foi a primeira em que três árbitros brasileiros diferentes foram convocados pela Fifa. Também contou com mudanças na regra do jogo, que entraram em vigor, seja de forma definitiva ou por meio de testes, depois de orientações da International Football Board Association (Ifab), responsável pelo livro de regras.

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As mudanças, em sua maioria, tinham o objetivo de combater a cera, antijogo e melhorar o tempo de bola rolando. Além disso, o árbitro de vídeo (VAR) pôde atuar em marcações equivocadas de escanteio e erros de identidade. Algumas destas mudanças também entrarão em vigor no Brasileirão a partir desta temporada. Depois do Mundial, o trio brasileiro também poderá colocar em vigor algumas das ideias colhidas neste período com a Fifa.

Depois de um período de férias, Ramon, Claus e Wilton já retornaram às atividades no futebol brasileiro e pela Conmebol. Em média, cada um deles trabalhou em três partidas no Brasil desde então — o trio também faz parte do programa da CBF para a profissionalização da arbitragem — e registraram, em comum, o aumento no tempo médio de bola rolando como principal impacto pós-Copa.

Árbitros da Copa melhoraram tempo de bola rolando em retorno ao Brasil

A Trivela mostrou, ainda no início da temporada, que o tempo de bola rolando era uma das preocupações da CBF em relação ao futebol brasileiro. A ideia da entidade era de aproximar a estatística dos 60 minutos ideais a cada partida — métrica utilizada para medir a qualidade do tempo de jogo.

No início da temporada, a bola estava em disputa e rolando, em média, por 52 minutos a cada partida. Depois da Copa do Mundo, Wilton, Claus e Abatti Abel registraram índices superiores em relação a esta estatística nas partidas em que trabalharam.

Wilton, por exemplo, saltou de 55 minutos para 57 minutos de bola rolando por jogo. Vale destacar que a amostragem pós-Copa do Mundo ainda é inferior em relação ao período pré-Mundial. Além disso, o Brasileirão passou a contar com o recurso do impedimento semi-automático, que acelera as tomadas de decisões ao longo de jogo e reduz o tempo de bola parada.

Wilton Pereira Sampaio, um dos árbitros brasileiros na Copa do Mundo 2026 (Foto: IMAGO / Passion2Press)
Wilton Pereira Sampaio, um dos árbitros brasileiros na Copa do Mundo 2026 (Foto: IMAGO / Passion2Press)

O mesmo índice pode ser observado em relação aos dois outros árbitros brasileiros na Copa. Abatti Abel passou de 52 minutos para 55 minutos de bola rolando por partida. Já Claus, ainda que tenha mantido os números na casa dos 52 minutos por jogo, aumentou a porcentagem do tempo em que a bola esteve em disputa (de 51,35% para 53,86%).

Este levantamento leva em consideração as partidas disputadas e organizadas pela CBF, sem considerar Estaduais ou competições internacionais, e se utiliza de números fornecidos pela Stats Perform e Opta — empresas parceiras da Fifa durante a Copa do Mundo.

Evolução do tempo de bola antes e depois da Copa do Mundo

  • Wilton Pereira Sampaio: de 55min3s (54,71%) para 57min40s (57,3%)
  • Ramon Abatti Abel: de 52min12s (52,74%) para 55min18s (55,37%)
  • Raphael Claus: de 52min4s (51,35%) para 52min38s (53,86%)

Este aumento do tempo de bola rolando não está associado à quantidade de acréscimos por partida. Do trio, somente Abatti Abel teve um aumento superior a 1 minuto em relação ao tempo total de jogo no primeiro semestre, antes da Copa do Mundo. As partidas em que Claus esteve no comando, por exemplo, tiveram menos minutos no total.

Média de bola rolando se aproxima de índices da Europa

Com exceção de Raphael Claus, as estatísticas registradas por Abatti Abel e Wilton se aproximam daquelas vistas na Premier League e LaLiga, por exemplo — e que é o objetivo da CBF com a implementação de novas regras e orientações à arbitragem. As duas competições registraram um tempo de bola rolando médio próximo a 55 minutos, segundo relatório da “CBF Academy”.

Wilton, que mais trabalhou durante a Copa do Mundo — inclusive na partida de abertura, entre México e África do Sul —, recebeu um período maior de folga por parte da CBF. Depois do retorno ao futebol brasileiro, ele apitou somente duas partidas (Fluminense 1 x 3 Vasco, pela Copa do Brasil, e Flamengo 2 x 0 Vitória), mas já está escalado para o duelo entre ABC e Nacional-AM neste domingo (16), valendo o acesso à Série C.

Este é o principal impacto do trio brasileiro da Fifa no pós-Copa. Em relação a outros aspectos da arbitragem (número de faltas e de cartões, por exemplo), as estatísticas continuam próximas dos níveis pré-Mundial. Mas, por outro lado, estes não são pontos de atenção da CBF, ainda que contribuam para uma evolução no tempo de bola rolando.

Raphael Claus mostra cartão vermelho para Falorin Balogun em Estados Unidos x Bósnia-Herzegovina (Foto: Imago/Icon Sportswire)
Raphael Claus mostra cartão vermelho para Falorin Balogun em Estados Unidos x Bósnia-Herzegovina (Foto: Imago/Icon Sportswire)

Claus, inclusive, se viu diante da polêmica na Copa do Mundo em relação aos cartões. Depois de expulsar Folarin Balogun, dos Estados Unidos, em duelo com a Bósnia e Herzegovina, o árbitro foi investigado pelo governo Donald Trump que chegou a classificar sua conduta como questionável — e teve o cartão vermelho suspenso por decisão da Fifa.

Os índices do trio brasileiro da Fifa ainda estão sujeitos a alterações ao longo da temporada, mas são “auxiliados” pelas mudanças da CBF para coibir cera em lances de tiro de meta, reposição de bola do goleiro e laterais, além da tentativa de impedir “falsas lesões” durante as partidas.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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