Brasileirão Série B

Substituto de Fábio Costa em 2002, Julio Sérgio fala sobre chance de Brazão no Santos

Assim como Gabriel Brazão, Julio Sérgio virou titular do Santos, em 2002, após a lesão de Fábio Costa

Assim como ocorreu em 2002, o Santos vê o seu goleiro titular sofrer uma grave lesão e precisar do reserva para o restante da temporada. À época, Fábio Costa precisou deixar a meta alvinegra por conta de uma contusão para dar lugar ao ainda desconhecido Julio Sérgio. A situação se assemelha bastante com a que vive o clube atualmente após a lesão de João Paulo e a oportunidade aparecendo para o jovem Gabriel Brazão.

Para entender o cenário, a Trivela conversou com Julio Sérgio, que lembra daquele período e fala sobre a chance que Brazão terá a partir de agora. Atualmente agente de jogadores, o ex-goleiro do Peixe e da Roma também comenta sobre a possibilidade de o Alvinegro ir ao mercado buscar mais um atleta para a posição.

Trivela: Você chegou ao Santos com quantos anos?

Júlio Sérgio: Cheguei ao Santos com 22 anos. Fui por meio de um convite do Pedro Santilli, que era treinador de goleiros da comissão técnica do Leão. Assim como eu, ele é de Ribeirão Preto, me viu no Comercial e me chamou para um período de testes no Santos. Foi uma semana no CT Rei Pelé. Além do Fábio Costa, o Santos tinha Pitarelli, Rafael e Matheus como goleiros. No sábado daquela semana de testes, o Leão me chamou e falou que eu não permaneceria. Disse que eu podia arrumar as minhas coisas e voltar para casa. Acontece que no treinamento daquele mesmo dia, o Fábio Costa se machucou. Foi uma lesão grave e ele ficou fora por muitos meses. O Leão, então, me chamou novamente e falou: ‘Não sei se você tem estrela, mas agora pode ficar. Vamos fazer um contrato com você até o final do ano’. Na terça-feira seguinte assinei contrato com o Santos por um semestre.

Em tese, o Pitarelli ficaria com a vaga do Fábio Costa. O que aconteceu?

O Pitarelli saiu. Acho que foi emprestado, e eu, que fui para um teste no Santos, acabei me tornando titular.

Se assustou quando a notícia da titularidade chegou?

Eu saí do Comercial, que disputava a Série A2 do Campeonato Paulista, para ir para o Santos, que era onde eu queria estar. Então, isso não me assustou. Uma das minhas principais características era a concentração. Muito por causa disso fiquei no Santos. Eu estava onde queria estar.

Quais foram as pessoas mais importantes para você naquele período?

O Pedro Santilli foi fundamental. O Leão também. Não é simples fazer o que o Leão fez ao apostar em um goleiro que estava na Série A2 do Paulista para uma Série A de Campeonato Brasileiro. Então, eles foram essenciais. Além de vários jogadores. Eu tinha uma relação muito boa com os outros goleiros. Fiz uma amizade bacana com o Elano e o Léo. Apesar de ter apenas 22 anos, eu era um dos mais velhos daquele elenco. Creio que apenas o Fábio Costa, Léo e Alberto eram mais velhos do que eu.

O fato de ter o Leão, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, aumentava a responsabilidade ou você não pensava nisso?

Pensava sim. No início eu tinha um excelente relacionamento com ele. Também me relacionava bem com o Marcelo Teixeira, que era o presidente. O Fábio Costa, mesmo ele sendo difícil em algumas circunstâncias, sempre foi muito respeitoso comigo. Em 2003, por exemplo, mesmo sem jogar tanto, eu era um dos atletas que discutia bichos da Libertadores para o elenco com o Leão e o presidente.

Ter o Leão como técnico fez de você um goleiro melhor tecnicamente?

Quando eu cheguei, o Carlos Pracidelli estava no Santos e ele foi muito importante também. Ter o Leão como treinador, Pracidelli e Santili como preparadores de goleiros não era algo simples. Era puxado. Mas eu sabia que com esses profissionais eu estaria no meu melhor e isso trazia uma confiança grande para jogar.

O Brazão tem experiência na Europa, mas pouco atuou. Como a torcida agiu com você e como deve agir com o Brazão agora?

Só podemos analisar depois que ele jogar. Temos vários exemplos de jogadores que não brilham aqui, mas brilham lá. Van der Sar não foi bem na Juventus, mas ganhou tudo no Manchester United. Cabe ao Gabriel Brazão aproveitar a oportunidade. Diferentemente de mim, ele tem altura, currículo e experiência. Mesmo não atuando regularmente na Europa, ele treinou com os melhores, em alto nível. A Série B da Itália é diferente do Brasil. Se continuar fazendo o trabalho bem feito, vai crescer.

Lembra de alguma atitude da torcida do Santos que te deixou mais confiante e que você pensa que seria bacana se fosse feita com o Brazão?

Se ele for bem no campo, esse apoio vem. Os erros vão acontecer. É natural. Todo mundo erra. Mas não dá para condená-lo por um suposto erro. A posição de goleiro é diferente. O centroavante pode perder 50 oportunidades, mas se marcar um gol, ele está bem. No gol não é assim. Todos os goleiros já erraram. O Buffon errou e faz parte. O Santos tem um time bom, organizado. Ele está entrando num momento bom. O goleiro entra no time por lesão do companheiro ou por confiança do treinador. Sinto muito pelo João Paulo, que está bem há muitas temporadas, mas o Brazão terá essa oportunidade em uma boa fase da equipe.

Você vê a necessidade de o Santos ir buscar um goleiro mais experiente?

O Santos é um time grande e quanto mais opções melhor. Na Roma, por exemplo, o titular era o Doni, que estava na Seleção Brasileira, o Curci, reserva na seleção da Itália, e o Lobont, goleiro da seleção da Romênia. Eu era o quarto. Então, todos eles me faziam estar sempre em alto nível. E ninguém assina contrato para ser titular. Então, não cabe a mim decidir se o Santos deve contratar ou não. Mas se contratar é normal por conta das pretensões que tem na temporada. Sei que além do Brazão tem o Diógenes, de quem já me falaram muito bem. Mas cabe a eles mostrarem do que são capazes. Em times de alto nível é normal ter mais de duas opções.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Jornalista pela UniSantos com passagem pelo Jornal A Tribuna de Santos. Já trabalhou na cobertura de jogos da Libertadores e das Eliminatórias Sul-Americanas no Brasil e no Exterior. Na Trivela, é setorista do Santos.
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