Brasil

São Paulo tem dois jogos para encerrar (ou não) turbulência antes de clássico com o Palmeiras

Fora da zona de classificação no Paulista, São Paulo tem Guarani e Inter de Limeira pela frente antes de Choque-Rei

Daqui a uma semana exata, o São Paulo volta ao MorumBIS para receber o Palmeiras no clássico do próximo domingo (3), às 20h (horário de Brasília), que reedita a decisão da Supercopa do Brasil. Uma memória já saudosista para um Tricolor que estagnou na temporada depois da conquista do título inédito sobre o rival no Mineirão. Prova disso é que a equipe do técnico Thiago Carpini não pode ser dar ao luxo de já pensar no Choque-Rei antes da quinta-feira (29). Até lá, será preciso estancar a turbulência em dois jogos que não deveriam, mas têm caráter decisivo para os são-paulinos.

Isso, porque o São Paulo não vence há três jogos e precisa somar todos os seis pontos possíveis nestas duas partidas para chegar ao clássico em uma situação mais tranquila na briga por uma das vagas nos mata-matas do Campeonato Paulista. O Tricolor enfrenta o Guarani neste domingo (25), às 18h (horário de Brasília), no Brinco de Ouro. Depois faz o jogo atrasado da quinta rodada do Paulista contra a Inter de Limeira na quarta-feira (28), às 21h35 (horário de Brasília), no Mané Garrincha.

A missão nestes dois jogos será voltar à zona de classificação para os mata-matas do Paulistão e ter uma vida mais confortável na temporada. Caso contrário, o São Paulo passa a depender (muito) do resultado no Choque-Rei da penúltima rodada da fase de grupos. Hoje, o a equipe ocupa a terceira colocação do Grupo D, com 14 pontos – um a menos que Novorizontino e São Bernardo, líder e vice-líder, com 15.

Claro: há a ressalva de que o Tricolor ainda tem uma partida a mais por disputar que os adversários da chave. Mas a oscilação de rendimento nos últimos jogos teve reflexos nas arquibancadas do MorumBIS. No último sábado (17), a equipe ouviu vaias durante o intervalo do empate em 2 a 2 com o Red Bull Bragantino.

– A atmosfera é muito contagiada do resultado momentâneo da partida. Apesar de nós, enquanto profissionais, avaliarmos outros aspectos. Tivemos um início ruim. Tivemos chances claras de gol, faltam detalhes. O entrosamento por modificar por necessidade. Depois, a gente erra um detalhe, toma um gol. Não consegue se encontrar, a equipe adversária é melhor no primeiro tempo. É compreensível a chateação do torcedor, é a mesma que a nossa. Sabemos como foi nosso vestiário no intervalo – disse o treinador após o empate com o Bragantino.

Carpini teve semana livre para tirar “atraso” em trabalho

Carpini tenta encerrar a instabilidade justamente após a primeira semana livre desde o início do Paulistão. Enfim, um período em que o técnico teve mais tempo para trabalhos táticos e para colocar mais a sua cara na equipe. Mas o principal foi o respiro na temporada para recuperar jogadores lesionados. Isso, porque é impossível falar da turbulência vivida pelo Tricolor sem mencionar os muitos desfalques que se acumulam a cada rodada no clube.

Contra o Red Bull Bragantino, Carpini escalou a nona equipe diferente em nove jogos até agora. Totalmente a contragosto. O treinador afirmou na entrevista coletiva após a derrota por 1 a 0 para o Santos que gostaria de manter o mesmo time em campo para acelerar a implementação de suas ideias e o entendimento de movimentos e da mecânica de jogo com uma equipe mais próxima do que ele considera “ideal”.

O São Paulo teve baixas por problemas médicos em três dos cinco últimos jogos. Rafinha sentiu lesão na final da Supercopa, Wellington Rato virou baixa na derrota para a Ponte Preta, e Moreira sequer conseguiu entrar em campo na derrota para o Santos. Apenas na vitória sobre o Água Santa e no empate com o Bragantino, o Tricolor passou ileso.

A situação foi tão crítica na lateral direita, por exemplo, que o jovem Igor Felisberto, de 16 anos, é o único atleta da posição à disposição. E ele sequer estreou pelo clube. Por isso, Thiago Carpini foi obrigado a improvisar Bobadilla na lateral direita nos dois últimos jogos. Mas o técnico, ao menos tem esperanças de contar com Igor Vinicius, Lucas Moura e Wellington Rato contra o Guarani.

– O São Paulo teve um início de temporada muito difícil, com uma decisão em 15 dias, e um clássico que nunca tinha vencido. Muita boa coisa acontecendo. O reflexo é isso. Sete jogadores no DM, dos sete, quatro ou cinco com jogadores de uma importância muito grande no time titular. O bom é a gente aproveitar o máximo essa semana. Com possibilidade real de retornos de Lucas, Igor e Wellington Rato – disse o treinador no último sábado.

Desfalques do São Paulo:

  • Rodrigo Nestor (cirurgia no joelho esquerdo);
  • Rafinha (lesão na perna esquerda);
  • Arboleda (suspenso);
  • Diego Costa (suspenso)

Desde então, o treinador viu essa expectativa virar realidade. Wellington Rato (lesão muscular na coxa esquerda) e Igor Vinícius (edema muscular na coxa direita) estão recuperados de problemas médicos e já foram reintegrados ao elenco no dia a dia de treinamentos no CT da Barra Funda. Ambos devem estar à disposição de Carpini para voltar à equipe já como titulares na partida contra o Bugre.

Mas o retorno mais esperado é o de Lucas Moura. O camisa 7 cumpriu uma rotina à parte do restante do elenco nos primeiros treinos da semana, ainda sob supervisão da preparação física. Mas nesta quinta-feira (22), ele foi liberado pelo departamento médico e participou normalmente do trabalho em campo reduzido.

Wellington Rato deve voltar ao São Paulo contra o Guarani (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Técnico precisa corrigir defesa sem dupla de zaga titular

O problema para este domingo recai sobre a defesa. O São Paulo não contará com sua dupla de zaga titular para enfrentar o Guarani. Arboleda e Diego Costa estão suspensos. Recai sobre os reservas Alan Franco e Ferraresi a missão de retomar a solidez defensiva.

Isso, porque a ausência da dupla de zaga titular coincide com aquele que é disparado o pior momento da defesa do São Paulo na temporada. A média de gols sofridos pela equipe simplesmente triplicou nos últimos três jogos, em comparação às seis primeiras partidas da temporada.

O Tricolor foi vazado cinco vezes nas derrotas para Ponte Preta (2 a 0) e Santos (1 a 0) e no empate com o Red Bull Bragantino (2 a 2) – uma média de 1,6 gol por partida. Antes, nos seis jogos anteriores, foram apenas três gols sofridos, com média de 0,5 por partida. Agora, Carpini terá de restabelecer a solidez de seu sistema defensivo com a dupla Alan Franco e Ferraresi. Luiz Gustavo também é opção.

> Os próximos jogos do São Paulo:

  • 25/02/2024 – Guarani x São Paulo, às 18h (horário de Brasília), no Brinco de Ouro da Princesa;
  • 28/02/2024 – Inter de Limeira x São Paulo, às 21h35 (horário de Brasília), no Mané Garrincha;
  • 03/03/2024 – São Paulo x Palmeiras, às 20h (horário de Brasília), no MorumBIS.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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