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Assim como em campo, o Vasco também viveu ano conturbado fora das quatro linhas

Crise no futebol comprometeu e piorou crise fora de campo do Vasco, que passou pro troca de CEO e mudanças na estrutura do clube

Assim como dentro de campo, o Vasco também teve um 2023 conturbado fora das quatro linhas. E que, obviamente, acabou influenciando no futebol do time, que lutou contra o rebaixamento até os minutos finais da última rodada do Campeonato Brasileiro. E a troca dos dois principais nomes que administravam o futebol do Vasco é um claro sinal de como a 777 Partners errou nesta primeira temporada completa no comando do clube.

No comando do Vasco desde setembro de 2022, a 777 Partners comandou uma reformulação no Vasco entre o último ano e a atual temporada. Com o então CEO Luiz Mello e o diretor de futebol Paulo Bracks, o Cruz-Maltino passou por mudanças dentro e fora de campo. Mas em nenhum dos dois lados a situação foi positiva em 2023, que ficou marcado por atraso em pagamento da 777, dívidas com outros clubes, relação ruim com a Associação e poucos avanços nos bastidores.

Desde a transformação em SAF e a nomeação de Luiz Mello como CEO pela 777 Partners que a relação entre a SAF e a Associação não era das melhores. Mas isso piorou ainda mais com o crise do time durante o primeiro semestre. Dona de 30% das ações, a diretoria da Associação pressionou pela saída de Mello, que só aconteceu em junho, quando o clube vivia seu pior momento na temporada. O diretor financeiro Lucio Barbosa assumiu interinamente como CEO e segue até hoje no cargo.

No clube desde a transformação em SAF, o diretor de futebol Paulo Bracks não resistiu a temporada ruim do clube e também acabou demitido depois do fim do Campeonato Brasileiro, mesmo com o clube permanecendo na Série A. Para o seu lugar, o Vasco já contratou Alexandre Mattos.

Relação entre o ex-CEO da SAF, Luiz Mello, e a diretoria da Associação não era das melhores (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Na parte financeira, mesmo com o ano de maior investimento do clube na história, o Vasco também teve problemas. A diretoria da SAF atrasou o pagamento para clubes do exterior, como o Atlético Tucumán, da Argentina, e o Nacional, do Uruguai, e chegou a sofrer um transfer ban. Até hoje, o Vasco ainda deve ao Corinthians pela compra de Lucas Piton. Além disso, a 777 Partners atrasou o pagamento do aporte que deveria ter sido feito em setembro, o que voltou a causar problemas na relação com a Associação.

Na Associação, o Vasco viveu um ano eleitoral um tanto quanto atípico. Sem o comando do futebol, a eleição para presidente do clube perdeu o apelo. O ídolo Pedrinho concorreu com Leven Siano e foi eleito com 64,% dos votos. O ex-jogador assume a gestão da Associação em janeiro. Ainda na gestão de Jorge Salgado, o Vasco teve um importante avanço sobre a reforma de São Januário, que pode sair do papel no próximo ano.

O que deu certo fora de campo para o Vasco em 2023

Com muitos problemas para resolver em campo, a SAF do Vasco teve pouco avanços fora das quatro linhas em 2023. De positivo, a SAF segue equacionando o problema das dívidas do clube e mantendo os vencimentos de jogadores e funcionários em dia, o que era um problema recorrente no clube na última década.

Pelo lado da Associação, o avança na reforma de São Januário foi o principal feito da gestão de Jorge Salgado, além da reforma do estatuto social, que ainda deve ser votado neste ano. A eleição de Pedrinho também pode ser boa para aproximar ainda mais a Associação e a SAF.

Pedrinho vai comandar o “Vasco associativo” pelos próximos três anos (Foto: Gabriel Rodrigues/Trivela)

O que deu errado fora de campo para o Vasco em 2023

A busca por um novo patrocínio máster (ou um aumento nos valores recebidos da Pixbet) não andou como o clube gostaria e, inclusive, o diretor comercial Caetano Marcelino foi demitido em novembro. O Vasco até avançou e reforçou o interesse na administração do Maracanã, mas esta parte parece ser uma luta inglória contra a dupla Fla-Flu.

O clube, tanto a SAF como a Associação, teve problemas com a Justiça que acabaram afetando o futebol. A interdição de São Januário por mais de 80 dias, por punição esportiva e judicial, explicitou uma falta de força do clube nos bastidores.

O que esperar do Vasco fora de campo em 2024

Com boas expectativas para o futebol do Vasco em 2024, a SAF e a Associação podem ter paz para trabalhar importantes questões fora de campo, como a reforma de São Januário e as melhorias nos CT Moacyr Barbosa e no CT da base. Além disso, em 2024 o Vasco receberá o maior aporte da 777 Partners, de R$ 270 milhões. Com uma provável melhora no fluxo de caixa, a SAF deve conseguir fazer maiores investimentos no clube.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
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