Brasil

Vexame e vice são lembranças da campanha subestimada do Flamengo na Copa do Brasil

O Flamengo eliminou o rival Fluminense e passeou contra o Grêmio, mas derrota na final e para o modesto Maringá encabeçam lembranças do torcedor

O Flamengo chegou à Copa do Brasil como atual campeão e, novamente, fez campanha até as fases mais agudas da competição. A única diferença foi que o Rubro-Negro não conseguiu ficar com o título, perdendo a decisão para o São Paulo, que levou o mata-mata nacional para casa pela primeira vez. A Trivela relembra a jornada de altos e baixos do clube da Gávea, que terminou com a demissão de Jorge Sampaoli.

Por ter conseguido vaga na Libertadores, o Flamengo começou sua caminhada na Copa do Brasil na terceira fase, mas, para quem achava que a classificação estava garantida, o confronto diante do Maringá trouxe muitas ressalvas. Vítor Pereira tinha acabado de ser demitido antes da partida de ida, no Paraná, e o Rubro-Negro ainda não havia anunciado seu sucessor. Foi um erro que custou muito caro.

A delegação viajou com Mário Jorge no comando e, sem brio, nem vontade, o Flamengo acabou derrotado pelo Maringá por 2 a 0. Os gols da modesta equipe paranaense foram marcados por David Luiz (contra) e Serginho. Um vexame que nem mesmo o sonoro 8 a 2 no jogo de volta, no Maracanã, já com Sampaoli no comando, pôde apagar. Mesmo assim, o objetivo foi atingido, e o Rubro-Negro conseguiu a classificação para as oitavas.

Flamengo vira a chave de vez ao eliminar o Fluminense

Depois da terceira fase, a Copa do Brasil realizou um sorteio na sede da CBF, que colocou o Fluminense, algoz no Campeonato Carioca, no caminho do Flamengo. O resultado, no entanto, não lembrou em nada o que aconteceu no Estadual, já que o Rubro-Negro conseguiu ser dominante ao longo das duas partidas. Na ida, com mando e torcida do Tricolor em peso, a equipe de Sampaoli sustentou um 0 a 0 com jogador a mais, pela expulsão de Felipe Melo.

A volta foi uma espécie de redenção para o torcedor do Flamengo. Em maior número, os rubro-negros fizeram uma festa de arrepiar no Maracanã e impulsionaram a equipe à vitória por 2 a 0. Arrascaeta marcou na primeira etapa, enquanto Gabigol, que é carrasco do Fluminense, fez o estádio respirar aliviado com tento nos acréscimos da etapa complementar. Foi um resultado daqueles, para lavar a alma.

Arrascaeta celebra seu gol contra o Fluminense na Copa do Brasil (Foto: PGG/Icon Sport)

Tirar o Fluminense deu gás até a decisão

Eliminar o rival deixou o Flamengo ainda mais embalado com Sampaoli. A equipe já vinha de série invicta superior a dez partidas e, no meio do caminho, conseguiu eliminar o Athletico Paranaense vencendo no Maracanã e em Curitiba. Geralmente, a Ligga Arena, novo nome da Arena da Baixada, é um território hostil para o Rubro-Negro, mas Gabigol foi decisivo novamente.

O Rubro-Negro teve o Grêmio pela frente na semifinal e, em Porto Alegre, fez sua melhor exibição sob o comando de Sampaoli. Foram 90 minutos de domínio total, em grande noite de Filipe Luís. O resultado animava o torcedor do Flamengo, mas o que aconteceu entre a ida e a volta foi surreal. Primeiro, Pedro recebeu soco do preparador físico Pablo Fernández, que acabou demitido. Depois, às vésperas da decisão e logo após uma reunião do elenco, Gerson e Varela se estranharam no Ninho.

A partir daí, o clima para o trabalho de Sampaoli ficou insustentável, mas o Flamengo prosseguiu e conseguiu vencer o Grêmio no Maracanã para chegar à decisão. O gol do jogo foi marcado por Arrascaeta, que convocou o grupo para abraço coletivo no treinador argentino. Foi uma das últimas tentativas de selar a paz e pensar nos títulos que o Rubro-Negro ainda poderia disputar.

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Último vice do Flamengo em 2023 tem seus vilões

Faltou sinergia ao Flamengo na reta final da temporada, que viu Sampaoli, elenco e comissão técnica se estranharem outras vezes. Até o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, teve problemas de agressão com um torcedor. O ambiente caótico fora de campo, e passivo dentro dele, fez com que o Rubro-Negro chegasse à final da Copa do Brasil em frangalhos e pagasse caro por isso.

As escolhas de Sampaoli para a decisão foram muito criticadas. Na ida, em que o Flamengo teve atuação apática diante de mais de 65 mil torcedores no Maracanã, Matheus Cunha e Ayrton Lucas acabaram sendo os vilões. Curiosamente, antes da partida, Rossi e Filipe Luís haviam ganhado chance entre os titulares, mas o argentino manteve seus homens de confiança. Ambos viram Calleri dar a vitória ao São Paulo.

No Morumbi, o Flamengo parecia bem mais ligado e abriu o placar de maneira merecida, com Bruno Henrique, mas sofreu um banho de água fria minutos depois. Rossi voltou a se destacar negativamente, com saída estabanada que facilitou o gol de Rodrigo Nestor. O esforço provaria ser demais para o Rubro-Negro, que ficou com seu quinto vice na temporada, de maneira bastante melancólica.

São Paulo se sagrou campeão da Copa do Brasil pela primeira vez ao vencer o Flamengo na decisão (Foto: Iconsports)

A Copa do Brasil do Flamengo em números

  • 10 jogos
  • 6 vitórias
  • 2 empates
  • 2 derrotas
  • 18 gols marcados
  • 7 gols sofridos

Como o Flamengo chega para a Copa do Brasil de 2024?

Mais uma vez, o Flamengo entrará na Copa do Brasil na terceira fase, já que garantiu vaga na Libertadores do ano que vem. O início tardio ajuda bastante, e os investimentos esperados colocam o Flamengo novamente entre os postulantes ao título, especialmente com a postura agressiva do clube nas copas. O Rubro-Negro é um dos times mais tradicionais do mata-mata nacional, tendo o ataque mais positivo e o maior número de vitórias, mas ainda está distante de Grêmio e Cruzeiro, maiores campeões.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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