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Turbulências jogam contra e sistema ofensivo do Santos termina o ano com média ruim

Sistema ofensivo do Santos se prejudicou com os casos de indisciplina e má gerenciamento de crises

Ao longo de 2023, o sistema ofensivo do Santos passou por diferentes momentos de turbulência. E teve de tudo. Aposta em jogadores sem condições técnicas para vestir a camisa do Peixe, afastamento da sua referência técnica, além de insatisfação e indisciplina do seu principal artilheiro. Tudo isso fez com que o Alvinegro fechasse uma temporada com 62 partidas disputadas e 64 gols feitos. Isso representa uma média de 1,03 gols marcados por jogo.

Só a título de comparação, o Palmeiras fez no Campeonato Brasileiro – competição em que terminou como campeão – a mesma quantidade de gols que o Santos fez na temporada. Ainda assim, Marcos Leonardo, com 13 gols marcados, terminou o Brasileirão como o quinto principal artilheiro.

Ocorre que o dono da camisa 9, que podia encerrar o ano como mocinho, cometeu erros que o colocaram entre os vilões da trágica história santista em 2023. Incomodado com o fato de não ter sido negociado com o Roma, na última janela de transferências, Marcos Leonardo se afastou dos treinamentos por uma semana e desfalcou o time contra o Fortaleza na última partida do primeiro turno.

Posteriormente, antes da penúltima rodada da competição, com o Santos precisando vencer para evitar o rebaixamento, ele se atrasou para uma viagem e o episódio deixou o já pressionado ambiente ainda mais conturbado.

Outras situações no decorrer do ano atrapalharam o sistema ofensivo do Santos. Vale lembrar que Soteldo, a referência técnica do elenco, foi afastado do elenco profissional pelo ex-coordenador de esportes Paulo Roberto Falcão, e pelo ex-técnico Paulo Turra, sob a justificativa de ter cometido um ato de indisciplina. Com isso, o camisa 10 ficou ausente de seis jogos do Peixe no Brasileirão.

O venezuelano só foi reintegrado após as saídas de Falcão e Turra do clube.

Esses foram os pontos fortes do ataque do Santos

Mesmo diante dos casos listados acima, é possível dizer que Soteldo e Marcos Leonardo, junto do argentino Julio Furch, que virou um talismã da torcida e do técnico Marcelo Fernandes pelos gols marcados no fim das partidas, foram os pontos fortes do ataque do Santos.

Com maior comprometimento de Marcos Leonardo e Soteldo, e melhor condução do departamento de futebol nos dois atos de indisciplina, a dupla poderia ter tido mais tempo em campo, junta, e talvez levado o Santos a uma vitória a mais que serviria para evitar o rebaixamento no Brasileirão.

Esses foram os pontos fracos do ataque do Santos

Contratado pelo Santos após o rebaixamento do Ceará no Campeonato Brasileiro de 2022, Mendoza desembarcou na Vila Belmiro com salário alto e sob a expectativa de que poderia formar um rápido ataque ao lado de Soteldo e Marcos Leonardo.

Essa expectativa, no entanto, não passou de um curtíssimo cochilo de verão. A aposta em Mendoza para 2023 aparece entre as piores contratações do ano na lista da maioria dos torcedores santistas. À frente, inclusive, de Bruno Mezenga, que, trazido do Água Santa, nunca inspirou qualquer confiança.

Limitado tecnicamente, desconcentrado e, por vezes, debochado com a torcida, Mendoza é uma das marcas da pior temporada da história do Santos.

O que esperar do ataque do Santos em 2024?

Com a iminente venda de Marcos Leonardo para a Europa e as sondagens já recebidas por Soteldo, a tendência é o Santos ir ao mercado para, assim como todo o elenco, reformular o ataque. A nova diretoria, liderada pelo presidente eleito Marcelo Teixeira, terá que definir também as situações de Furch, Morelos, que ganham salários altos, além de Maxi Silvera, vinculado ao Peixe até o fim deste ano.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna.
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