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Vitória com V maiúsculo e o resgate da confiança do elenco do Atlético-MG com Milito

Com Gabriel Milito, vários jogadores voltaram (ou começaram) a jogar muito no Atlético, com clara retomada de confiança

Gabriel Milito chegou ao Atlético-MG há menos de um mês, mas já realizou sete jogos e, mesmo com esse pouco tempo (de clube e de trabalho), já conseguiu recuperar a confiança de muita gente, sejam eles os jogadores ou os torcedores, e o ponto que carimbou isso foi a “vitória com V maiúsculo” que aplicou no clássico contra o Cruzeiro no sábado (20).

Milito chegou ao Atlético com a missão de fazer o qualificado elenco jogar um bom e bonito futebol, algo que não se via com Felipão. Em pouco tempo ele já conseguiu isso. Muito por conta do seu estilo (de jogo e de ser), que ajudou a evoluir o futebol de muitos jogadores, que retomaram a confiança desde que ele chegou.

Essa vitória com V maiúsculo, vamos levar como referência para fazer mais partidas assim — disse Igor Gomes após o clássico.

Gustavo Scarpa (finalmente) chegou

O mais notório dos jogadores que Milito resgatou no Atlético é Gustavo Scarpa. O meia foi a principal contratação do Galo para a temporada, mas teve um início de temporada bem ruim com Felipão, principalmente por atuar do lado esquerdo, sendo que sempre se saiu melhor no direito, e ainda ter que ser uma espécie de assistente de lateral, sem muita liberdade para atacar.

Com Milito, Scarpa é um ala pela direita, que tem sim suas obrigações defensivas (e as cumpre muito bem), mas que tem liberdade para atacar. Com o treinador argentino, são sete jogos (titular em três) para o camisa 6, que somam três gols e duas assistências. A primeira participação em gol veio na final do Mineiro, com o gol que fechou a conta e garantiu o título do Galo, e ele fez toda a diferença. Depois disso, ele marcou mais duas vezes até alcançar também suas primeira assistência, também contra o Cruzeiro, mas pelo Brasileirão.

— O futebol é um jogo de muitos detalhes, e um dos mais importantes é o gol. Acredito que o gol na final, pela forma que foi, me deu muita confiança. E, no jogo seguinte, outro gol, volto a confiar mais no meu potencial. Acredito que o posicionamento seja importante, mas, quando a equipe cresce como um todo, começam a aparecer destaques individuais — disse Scarpa.

Scarpa entende que os jogadores estão assimilando cada vez mais as ideias de Milito, e isso faz com que o time cresça a cada partida. Vencer com autoridade era algo não muito comum com Felipão, mas já aconteceu algumas vezes com o argentino, e isso faz diferença, principalmente se for em um clássico.

Arana de ala = show de participações em gols

Outro jogador que está tendo evolução notória é Guilherme Arana. Com Felipão, ele, que é um lateral com características mais ofensivas, ficava muito preso na defesa. Com Milito, ele é o ala esquerdo e tem muito mais liberdade para ir ao ataque, não à toa, soma quase uma participação a gol por jogo desde que o argentino assumiu: 7 jogos, 2 gols e 4 assistências.

No clássico, ele deixou mais uma vez sua marca com um belo gol de fora da área, que ele afirmou treinar sempre no dia a dia na Cidade do Galo. A meta dele é voltar a Seleção Brasileira e disputar uma Copa do Mundo, que lhe foi tirada com uma grave lesão em 2022. Para isso, sabe que precisa brilhar no Atlético — e vem fazendo isso.

Saravia virou zagueiro de elite?

Dentre todos os que demonstram retomar a confiança e o futebol com Milito, o que mais surpreende o torcedor é Saravia. Tido como um jogo “8 ou 80”, que pode jogar bem ou mal, nunca se sabe, o lateral-direito, até então, foi só “80” desde que Milito chegou. E mais: como zagueiro. O lateral argentino tem sido um dos principais nomes do time nos últimos jogos e marcou até gol (algo bem raro em sua carreira) na final do Mineiro, iniciando a remontada atleticana.

Dupla Hulk-Paulinho de volta é sinônimo de gol

Uma das grandes críticas de Felipão era por afastar Hulk e Paulinho, jogadores que, atuando mais próximos, carregaram o time em 2023 com mais de 60 gols. Com Milito, eles voltaram a atuar mais perto, e isso faz toda diferença. O camisa 10 tem uma assistência e quatro gols sob o comando do argentino, incluindo marcando pela 1ª vez (em 10 jogos) contra o Cruzeiro: “Estava esperando bastante esse gol no clássico. Fico feliz e aliviado, principalmente pelo time e a vitória maiúscula que tivemos aqui”, afirmou.

Já Hulk soma dois gols e três assistências. Mais livre no campo, ele fica mais participativo e apto para usar sua qualidade não só para finalizar, mas também para criar jogadas. Foi ele quem assistiu (mesmo que sem querer) Paulinho, e se diz empolgado com a volta da parceria.

Jemerson, Otávio, Franco e outros

Além dos citados, Milito também conseguiu dar confiança a praticamente todos os jogadores do elenco. A maioria cita a importância dele trabalhar com o elenco todo e não só com um ou outro jogador. O fato de todos terem que estar preparados para jogar, pois o treinador roda muito o time, deixa todos eles alerta e mais focados, como citou Alan Franco na última semana. O mesmo disse Otávio, titular nos últimos jogos depois de não ter ido tão bem com Felipão em 2024.

Jemerson, perseguido desde o fim de 2023 pelo gol contra a favor do Cruzeiro no primeiro clássico da Arena MRV, viveu altos e baixos desde então, mas saiu de campo contra o mesmo rival, neste sábado, aplaudido e ovacionado também no mesmo estádio. Zaracho é outro que está cada vez melhor.

Aos poucos, cada jogador que vai ganhando sua chance se encaixa no esquema e no time de Milito, que parece ter a fórmula perfeita para o elenco que tem nas mãos. O fato dele gostar de explicar (para os atletas e para a imprensa) cada detalhe do seu jogo e detalhar exatamente o que pensa, pode ser o diferencial que faz a equipe crescer em tão pouco tempo.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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