Brasileirão Série A

Milito dá verdadeira aula ao explicar como o Atlético-MG passeou contra o Cruzeiro

Gabriel Milito explicou minuciosamente tudo que planejou para o clássico, que terminou com vitória contundente do Atlético

O Atlético-MG venceu o Cruzeiro por 3 a 0 na noite deste sábado (20), e teve um resultado e um desempenho muito expressivos. A vitória foi a primeira do Galo em um clássico na Arena MRV, sendo conquistado com enorme autoridade, com o time atleticano dominando a partida (de diferentes maneiras) do início ao fim. Gabriel Milito, que escalou um time ousado, deu uma aula ao explicar como o Alvinegro conquistou esse passeio contra o rival.

Gabriel Milito surpreendeu a todos escalando o Atlético com apenas um zagueiro de ofício (Jemerson). O trio de zaga foi formado por Saravia, um lateral-direito, e Battaglia, um volante. Saravia nessa posição é algo visto desde o primeiro jogo do argentino, mas Battaglia foi uma surpresa. Mas o treinador deu uma explicação bem clara e lógica de porque optou por essa improvisação.

— (Battaglia de zagueiro) Era muito importante, pois, Matheus Pereira, na última partida, jogou de falso 9, e queríamos que o Battaglia controlasse ele. Podia ter jogado um zagueiro de ofício, mas isso de subir (para marcar) até a metade do campo, sentimos que iriamos resolver melhor com o Battaglia — iniciou o argentino sua explicação, que concluiu falando também sobre a importância do jogador quando o time tinha a bola.

Na construção de jogo, quando um volante joga de zagueiro, tem mais calma e tranquilidade por saber que por trás não há rivais. Queríamos que ele jogasse mais de frente e nos desse essa boa saída de bola dele. Na defesa, que ele marcasse Matheus Pereira — concluiu Milito.

Para Milito, Battaglia pode se “adaptar perfeitamente” a posição de zagueiro, como foi neste sábado e já havia sido contra o Corinthians, na primeira rodada. Essas mudanças, como o treinador sempre gosta de deixar claro, vão muito de encontro com o que o time adversário vai fazer, mas sempre com a intenção de manter o estilo do time.

Alas foram a mina de ouro, mas Milito já sabia disso

Dá para dizer que os responsáveis por decidirem o jogo na Arena MRV foram os alas de Milito, Guilherme Arana e Gustavo Scarpa. Os jogadores apareceram sozinhos com muita frequência, principalmente no primeiro tempo, quando o Galo dominou o jogo com a bola e construiu o resultado.

Os alas atleticanos podem ter sido uma surpresa para o adversário, mas Milito já sabia que isso deveria acontecer, e deu uma verdadeira aula explicando como essas posições são cruciais e fazem diferença nos times dele.

Nós acreditamos que é muito importante, na hora de atacar, ocupar todos os espaços do campo. Por dentro e por fora. E temos que dar ritmo a bola para chegar nos jogadores por fora. Nos esportes coletivos, é muito importante que, quando a bola está para a esquerda, jogar rápido para dentro e mais rapidamente para o outro lado. Pois, defensivamente, os times ficam mais para o lado da bola. Mas nós temos que ter essa amplitude – explicou Milito.

O treinador ainda destacou que, quando a bola chegava em Scarpa – que participou diretamente dos três gols -, ele tinha mais tempo para pensar as jogadas, pois o lateral rival, que é quem deve marcá-lo, estava mais distante.

— Quando a bola chega rapidamente ao Scarpa, o lateral, que está mais por dentro e chega mais tarde (na marcação). Assim, o Gustavo pode decidir melhor, pois tem mais tempo. Se a bola não chega rápido, o lateral deles já o controla mais perto. Isso nós treinamos, mas também mostramos muito com vídeos. No jogo posicional, há que ter paciência e amplitude.

Para auxiliar essa amplitude do time e um respiro maior para os alas quando recebem a bola, Milito explicou que é fundamental a função dos jogadores que jogam por dentro, como Paulinho e Zaracho no time atleticano, pois eles precisam aprofundar no campo para atrair a marcação do lateral.

No fim, a ousadia do treinador, só com um zagueiro, e a ideia de dar amplitude em todo o campo, decidiram o clássico. Scarpa dominou inúmeras bolas com espaço para pensar a jogada, e foi assim que ele participou dos três gols, dois com assistência direta e outro começando a jogada. E, claro, não foi coincidência que Arana participou de dois gols, o que prova como os alas decidiram a partida para o Galo.

Abaixo, o gol de Arana com assistência de Scarpa, que resume em vídeo o que Milito explicou com clareza na coletiva.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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