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Reformulação do Corinthians em 2024 é Everest que Mano Menezes terá que escalar, e ele está longe do topo

Mano Menezes já participou de dois grandes períodos de mudanças no Corinthians, mas esse tem se mostrado o mais desafiador

Mano Menezes chegou a um conturbado Corinthians em setembro de 2023, às vésperas da segunda partida da semifinal da Copa Sul-Americana diante do Fortaleza. Mesmo próximo de uma final continental, os objetivos do treinador se centravam mais em afastar o perigo de rebaixamento do clube no Campeonato Brasileiro e promover uma ampla reformulação em 2024.

O primeiro objetivo foi cumprido pelo treinador, não sem sofrimento, já que o Corinthians brigou contra o risco de queda até a penúltima rodada do torneio nacional. Com o fim da temporada, a esperança era que a nova diretoria comandada por Augusto Melo e a comissão se movimentassem para viabilizar uma mudança drástica, dispensando atletas e acertando a contratação de peças de reposição e reforços.

Mano Menezes não foi escolhido aleatoriamente para a missão. Ele tem em seu currículo uma boa experiência em montagem de elencos. Só no Corinthians o gaúcho construiu grupos coesos (como em 2008 e 2014). Em 2024, porém, o cenário geral parece todo mais complicado.

— Eu acho que sempre a próxima [reformulação] é mais difícil, que nem [o próximo] jogo de futebol. O que estamos fazendo agora pertence às circunstâncias do momento, não dá para comparar etapas, épocas diferentes, é muito difícil. Acho que tínhamos, nas duas outras épocas, dentro dessa reformulação, jogadores mais experientes para fazer. Hoje temos mais jovens. Se olhar a média de idade que tínhamos hoje [terça-feira (30), após a derrota diante do São Paulo) no banco, você pode chegar a essa conclusão objetiva.

Mano Menezes compara reformulações que promoveu no Corinthians em 2008 e 2024

A falta de um executivo para iniciar as negociações

Grandes promessas foram feitas pelo atual presidente Augusto Melo. Ainda durante a campanha, Melo prometia acabar com o amadorismo dentro do clube, afirmando que sua gestão seria marcada pela profissionalização. Após ser eleito, iniciaram-se as especulações sobre um novo executivo de futebol no clube, sendo Rodrigo Caetano o suposto “plano A”.

Caetano optou por ficar no Atlético-MG e a diretoria alvinegra ao que tudo indicou não tinha um plano B ou C.  As negociações por reforços e renovações ficaram por conta de Rubão, diretor de futebol estatutário do clube.

A solução adotada não foi suficiente. Os casos de Lucas Veríssimo e Matheuzinho, além do imbróglio envolvendo Rodrigo Garro, reforço confirmado, mas que não conseguiu estrear ainda, mostram bem isso. Pressionada, a diretoria respondeu com o anúncio de Fabinho Soldado, ex-diretor do Flamengo, como executivo de futebol.

Mano Menezes defendeu os chefes ao dizer que, no clube, há um trabalho intenso pela resolução dos problemas atuais do Corinthians.

— Eu tenho acompanhado o trabalho de todos, agora temos um novo diretor, o Fabinho. Se trabalha 24 horas por dia para resolver essas questões. Estamos no caminho de alguns acréscimos, mas eu sei como é o futebol, sei que os resultados todos querem para agora. – disse o treinador alvinegro

Mercado do futebol inflacionado  

O Corinthians contratou até o momento quatro reforços: Félix Torres, Diego Pallacios, Raniele e Rodrigo Garro. Por outro lado, perdeu 13 jogadores. Dentre as dificuldades encontradas nas negociações, os altos valores pedidos pelos clubes para liberar alguns atletas são entraves centrais para um clube que tem uma situação financeira conturbada, mesmo com o aumento de verbas oriundas de novos acordos comerciais.

Já após a vitória sobre o Guarani na primeira rodada do Campeonato Paulista, única vitória do Corinthians no ano até o momento, Mano Menezes deixou claro que os valores tem assustado e falou em ‘erro mínimo'.

— É um mercado disputadíssimo, todos querem os melhores, os melhores, vocês viram em que valores se passou a trabalhar no futebol brasileiro uma coisa bem diferente do que se tinha nos últimos anos. Temos que ser muito cuidadosos para tentar errar o menos possível e é o que a gente está fazendo juntos, desde que começamos a trabalhar. Eu penso que se tivermos alguma dúvida, é melhor esperar um pouquinho – afirmou o treinador na ocasião.

Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância, paixão que se tornou profissão. Além do futebol me mantenho por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhei como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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