Brasil

Quanto vale?

Foram cerca de três meses só de fase de classificação no Campeonato Paulista. Depois de 19 longas rodadas, temos os oito times que vão às quartas de final da competição. Os quatro grandes estão nas quatro primeiras posições, algo que não aconteceu no ano passado e foi, talvez, o que incentivou a Federação Paulista a mudar a fórmula.

Curiosamente, o tiro pode sair pela culatra, já que o regulamento prevê as quartas e as semifinais em apenas um jogo. Eis aqui o ponto chave sobre o valor do campeonato. Os campeonatos estaduais atualmente são um estorvo, mas não quer dizer que eles tenham que acabar ou que não tenham valor algum. A questão é que o regulamento do Paulista torna o torneio pouco ou nada interessante e ainda atrapalha a pré-temporada dos times.

O número de rodadas na fase inicial é excessivo. E, mesmo assim, o valor desses jogos é muito pequeno para a continuidade do campeonato. Os quatro primeiro colocados têm como única vantagem o fato de o jogo ser na sua casa. Pouco para as 19 rodadas disputadas.

Quando se diz que essa primeira fase não vale nada, esse é o sentido. As 19 rodadas servem apenas para definir os oito classificados, mas leva três meses de jogos para isso e, ainda assim, não leva quase nada para a próxima fase. Tudo acaba em um jogo.

Claro que para o Ituano, por exemplo, a última rodada valeu muito. O time se salvou, quase milagrosamente, do rebaixamento com uma vitória no final da partida da Portuguesa sobre o São Bernardo. Assim como a própria Lusa, que garantiu sua vaga pela derrota do São Caetano para o Linense e ainda fez o seu resultado em casa. Mas isso valeira com qualquer fórmula de disputa.

O problema é, justamente, a fórmula. Se fossem apenas nove rodadas na primeira fase, a última também seria emocionante. Só que com a vantagem de serem menos datas, o que possibilitaria que os times fizessem uma pré-temporada decente e que a competição não fosse tão morosa. Para fazer isso, é simples: basta separar os times em dois grupos de dez equipes, turno único dentro do grupo.

Poderia até classificar quatro times de cada grupo e fazermos quartas de final, semifinal e final em dois jogos, ida e volta, o que torna a disputa mais interessante. E, com isso, teríamos apenas 15 datas para o Paulista. Permitira ao campeonato continuar existindo, sem inchar o calendário, sem tornar a disputa morosa e mantendo e até aumentando a emoção, já que teríamos seis rodadas de jogos eliminatórios e decisivos.

Os confrontos

Vamos aos confrontos propriamente ditos. O São Paulo terminou em primeiro lugar e enfrenta a Lusa, oitava classificada. Na prática, a liderança não representa muito, porque a pontuação continuará sendo contada até a final. Ou seja, se o São Paulo se classificar depois de empatar e vencer nos pênaltis nas quartas, vencer a semifinal e o Palmeiras se classificar vencendo nas quartas e na semifinal, o alviverde passa a ter a vantagem na decisão – que é decidir em casa. O mesmo vale para Santos e Corinthians.

Tem tudo para ser um dos melhores jogos desta fase da competição. A Lusa, apesar de ter se classificado na bacia das almas na última rodada, é um time tradicional e tem alguns bons jogadores, como o atacante Jael e o meia Marco Antônio. O São Paulo é favorito, mas é o confronto mais equilibrado.

O Santos terá pela frente o melhor time do interior, a Ponte Preta de Gilson Kleina. Se tecnicamente não é brilhante, a Macaca tem um time bem armado, que mostrou que pode complicar para os grandes, especialmente em um só jogo. O Santos, porém, tem tudo para vencer, já que conta com um dos times mais técnicos do campeonato e deve estar completo.

O Palmeiras é o time mais consistente do Paulista e terá pela frente o Mirassol. O time do interior fez boa campanha e merece atenção, mas o alviverde tem a melhor defesa do campeonato, um time organizado taticamente e um técnico que dá corpo ao time, o que o torna amplamente favorito.

O Corinthians faz o confronto mais desequilibrado. O Oeste é um time frágil, que conseguiu a classificação, mas não mostrou consistência na primeira fase. Os jogos que mais conseguiu complicar foram na sua casa, em Itápolis, com um gramado bastante ruim e, claro, pressão da sua torcida. No Pacaembu, deve oferecer pouca resistência. O problema é que o Corinthians de Tite teve um declínio justamente no final da fase de classificação, único fator que pode, de fato, complicar o alvinegro.

Fla-Flu equilibrado

Nos confrontos das semifinais, destaque, claro, para Flamengo e Fluminense. O rubronegro é um time que mostrou muita força competitiva, mas ainda apresentou um futebol pouco atraente – mesmo com Ronaldinho em campo. O Fluminense por sua vez, não conseguiu apresentar nada, ou quase nada, do campeão brasileiro de 2010. Sem contar que o resultado da Libertadores pode interferir. Deve ser um jogo bastante equilibrado.

No confronto entre Vasco e Olaria, claro favoritismo vascaíno. Até porque o Vasco foi o time que melhor jogou futebol na Taça Rio, com um time que está se encaixando com o técnico Ricardo Gomes. Diego Souza é um jogador talentoso e parece estar se acostumando com a camisa que já foi de Roberto Dinamite, Felipe está em ótima fase no meio-campo e Bernardo, outro meia, mostra cada vez mais qualidade. Deve passar sem problemas pelo Olaria e decidir o segundo turno do carioca. Resta saber se o time terá força para bater Flamengo ou Fluminense na final do turno.

Alerta alvinegro

O Botafogo ter ficado fora do estadual é um alerta. O desempenho dos grandes nesse tipo de competição não deve ser muito levado em conta quando é o caso do Flamengo – que vence muito, mas joga pouco. No caso do Botafogo, é preciso ligar o alerta vermelho para o Brasileiro.

O time é tecnicamente fraco. O melhor jogador é Loco Abreu, um ótimo finalizador e ótimo no jogo aéreo. No mais, só marcadores, alguns muito eficientes, como Marcelo Matos e Arévalo Rios. E só.

É bom a torcida do Botafogo saber que o time é só isso. Se souber se acertar, se defender bem e usar Loco Abreu, pode causar problemas. Se não, é só para brigar pelo 10ª lugar. Isso em uma perspectiva otimista. Maicossuel, machucado, pode melhorar um pouco esse panorama, mas não muito.

É bom que Caio Júnior se conscientize: o time não pode querer jogar de forma aberta e ofensiva. Jogar como Barcelona é só para o Barcelona, que tem jogadores e uma formação para isso. E não há demérito em jogar como Joel Santana jogava. Cada time pode ser de um jeito. O Stoke joga um futebol duro, forte na marcação e com muito jogo aéreo. E está na final da FA Cup. Pode morder uma taça, uma das mais importantes, inclusive. Se não tiver essa consciência, é bom o Botafogo começar a pensar em lutar contra o rebaixamento.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo