Pedro, Flaco López ou Kaio Jorge: Escolhemos o atacante mais completo do Brasil
Trivela definiu critérios e analisou o trio para definir quem poderia ter a alcunha de 'Harry Kane do Brasileirão'
A posição de centroavante, como todas no futebol, viveu uma transformação conforme a evolução do esporte e passou a ser exigida mais do que os gols. Quando falamos do futebol europeu, o mais alto nível praticado, é fácil apontar que Harry Kane, do Bayern de Munique, é o atacante mais completo do mundo por trazer em seu jogo, além dos gols, qualidade no passe, capacidade de jogar fora da área e mais.
Mas, e se o debate for trazido ao Brasil, quem seria apontado com um perfil como o do jogador inglês? A Trivela considerou sete critérios para definir um “atacante completo”: finalização, jogo associativo, pivô, movimentação sem bola, velocidade, dedicação defensiva e criatividade.
A reportagem olhou para a tabela do Brasileirão atual e delimitou três nomes que estão entre os camisas 9 que mais têm facetas em seu jogo: Flaco López, do Palmeiras, Kaio Jorge, do Cruzeiro, e Pedro, do Flamengo. Confira a análise do perfil dos três e a conclusão de quem é o centroavante que cumpre mais papéis no futebol brasileiro.
Kaio Jorge: velocidade, oportunismo e leitura
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O mais jovem do trio, com 24 anos, superou uma frustrada ida à Europa com uma grande última temporada pelo Cruzeiro, sendo convocado pela seleção brasileira para Data Fifa de setembro passado.
Kaio Jorge, como muitos atacantes da nova geração brasileira, casos de Vitor Roque e Yuri Alberto, tem um perfil de muita velocidade, ataque nas costas da defesa (com o movimento chamado “facão”) e qualidade com a bola no pé. Seus ataques à profundidade, recebendo passes na medida de Matheus Pereira, viraram a marca do time mineiro treinado por Leonardo Jardim em 2025, que terminou em terceiro colocado no Campeonato Brasileiro.
O bom jogo longe da área o torna um centroavante capaz de flutuar para se associar por dentro com outros colegas de time ou cair para os lados por ser ágil. Assim, consegue gerar jogo para outros jogadores também marcarem gols. Foram nove assistências no ano passado, maior número entre os três da lista.
Até por isso, não é um típico 9 que se fixa entre os zagueiros adversários, que vai ganhar bolas aéreas ou fazer um pivô perfeito. Mesmo assim, consegue ter o faro de gol de um matador, sendo inteligente para enxergar onde está o espaço na área e ser oportunista. Dos 21 gols do último Brasileirão, 12 foram com um só toque — sem contar um de pênalti.
Sem a bola, é muito dedicado para fazer a primeira pressão no campo de ataque, essencial no futebol atual, tendo um exemplo claro em um gol contra o Ceará, em 2025, quando forçou o erro do goleiro adversário antes de marcar com o gol aberto.
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Pedro: técnica apurada com a bola nos pés, finalização acima da média e pivô
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Quando se fala em centroavante técnico no Brasil e de característica única na geração, o nome que vem à cabeça é o de Pedro. Até por isso, esteve na Copa do Mundo de 2022 com a Seleção e, mesmo retomando a boa fase só agora, aparece como cotado para a edição de 2026.
Forte fisicamente, com 1,85m, o camisa 9 rubro-negro é capaz de ser alvo de um lançamento para sustentar, fazer o pivô e ceder a companheiros de time, ao mesmo tempo que consegue fazer um golaço dando um elástico antes de uma finalização — como ocorreu contra o Vitória no ano passado.
A técnica dele com a bola no pé longe da área tem um quê de Kane pela qualidade para proteger a posse, por vezes recebendo fora da área para que um colega ataque o espaço — como Giorgian de Arrascaeta fez na campanha do título brasileiro e continental em 2025 e Leonardo Jardim tem aproveitado com os pontas, como Samuel Lino.
A maior valência de Pedro, como nenhum outro no país, é como finaliza de todo jeito e converte boa parte das chances que tem, quase sempre com a perna direita, mas também em momentos de canhota ou de cabeça. Desde 2020 no Fla, soma 165 gols em 327 jogos, média de quase um a cada duas partidas.
Mesmo que seja habilidoso e tire chapéus, canetas e outros dribles da cartola, ele é menos ágil e móvel do que Kaio. Sua intensidade já foi alvo de críticas públicas de Filipe Luís, comandante do Flamengo entre 2024 e 2026, por vezes displicente sem a bola e com pouca dedicação.
Flaco López: qualidade fora da área, drible e jogo aéreo
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O último nome, em debates nas redes sociais, já foi apontado como o “Harry Kane do Brasileirão“. Não é por acaso.
Flaco López tem chamado atenção, especialmente no último ano, por sua capacidade associativa e por atuar longe da área. Às vezes, ele parece até um camisa 10, distribuindo o jogo e sendo participativo na entrada da área — como ilustra seu mapa de calor –, enquanto Vitor Roque ou outro atacante escalado por Abel Ferreira ocupa o espaço mais próximo do gol.
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No entanto, por vezes se distancia tanto da área que isso pode ser um fator negativo por segurar a bola demais. O técnico Abel Ferreira criticou esse fator na reta final do campeonato de pontos corridos passado, momento em que todo o time alviverde caiu de rendimento e o Flamengo terminou campeão.
Alto (1,88m), consegue ganhar a bola aérea e depois tabelar e marcar, como fez de fora da área na vitória palmeirense sobre o Mirassol na sexta rodada do Brasileirão atual. Sua estatura e físico — fator evoluído no Alvinegro, afinal, o apelido “Flaco” [“magro”, em livre tradução], dado na Argentina, remete a seu peso — permitem que sustente um pivô longe ou, na área, apareça para balançar as redes de cabeça.
Como o estilo de jogo do Palmeiras tem muitos lançamentos para o campo de ataque com Abel, Flaco é decisivo para atuar na “casquinha” antes que Roque faça alguma jogada e o argentino apareça para dar opção de novo. Em momentos de pressão adversária, com o time paulista querendo sair pelo chão, ele pode baixar e ser uma opção de desafogo. Assim, deu um lançamento e iniciou o gol de Arias contra o São Paulo em março passado.
Outro fator inegociável ao técnico português, que o López consegue entregar, é a dedicação defensiva. Ele sobe pressão, corta linha de passe e recompõe bem no bloco baixo — foi o quinto atacante com mais desarmes no último Brasileirão, segundo o “SofaScore”.
Conclusão: Flaco López
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O argentino pode não ser o melhor tecnicamente, nem o que decide mais ou tem a melhor finalização, como é Pedro, ou o mais rápido e com capacidade de mobilidade, a exemplo de Kaio, mas, entre os critérios sobre ser “completo”, é Flaco López quem cumpre mais.
O diferencial de Flaco López está em conseguir reunir, de forma mais equilibrada que os atacantes de Flamengo e Cruzeiro, valências como jogo associativo, criatividade para criar chances, capacidade de pivô e contribuição defensiva sem a bola, mantendo o impacto na área para marcar gols.
O Alviverde venceu o Campeonato Paulista com seu centroavante como craque e lidera o Brasileiro graças às suas participações diretas que garantiram 11 pontos.
Não à toa, a evolução de Flaco de 2025 para cá o elevou à seleção argentina e provavelmente colocará o jogador na Copa de 2026. Uma trajetória que ilustra a importância do tempo para adaptação para jogadores jovens vindo de países vizinhos — ele chegou ao Brasil em 2022 e conviveu com críticas até a volta por cima.
O clube da capital paulista definiu um preço mínimo de 40 milhões de euros (R$ 243 milhões) para vender o atacante, segundo a “ESPN” publicou no ano passado. López foi alvo de clubes europeus, salto que parece natural nos próximos meses.